{"id":2409,"date":"2017-02-27T03:47:52","date_gmt":"2017-02-27T03:47:52","guid":{"rendered":"http:\/\/ipcb.org.br\/index\/?page_id=2409"},"modified":"2018-03-19T20:52:46","modified_gmt":"2018-03-19T20:52:46","slug":"doutrina","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ipcb.org.br\/index\/doutrina\/","title":{"rendered":"Doutrina"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>As Doutrinas da Reforma<\/strong><\/h3>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Reverendo Jo\u00e3o Alves dos Santos<\/em><\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No dia 31 de Outubro de 1517, na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha, Lutero afixou as suas 95 teses que acabaram provocando o grande movimento religioso, conhecido como a Reforma do S\u00e9culo XVI. Nelas Lutero convidava os interessados a debater a quest\u00e3o das indulg\u00eancias (que eram vendidas para a constru\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica de S. Pedro, em troca de perd\u00e3o de pecados) e os males que esse tr\u00e1fico religioso podia acarretar. Era costume na \u00e9poca afixar em lugares p\u00fablicos temas ou teses para debate e convidar os interessados para discuti-los. Embora ningu\u00e9m tivesse comparecido para o debate, em pouco tempo toda a Alemanha conhecia as teses de Lutero, que lhe custaram a bula de excomunh\u00e3o, mas que representaram tamb\u00e9m o come\u00e7o da obra de purifica\u00e7\u00e3o da Igreja e seu retorno \u00e0 verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em suas teses, Lutero questionava o poder (ou mesmo a inten\u00e7\u00e3o) do Papa de perdoar pecados ou de isentar algu\u00e9m de penas, a n\u00e3o ser aquelas por ele mesmo impostas. Negava que esse perd\u00e3o (de penas ou penit\u00eancias) pudesse se estender aos que j\u00e1 haviam morrido e que, porventura, estivessem no purgat\u00f3rio. Para ele, s\u00f3 o arrependimento, seguido de atos de amor e penit\u00eancia, com ou sem carta de perd\u00e3o (indulg\u00eancia) podia realmente perdoar pecados. Destacava o valor da Palavra de Deus, a qual n\u00e3o deveria ser silenciada em benef\u00edcio da prega\u00e7\u00e3o das indulg\u00eancias. A inten\u00e7\u00e3o do Papa, dizia, deve ser esta: se a concess\u00e3o dos perd\u00f5es \u2013 que \u00e9 mat\u00e9ria de pouca import\u00e2ncia \u2013 \u00e9 celebrada pelo toque de um sino, com uma prociss\u00e3o e com uma cerim\u00f4nia, ent\u00e3o o Evangelho \u2013 que \u00e9 a coisa mais importante \u2013 deve ser pregado com o acompanhamento de cem sinos, de cem prociss\u00f5es e de cem cerim\u00f4nias (tese 55) e, ainda, o verdadeiro tesouro da Igreja \u00e9 o sacrossanto Evangelho da gl\u00f3ria e da gra\u00e7a de Deus (tese 62). Negava que a cruz adornada com as armas papais (que era carregada pelos vendedores de indulg\u00eancias) tivesse o mesmo efeito que a cruz de Cristo (tese 79). Muitas outras quest\u00f5es foram levantadas nas teses, as quais acabavam batendo na pr\u00f3pria autoridade do Papa e na lisura de suas inten\u00e7\u00f5es. Lutero afirmava: Essa licenciosa prega\u00e7\u00e3o dos perd\u00f5es torna dif\u00edcil, mesmo a pessoas estudadas, defender a honra do Papa contra cal\u00fania, ou pelo menos contra as perguntas capciosas dos leigos. Esses perguntam: Por que o Papa n\u00e3o esvazia o purgat\u00f3rio por um sant\u00edssimo ato de amor e das grandes necessidades das almas; isto n\u00e3o seria a mais justa das causas, visto que ele resgata um n\u00famero infinito de almas por causa do s\u00f3rdido dinheiro dado para a edifica\u00e7\u00e3o de uma bas\u00edlica que \u00e9 uma causa bem trivial? &#8230; Que miseric\u00f3rdia de Deus e do Papa \u00e9 essa de conceder a uma pessoa \u00edmpia e hostil a certeza, por pagamento de dinheiro, de uma alma pia em amizade com Deus, enquanto n\u00e3o resgata por amor espont\u00e2neo uma alma que \u00e9 pia e amada, estando ela em necessidade?&#8230; As riquezas do Papa hoje em dia excedem muito \u00e0 dos mais ricos Crassos; n\u00e3o pode ele ent\u00e3o construir uma bas\u00edlica de S. Pedro com seu pr\u00f3prio dinheiro, em vez de faz\u00ea-lo com o dinheiro dos fi\u00e9is? &#8230; Abafar esses estudados argumentos dos fi\u00e9is apelando simplesmente para a autoridade papal em vez de esclarec\u00ea-los mediante uma resposta racional, \u00e9 expor a Igreja e o Papa ao rid\u00edculo dos inimigos e tornar os crist\u00e3os infelizes (teses 81, 82, 84, 86 e 90).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com essas e outras proposi\u00e7\u00f5es Lutero alcan\u00e7ou mais do que podia imaginar. Atingiu o ponto crucial do problema: a situa\u00e7\u00e3o de distanciamento do Evangelho em que se encontrava a Igreja. Os males da Igreja n\u00e3o eram apenas os seus desvios morais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos, que a colocavam em descr\u00e9dito perante o povo. Seu problema principal, respons\u00e1vel tamb\u00e9m por estes, era o afastamento das doutrinas fundamentais da Palavra de Deus. A Reforma trouxe a Igreja de volta \u00e0s Escrituras e ao Evangelho pregado pelos ap\u00f3stolos. O pr\u00f3prio Lutero, de in\u00edcio, n\u00e3o estava totalmente livre dos erros pregados por sua Igreja, como muito bem atesta sua cren\u00e7a no purgat\u00f3rio (teses 10, 11, 15, 16, 17, 22, etc), e no valor da penit\u00eancia (sofrimento) e do perd\u00e3o do Papa para certos pecados (teses 6, 7, 8,12, 34, 38, 40, etc.). Foi o estudo da B\u00edblia que revelou qu\u00e3o longe a Igreja estava afastada da verdade e a trouxe de volta \u00e0 pureza de sua cren\u00e7a primitiva. A Reforma restituiu \u00e0 Igreja a cren\u00e7a em doutrinas chaves, que se tornaram essenciais para a sua prega\u00e7\u00e3o e para distingui-la dos erros que continuaram e ainda s\u00e3o mantidos pela Igreja Romana at\u00e9 os nossos dias. \u00c9 a import\u00e2ncia dessas doutrinas, conhecidas por sua designa\u00e7\u00e3o latina Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria, que queremos apresentar, ainda que de forma breve, neste estudo.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Sola Scriptura \u2013 &#8220;Somente a Escritura&#8221;, ou a autoridade e sufici\u00eancia das Escrituras<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para os reformadores, somente a Escritura Sagrada tem a palavra final em mat\u00e9ria de f\u00e9 e pr\u00e1tica. \u00c9 o que ficou consubstanciado nas Confiss\u00f5es de F\u00e9 de origem reformada. A Confiss\u00e3o de F\u00e9 de Westminster, que adotamos, afirma: Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, &#8230; todos dados por inspira\u00e7\u00e3o de Deus para serem a regra de f\u00e9 e de pr\u00e1tica..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A autoridade da Escritura Sagrada, raz\u00e3o pela qual deve ser crida e obedecida, n\u00e3o depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que \u00e9 o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque \u00e9 a palavra de Deus&#8230; O Velho Testamento em Hebraico&#8230; e o Novo Testamento em Grego&#8230;, sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e provid\u00eancia conservados puros em todos os s\u00e9culos, s\u00e3o por isso aut\u00eanticos e assim em todas as controv\u00e9rsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal&#8230; O Juiz Supremo, pelo qual todas as controv\u00e9rsias religiosas t\u00eam de ser determinadas e por quem ser\u00e3o examinados todos os decretos de conc\u00edlios, todas as opini\u00f5es dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opini\u00f5es particulares, o Juiz Supremo em cuja senten\u00e7a nos devemos firmar n\u00e3o pode ser outro sen\u00e3o o Esp\u00edrito Santo falando na Escritura.(I, 2,4,8,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Igreja Cat\u00f3lica Romana tamb\u00e9m aceita as Escrituras como Palavra de Deus, mas n\u00e3o s\u00f3 as Escrituras. Ela acredita que as decis\u00f5es da Igreja atrav\u00e9s dos seus conc\u00edlios e do Papa, quando fala oficialmente (ex cathedra) em mat\u00e9ria de f\u00e9 e de moral, s\u00e3o igualmente a palavra de Deus, infal\u00edvel. \u00c9 o que se chama de Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja. Sobre a autoridade da Igreja e do Papa, assim diz um autor cat\u00f3lico: &#8220;Cristo deu \u00e0 Igreja a tarefa de proclamar sua Boa-Nova (Mt 28, 19-20). Prometeu-nos tamb\u00e9m seu Esp\u00edrito, que nos guia&#8221;para a verdade&#8221; (Jo 16,13). Este mandato e esta promessa garantem que n\u00f3s, a Igreja, jamais apostataremos do ensinamento de Cristo. Esta incapacidade da Igreja em seu conjunto de extraviar-se no erro com rela\u00e7\u00e3o aos temas b\u00e1sicos da doutrina de Cristo chama-se infalibilidade&#8230; A infalibilidade sacramental da Igreja \u00e9 preservada pelo seu principal instrumento de infalibilidade, o Papa. A infalibilidade que toda a Igreja possui, pertence ao Papa dum modo especial. O Esp\u00edrito de verdade garante que quando o Papa declara que ele est\u00e1 ensinando infalivelmente como representante de Cristo e cabe\u00e7a vis\u00edvel da Igreja sobre assuntos fundamentais de f\u00e9 ou de moral, ele n\u00e3o pode induzir a Igreja a erro. Esse dom do Esp\u00edrito se chama infalibilidade papal. Falando da infalibilidade da igreja, do Papa e dos Bispos, o Conc\u00edlio Vaticano II diz: &#8220;Esta infalibilidade, da qual quis o Divino Redentor estivesse sua Igreja dotada&#8230; \u00e9 a infalibilidade de que goza o Romano Pont\u00edfice, o Chefe do Col\u00e9gio dos Bispos, em virtude de seu cargo&#8230; A infalibilidade prometida \u00e0 Igreja reside tamb\u00e9m no Corpo Episcopal, quando, como o Sucessor de Pedro, exerce o supremo magist\u00e9rio&#8221; (L\u00famen Gentium, n\u00ba 25) &#8211;<br \/>\n(<a href=\"http:\/\/www.geocities.com\/Augusta\/3540\/doutrina.htm\">http:\/\/www.geocities.com\/Augusta\/3540\/doutrina.htm<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sobre a rela\u00e7\u00e3o entre as Sagradas Escrituras e a Tradi\u00e7\u00e3o, diz esse mesmo autor: O Conc\u00edlio Vaticano II descreve a Sagrada Tradi\u00e7\u00e3o e as Sagradas Escrituras como sendo &#8220;semelhante a um espelho em que a Igreja peregrinante na terra contempla a Deus&#8221; (Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica Dei Verbum, sobre a Revela\u00e7\u00e3o Divina, n\u00ba 7). A palavra revelada de Deus chega at\u00e9 voc\u00ea mediante palavras faladas e escritas por seres humanos. A Escritura Sagrada \u00e9 a Palavra de Deus &#8220;enquanto \u00e9 redigida sob a mo\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo&#8221; (Dei Verbum, n\u00ba 9). A Sagrada Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 a transmiss\u00e3o da Palavra de Deus pelos sucessores dos ap\u00f3stolos. Juntas, a Tradi\u00e7\u00e3o e a Escritura constituem um s\u00f3 sagrado dep\u00f3sito da palavra de Deus, confiado \u00e0 Igreja&#8221;(Dei Verbum, n\u00ba 10). E mais adiante acrescenta: A Sagrada Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 a transmiss\u00e3o da Palavra de Deus. Esta transmiss\u00e3o \u00e9 feita oficialmente pelos sucessores dos ap\u00f3stolos, e n\u00e3o oficialmente por todos os que cultuam, ensinam e vivem a f\u00e9, tal como a Igreja a entende. (Ibidem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No dias de Lutero a Igreja Romana j\u00e1 pensava assim e assim pensa at\u00e9 hoje. Na pr\u00e1tica, a Tradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 acima da B\u00edblia para o catolicismo. J\u00e1 que cabe \u00e0 Igreja transmitir e interpretar a B\u00edblia, com igual autoridade e infalibilidade, \u00e9 a palavra da Igreja, em \u00faltima inst\u00e2ncia, que tem valor. O escritor cat\u00f3lico, acima referido, diz: O Vaticano II fez o que a Igreja docente sempre tem feito: expressou o conte\u00fado imut\u00e1vel da revela\u00e7\u00e3o, traduzindo-o para formas de pensamento do povo de acordo com a cultura de hoje. Mas esta &#8220;tradu\u00e7\u00e3o do conte\u00fado imut\u00e1vel&#8221; n\u00e3o \u00e9 como que vestir not\u00edcias velhas com linguagem nova. Como afirmou o Vaticano II: &#8220;Esta Tradi\u00e7\u00e3o, oriunda dos Ap\u00f3stolos, progride na Igreja sob a assist\u00eancia do Esp\u00edrito Santo. Cresce, com efeito, a compreens\u00e3o tanto das coisas como das palavras transmitidas&#8230; no decorrer dos s\u00e9culos, a Igreja tende continuamente para a plenitude da verdade divina, at\u00e9 que se cumpram nela as palavras de Deus&#8221;. (Dei Verbum, n\u00ba 8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pelo Vaticano II a Igreja deu ouvidos ao Esp\u00edrito, empenhou-se na sua &#8220;tarefa de perscrutar os sinais dos tempos e interpret\u00e1-los \u00e0 luz do Evangelho&#8221; (Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no Mundo Moderno, n\u00ba 4). Nem sempre \u00e9 claro aonde o Esp\u00edrito est\u00e1 nos conduzindo. Mas o terreno no qual n\u00f3s, a Igreja, caminhamos adiante da nossa peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 firme: o Evangelho de Cristo. Nesta etapa da nossa hist\u00f3ria, um de nossos instrumentos b\u00e1sicos de Tradi\u00e7\u00e3o &#8211; de transmiss\u00e3o da f\u00e9 &#8211; s\u00e3o os documentos do Vaticano II (Ibidem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por este texto percebe-se que a Igreja Romana arroga a si n\u00e3o s\u00f3 a autoridade de interpretar e contextualizar a B\u00edblia, de modo infal\u00edvel, mas a de continuar a sua revela\u00e7\u00e3o. Por isso a leitura da B\u00edblia pelos leigos n\u00e3o \u00e9 vista como necess\u00e1ria; e, em alguns casos, \u00e9 tida at\u00e9 como perigosa. A Reforma ensinou o livre exame das Escrituras. Qualquer pessoa tem o direito e at\u00e9 o dever de examinar, por si mesma, se o ensino da Igreja est\u00e1 de acordo com as Escrituras. Foi o que fizeram os crentes de Ber\u00e9ia, pelo que foram elogiados (At 17:11). A Igreja pode errar e tem errado. A infalibilidade deve ser atribu\u00edda apenas ao texto b\u00edblico, n\u00e3o aos que o interpretam. Em nenhum lugar da B\u00edblia lemos que a promessa, dada aos ap\u00f3stolos, de que o Esp\u00edrito os conduziria a toda a verdade se estenderia aos demais l\u00edderes da Igreja, em todos os tempos. Jesus prometeu-lhes que o Esp\u00edrito n\u00e3o s\u00f3 os guiaria a toda verdade (Jo 16:13), mas lhes ensinaria todas as coisas e os faria lembrar de tudo o que lhes tinha dito (Jo 14:26). Isto s\u00f3 poderia aplicar-se a eles, os ap\u00f3stolos. S\u00f3 eles ouviram o que Jesus disse para poder lembrar-se depois, n\u00e3o os bispos nem os papas. A infalibilidade do Papa (e, por extens\u00e3o, da Igreja) s\u00f3 foi declarada como dogma em 1870, no Conc\u00edlio Vaticano I. Tal dogma, naturalmente, serviu ao prop\u00f3sito de dar &#8220;legitimidade&#8221; aos in\u00fameros ensinos contr\u00e1rios \u00e0s Escrituras, tanto os j\u00e1 anteriormente estabelecidos como outros que viriam depois, como a ora\u00e7\u00e3o pelos mortos (310), a institui\u00e7\u00e3o da missa substituindo o culto (394), o culto a Maria (431), a inven\u00e7\u00e3o do purgat\u00f3rio (503), a venera\u00e7\u00e3o de imagens (783), a canoniza\u00e7\u00e3o dos santos (933), o celibato clerical (1074), o perd\u00e3o atrav\u00e9s da venda de indulg\u00eancias (1190), a h\u00f3stia substituindo a Ceia (1200), a adora\u00e7\u00e3o da h\u00f3stia (1208), a transubstancia\u00e7\u00e3o (1215), a confiss\u00e3o auricular (1216), os livros ap\u00f3crifos como parte do c\u00e2non (1546), o dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Maria (1854) e o dogma da Assun\u00e7\u00e3o de Maria (1950), dentre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lutero se op\u00f4s naturalmente a esse ensino da Igreja. J\u00e1 nas suas teses proclamava que comete-se uma injusti\u00e7a para com a palavra de Deus se no mesmo serm\u00e3o se concede tempo igual, ou mais longo, \u00e0s indulg\u00eancias do que \u00e0 palavra de Deus (tese 54) e que o verdadeiro tesouro da Igreja \u00e9 o sacrossanto Evangelho da gl\u00f3ria e da gra\u00e7a de Deus (tese 62). Comparava o Evangelho como &#8220;redes com que, desde a antiguidade, se pescam homens de bem&#8221; enquanto que as indulg\u00eancias eram &#8220;redes com que agora se pescam os bens dos homens&#8221; (teses 65 e 66). Mas foi na Dieta de Worms, em 1521, que demonstrou estar totalmente convencido de que as Escrituras eram a sua \u00fanica autoridade reconhecida. Quando perguntado se estava disposto a se retratar das afirma\u00e7\u00f5es que fizera, negando autoridade a certas decis\u00f5es de alguns conc\u00edlios, sua resposta foi: \u00c9 imposs\u00edvel retrata\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser que me provem que estou laborando em erro, pelo testemunho das Escrituras ou por uma raz\u00e3o evidente; n\u00e3o posso confiar nas decis\u00f5es dos conc\u00edlios e dos Papas, pois \u00e9 evidente que eles n\u00e3o somente t\u00eam errado, mas se t\u00eam contradito uns aos outros. Minha consci\u00eancia est\u00e1 alicer\u00e7ada na Palavra de Deus, e n\u00e3o \u00e9 seguro nem honesto agir-se contra a consci\u00eancia de algu\u00e9m. Assim Deus me ajude. Am\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tanto a autoridade \u00fanica como tamb\u00e9m a sufici\u00eancia das Escrituras t\u00eam sido doutrinas preciosas para as igrejas reformadas. S\u00f3 a Escritura e toda a Escritura! N\u00e3o precisamos de outra fonte para saber o que devemos crer e como devemos agir. Hoje h\u00e1 uma tend\u00eancia para se colocar a experi\u00eancia humana e supostas revela\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito no mesmo n\u00edvel de autoridade das Escrituras, por parte de alguns grupos evang\u00e9licos. Na pr\u00e1tica, \u00e0s vezes essas experi\u00eancias acabam se tornando mais desejadas e tidas como mais valiosas do que o pr\u00f3prio ensino das Escrituras. Tomam hoje o lugar que, no passado, tomava a Tradi\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso que voltemos ao princ\u00edpio da Sola Scriptura, se queremos ser realmente reformados em nossas convic\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas. A Escritura, e n\u00e3o a nossa experi\u00eancia subjetiva, deve ser o nosso crit\u00e9rio de verdade. Nossa prega\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve visar o que agrada aos homens, mas o que agrada a Deus. J\u00e1 dizia Lutero que os tesouros das indulg\u00eancias eram muito mais populares dos que os tesouros do Evangelho (teses 63 e 64), e isso, certamente, porque faziam as pessoas se sentirem bem, aliviadas do sentimento de culpa, pela promessa, ainda que falsa, de perd\u00e3o de pecados. S\u00f3 a prega\u00e7\u00e3o da Lei associada ao Evangelho pode realmente trazer o homem ao arrependimento e ao perd\u00e3o divino. As Escrituras s\u00e3o a espada do Esp\u00edrito. \u00c9 por elas, e n\u00e3o independente delas, que o Esp\u00edrito age. Nossas experi\u00eancias espirituais s\u00f3 t\u00eam valor se forem produzidas pela persuas\u00e3o da Palavra.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li>Solus Christus \u2013 &#8220;Somente Cristo&#8221;, ou a sufici\u00eancia e exclusividade de Cristo<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Catolicismo Romano afastou-se do Evangelho e instituiu o culto a Maria, j\u00e1 em 431, o culto \u00e0s imagens, em 787, e a canoniza\u00e7\u00e3o dos santos, em 933. Instituiu tamb\u00e9m a figura do sacerdote como vig\u00e1rio de Cristo, a quem devem ser confessados os pecados e a quem supostamente foi conferido poder para perdo\u00e1-los, mediante a prescri\u00e7\u00e3o de penit\u00eancias. Um dos pontos centrais das teses de Lutero tinha a ver exatamente com o poder do Papa e dos sacerdotes de perdoar pecados, que ele questionava, pelo menos no que diz respeito aos mortos. Dizia ele: O Papa n\u00e3o tem o desejo nem o poder de perdoar quaisquer penas, exceto aquelas que ele imp\u00f4s por sua pr\u00f3pria vontade ou segundo a vontade dos c\u00e2nones. O Papa n\u00e3o tem o poder de perdoar a culpa a n\u00e3o ser declarando ou confirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoando os casos que lhe s\u00e3o reservados. Se ele deixasse de observar essas limita\u00e7\u00f5es a culpa permaneceria. Os c\u00e2nones da penit\u00eancia s\u00e3o impostos unicamente sobre os vivos e nada deveria ser imposto aos mortos segundo eles (teses 5, 6 e 8). Mas admitia o sacerdote como vig\u00e1rio de Deus, perante quem Deus podia perdoar a culpa, mediante humilha\u00e7\u00e3o do penitente ( tese 7). S\u00f3 mais tarde Lutero se libertou totalmente de alguns desses ran\u00e7os de sua forma\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica. Nem poderia ser diferente. Quando ele escreveu as teses, era ainda um monge cat\u00f3lico romano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O que o catolicismo ensina a respeito de Cristo n\u00e3o \u00e9 diferente daquilo que professamos em nossos credos. A encarna\u00e7\u00e3o, nascimento virginal, divindade, morte vic\u00e1ria e ressurrei\u00e7\u00e3o s\u00e3o cridos e ensinados. O problema \u00e9 que a Igreja Romana n\u00e3o cr\u00ea na sufici\u00eancia e exclusividade da obra de Cristo para a salva\u00e7\u00e3o. Maria \u00e9 erigida \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de intercessora e at\u00e9 co-redentora (n\u00e3o oficialmente, ainda) e os santos entram tamb\u00e9m com os m\u00e9ritos de sua intercess\u00e3o para a obra salv\u00edfica. O autor cat\u00f3lico, acima citado, assim se refere a Maria: No seu livro &#8220;Maria em Sua Vida Di\u00e1ria&#8221;, o te\u00f3logo Bernardo H\u00e4ring observa: &#8220;O Conc\u00edlio Vaticano II coroou a Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica sobre a Igreja com um belo cap\u00edtulo sobre Maria, como prot\u00f3tipo e modelo da Igreja. A Igreja n\u00e3o pode chegar a entender plenamente a uni\u00e3o com Cristo e o servi\u00e7o a seu Evangelho, sem um amor e um conhecimento profundos de Maria, M\u00e3e de Nosso Senhor e nossa M\u00e3e&#8221;. Com uma vis\u00e3o penetrante na natureza profundamente pessoal da salva\u00e7\u00e3o, o Vaticano II abordou o influxo de Maria em nossas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por ser m\u00e3e de Jesus, Maria \u00e9 a M\u00e3e de Deus. \u00c9 o que afirma o Vaticano II: &#8220;Na Anuncia\u00e7\u00e3o do Anjo, a Virgem Maria recebeu o Verbo de Deus no cora\u00e7\u00e3o e no corpo, e trouxe ao mundo a Vida. Por isso, \u00e9 reconhecida e honrada como verdadeira M\u00e3e de Deus e do Redentor&#8221;(Lumen Gentium, n\u00ba 53).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como M\u00e3e do Senhor, Maria \u00e9 uma pessoa inteiramente singular. Como seu Filho, ela foi concebida como ser humano (e viveu toda a sua vida) isenta de qualquer vest\u00edgio do pecado original, isto se chama sua Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. Antes, durante e ap\u00f3s o nascimento de seu filho Jesus, Maria permaneceu fisicamente virgem. No final da sua vida Maria foi assunta &#8211; isto \u00e9, elevada &#8211; ao c\u00e9u, de corpo e alma; a isso chamamos sua Assun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na qualidade de M\u00e3e de Cristo, cuja vida vivemos, Maria \u00e9 tamb\u00e9m a m\u00e3e de toda a Igreja. Ela \u00e9 membro da Igreja, mas um membro totalmente singular. O Vaticano II exprime sua rela\u00e7\u00e3o conosco como a de um membro supereminente e de todo singular da Igreja, como seu modelo&#8230; na f\u00e9 e na caridade. &#8220;E a Igreja cat\u00f3lica, instru\u00edda pelo Esp\u00edrito Santo, honra-a com afeto de piedade filial como m\u00e3e amant\u00edssima&#8221;(Lumen Gentium, n\u00ba 53).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como uma m\u00e3e que aguarda a volta dos seus filhos adultos para casa, Maria nunca cessa de influenciar o curso de nossas vidas. Diz o Vaticano II: &#8220;Ela concebeu, gerou, nutriu a Cristo, apresentou-o ao Pai no templo, compadeceu com seu Filho que morria na cruz&#8230; Por tal motivo ela se tornou para n\u00f3s M\u00e3e, na ordem da gra\u00e7a&#8221;(Lumen Gentium, n\u00ba 61). &#8220;por sua maternal caridade cuida dos irm\u00e3os de seu Filho, que ainda peregrinam na terra rodeados de perigos e dificuldades, at\u00e9 que sejam conduzidos \u00e0 feliz p\u00e1tria&#8221;(Lumen Gentium, n\u00ba 62).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa M\u00e3e, que viu seu pr\u00f3prio Filho feito homem morrer pelo resto de seus filhos, est\u00e1 esperando e preparando seu lugar para voc\u00ea. Ela \u00e9, nas palavras do Vaticano II, seu &#8220;sinal da esperan\u00e7a segura e do conforto&#8221; (Lumen Gentium, n\u00ba 68) (Ibidem)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com rela\u00e7\u00e3o aos santos, diz esse autor: A igreja venera tamb\u00e9m os outros santos que j\u00e1 est\u00e3o com o Senhor no c\u00e9u. S\u00e3o pessoas que serviram a Deus e ao pr\u00f3ximo dum modo t\u00e3o not\u00e1vel, que foram canonizados, isto \u00e9, a Igreja declarou oficialmente her\u00f3icos, e nos exorta a rezarmos a eles, pedindo sua intercess\u00e3o por todos n\u00f3s junto a Deus. E ainda, A Comunh\u00e3o dos santos \u00e9 uma rua de m\u00e3o dupla:.. o Vaticano II afirma que, assim como voc\u00ea na terra pode ajudar aqueles que sofrem o purgat\u00f3rio, assim os que est\u00e3o no c\u00e9u podem ajud\u00e1-lo na sua peregrina\u00e7\u00e3o, intercedendo por voc\u00ea junto de Deus (Ibidem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Embora a Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o tenha ainda proclamado oficialmente o dogma de Maria como co-redentora, o que vem sendo buscado por muitos de seus cultuadores (at\u00e9 agosto de 1997 o atual papa j\u00e1 havia recebido 4.340.429 assinaturas de 157 pa\u00edses solicitando que ele exercesse o poder da sua infalibilidade para proclamar o dogma de que &#8220;a Virgem Maria \u00e9 co-redentora, mediadora de todas as gra\u00e7as e advogada do povo de Deus&#8221;, cf.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.msantunes.com.br\/juizo\/odesvirt.htm\">http:\/\/www.msantunes.com.br\/juizo\/odesvirt.htm<\/a>), na pr\u00e1tica ela \u00e9 assim considerada e com o apoio e ensino expl\u00edcito do clero. No boletim diocesano da cidade de Itabuna (BA), assim se expressa Dom Ceslau Stanula, bispo da diocese: &#8220;Maria Co-Redentora &#8211; M\u00eas de maio, um dos mais lindos do ano, a humanidade dedicou a Nossa Senhora. Quase em todas as igrejas e capelas diariamente neste m\u00eas, o povo se re\u00fane para cantar ladainhas e louvores a nossa Senhora. Nossa Senhora \u00e9 invocada, venerada e cultuada pelas raz\u00f5es muito profundas e b\u00edblicas. Maria \u00e9 a M\u00e3e de Jesus que \u00e9 Deus, Filho de Deus nosso Salvador, e portanto ela \u00e9 a Co-Redentora da humanidade&#8221;. E para consusbstanciar sua declara\u00e7\u00e3o cita documento do Conc\u00edlio Vaticano II que diz: &#8220;Assim de modo inteiramente singular, pela obedi\u00eancia, f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restaura\u00e7\u00e3o da vida sobrenatural das almas. Por tal motivo ela se tornou para n\u00f3s m\u00e3e na ordem da gra\u00e7a&#8221;. (LG 61) (<a href=\"http:\/\/www.snow.icestorm.net\/siteverde\/boletim1.htm\">http:\/\/www.snow.icestorm.net\/siteverde\/boletim1.htm<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Certamente este n\u00e3o \u00e9 o ensino da B\u00edblia. Ela nos diz que &#8220;h\u00e1 um s\u00f3 Deus e um s\u00f3 Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem&#8221; (1Tm 2:5), que, &#8220;por isso, tamb\u00e9m pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles&#8221; (Hb 7:25) e que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o em nenhum outro; porque abaixo do c\u00e9u n\u00e3o existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos&#8221; (At 4:12). N\u00e3o precisamos de intercess\u00e3o de Maria ou dos santos, nem t\u00eam eles qualquer poder para tal. Quem disse &#8220;na casa de meu Pai h\u00e1 muitas moradas&#8230; vou preparar-vos lugar&#8221;, foi Jesus e n\u00e3o Maria (Jo 14:2). A obra de Cristo \u00e9 suficiente para a nossa salva\u00e7\u00e3o. Maria e todos os demais crentes s\u00f3 puderam ser salvos pela gra\u00e7a e media\u00e7\u00e3o eficaz de Cristo. Assim cantou ela: &#8220;A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu esp\u00edrito se alegrou em Deus, meu Salvador, porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gera\u00e7\u00f5es me considerar\u00e3o bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas. Santo \u00e9 o seu nome&#8221; (Lc 1:46-49). Quando o povo de Listra quis adorar a Paulo e Barnab\u00e9, sua resposta foi a seguinte: Senhores, por que fazeis isto? N\u00f3s tamb\u00e9m somos homens como v\u00f3s, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas v\u00e3s vos convertais ao Deus vivo, que fez o c\u00e9u, a terra, o mar e tudo o que h\u00e1 neles (At 14:15). Os verdadeiros santos nunca reivindicaram qualquer poder, gl\u00f3ria ou honra para si mesmos. Certamente \u00e9 falsa esta aspira\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a Maria: &#8220;At\u00e9 que eu seja reconhecida no lugar em que a Sant\u00edssima Trindade desejou que eu estivesse, eu n\u00e3o poderei exercer meu poder totalmente, no trabalho materno de co-reden\u00e7\u00e3o e de media\u00e7\u00e3o universal das gra\u00e7as&#8230; (Nossa Senhora a Padre Gobbi, 14\/06\/80)&#8221;<br \/>\n(<a href=\"http:\/\/www.geocities.com\/Athens\/Delphi\/3665\/milesp2.html\">http:\/\/www.geocities.com\/Athens\/Delphi\/3665\/milesp2.html<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma outra conseq\u00fc\u00eancia do princ\u00edpio do Solus Christus foi a doutrina que ficou conhecida como a do &#8220;Sacerd\u00f3cio Universal dos Crentes&#8221;. N\u00e3o necessitamos de outro sacerdote ou mediador entre n\u00f3s e Deus que n\u00e3o seja o Senhor Jesus Cristo. Cada um pode chegar-se a Ele diretamente, sem intermedi\u00e1rios humanos. Como diz o autor aos Hebreus: &#8220;Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os c\u00e9us, conservemos firmes a nossa confiss\u00e3o. Porque n\u00e3o temos sumo sacerdote que n\u00e3o possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, \u00e0 nossa semelhan\u00e7a, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da gra\u00e7a, a fim de recebermos miseric\u00f3rdia e acharmos gra\u00e7a para socorro em ocasi\u00e3o oportuna&#8221; (Hb 4:14-16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Reforma trouxe \u00e0 Igreja o Evangelho simples dos ap\u00f3stolos, centrado na sufici\u00eancia e exclusividade da obra de Cristo para a salva\u00e7\u00e3o. A velha confiss\u00e3o de Paulo foi de novo a confiss\u00e3o dos reformadores: &#8220;Porque decidi nada saber entre v\u00f3s, sen\u00e3o a Jesus Cristo e este crucificado&#8221; (1Co 2:2)<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li>Sola Gratia \u2013 &#8220;Somente a Gra\u00e7a&#8221;, ou a causa eficiente \u00fanica da salva\u00e7\u00e3o<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Intimamente ligado ao princ\u00edpio do Solus Christus est\u00e1 o da Sola Gratia. A B\u00edblia ensina que o homem \u00e9 totalmente incapaz de fazer qualquer coisa para a sua salva\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 espiritualmente morto em delitos e pecados. Um morto nada pode fazer sem que antes seja vivificado. Paulo ensina como se operou a nossa salva\u00e7\u00e3o: &#8220;Ele vos deu vida, estando v\u00f3s mortos nos vossos delitos e pecados &#8230; e estando n\u00f3s mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, &#8211; pela gra\u00e7a sois salvos&#8221; (Ef 2:1,5). Foi &#8220;pela gra\u00e7a&#8221;, diz Paulo, que fomos vivificados, estando n\u00f3s mortos. A doutrina da inabilidade total do homem para salvar-se foi um dos marcos da Reforma. No seu livro De Servo Arbitrio (&#8220;A Escravid\u00e3o da Vontade&#8221;), Lutero nega que o homem tenha livre arb\u00edtrio, ou seja, a capacidade de escolher entre o bem e o mal, depois da queda. Vendido ao pecado, o homem n\u00e3o tem mais a habilidade para escolher o bem, pois sua vontade est\u00e1 presa ou escravizada pelo pecado. S\u00f3 pode e s\u00f3 quer escolher o pecado. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, exclusivamente ato da livre e soberana gra\u00e7a de Deus. N\u00e3o s\u00f3 Calvino, como geralmente se pensa, mas tamb\u00e9m Lutero e os demais reformadores deram grande \u00eanfase na necessidade da gra\u00e7a soberana de Deus para a salva\u00e7\u00e3o do homem. \u00c9 por isso que a elei\u00e7\u00e3o divina \u00e9 incondicional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todavia, n\u00e3o era isso que a Igreja ensinava nos dias da Reforma. O catolicismo, seguindo o pensamento de Pel\u00e1gio e, principalmente, de Tom\u00e1s de Aquino, acreditava e ainda acredita que o homem n\u00e3o est\u00e1 totalmente corrompido em sua vontade e natureza. Ele precisa da gra\u00e7a de Deus, mas n\u00e3o no sentido regenerador, como cremos. Segundo a teologia romana o homem pode conhecer a Deus atrav\u00e9s de sua raz\u00e3o, conhecimento que \u00e9 chamado de Teologia Natural. O documento 1806 (Denzinger) do Conc\u00edlio Vaticano I (1869-1870) diz: &#8220;(Contra os que negam a teologia natural) &#8211; Qualquer que disser que o Deus verdadeiro, nosso Criador e nosso Senhor, n\u00e3o pode ser conhecido com verdadeira exatid\u00e3o pelas coisas que foram feitas, pela luz natural da raz\u00e3o humana, seja an\u00e1tema (cf. 1785) (Cf. Denzinger 1810, 1812, 1816) (cf F.H. Klooster, Introduction to Systematic Theology (Grand Rapids: Calvin Theological Seminary, 1985, pp. 182-183).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No artigo cat\u00f3lico que temos citado, encontramos como eles entendem o pecado original: Com exce\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo e de sua M\u00e3e Maria, todo ser humano nascido neste mundo est\u00e1 contaminado pelo pecado original. Como S\u00e3o Paulo declara em Rom, 5, 12: &#8220;Por meio de um s\u00f3 homem o pecado entrou no mundo e pelo pecado a morte, e assim a morte passou a todos os homens porque todos pecaram&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Embora continue a mostrar que h\u00e1 o mal neste mundo, a Igreja n\u00e3o est\u00e1 sugerindo que a natureza humana esteja corrompida. Ao contr\u00e1rio, a humanidade \u00e9 capaz de fazer muito bem. N\u00e3o obstante sintamos uma &#8220;tend\u00eancia para baixo&#8221;, ainda mantemos o controle essencial sobre nossas decis\u00f5es. Permanece a vontade livre. E &#8211; o que \u00e9 mais importante &#8211; Cristo, nosso Redentor, venceu o pecado e a morte pela sua morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o. Essa vit\u00f3ria cancelou n\u00e3o apenas nossos pecados pessoais, mas tamb\u00e9m o pecado original e seus propalados efeitos. A doutrina do pecado original, portanto, entende-se melhor como um escuro pano de fundo contra o qual pode ser aplicada, fazendo contraste, a brilhante reden\u00e7\u00e3o adquirida para n\u00f3s por Cristo, nosso Senhor. (<a href=\"http:\/\/www.geocities.com\/Augusta\/3540\/doutrina.htm\">http:\/\/www.geocities.com\/Augusta\/3540\/doutrina.htm<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, o catolicismo estabeleceu os sacramentos da Igreja (que para eles s\u00e3o sete e n\u00e3o dois) como meios pelos quais o problema do pecado pode ser tratado e a gra\u00e7a recebida. A Igreja torna-se medianeira ou mediadora da gra\u00e7a de Deus. Da\u00ed o ensino de que &#8220;fora da Igreja n\u00e3o pode haver salva\u00e7\u00e3o&#8221;, entendida &#8220;Igreja&#8221; aqui n\u00e3o como o n\u00famero total dos eleitos (sentido espiritual) mas como a organiza\u00e7\u00e3o (vis\u00edvel) que, supostamente, det\u00e9m o poder de distribuir e administrar a gra\u00e7a de Deus. No s\u00e9culo XVI o cardeal Roberto Belarmino assim descreveu a Igreja Romana: &#8220;A \u00fanica e verdadeira Igreja \u00e9 a comunidade de homens reunidos pela profiss\u00e3o da mesma f\u00e9 crist\u00e3 e pela comunh\u00e3o dos mesmos sacramentos, sob o governo dos leg\u00edtimos pastores e especialmente do vig\u00e1rio de Cristo na terra, o Romano Pont\u00edfice&#8221; (Ibidem). Mas vem de longa data esse ensino. Assim se expressaram alguns dos papas do passado: Papa S\u00e3o Greg\u00f3rio I (590-604): &#8220;Agora a Santa Igreja Universal proclama que apenas dentro dela Deus pode ser realmente adorado, e que fora dela ningu\u00e9m pode ser salvo.&#8221; Papa Inoc\u00eancio III (1198-1216): &#8220;Realmente, existe apenas uma Igreja Universal dos fi\u00e9is, fora da qual ningu\u00e9m \u00e9 salvo. (&#8230;) Cremos com nossos cora\u00e7\u00f5es e confessamos com nossos l\u00e1bios que existe apenas uma Igreja, n\u00e3o a dos hereges, mas a Santa Igreja Cat\u00f3lica e Apost\u00f3lica Romana, fora da qual acreditamos que ningu\u00e9m pode ser salvo.&#8221; Papa Bonif\u00e1cio VIII (1294-1303): &#8220;N\u00f3s declaramos, dizemos, definimos e proclamamos que \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio para a salva\u00e7\u00e3o de toda a criatura humana estar sujeita ao Pont\u00edfice Romano.&#8221; Papa Eug\u00eanio IV (1431-1439): &#8220;A Santa Igreja Romana acredita, professa e prega que todo aquele que permanece fora da Igreja Cat\u00f3lica, n\u00e3o apenas os pag\u00e3os, mas tamb\u00e9m judeus, her\u00e9ticos e cism\u00e1ticos, n\u00e3o tomar\u00e3o parte da vida eterna, mas ir\u00e3o para o fogo perp\u00e9tuo, que foi preparado para o diabo e seus anjos, a n\u00e3o ser que antes da morte eles se unam \u00e0 Igreja. \u00c9 de tal modo importante a uni\u00e3o com o corpo da Igreja, que seus sacramentos s\u00e3o \u00fateis para a salva\u00e7\u00e3o apenas para aqueles que permanecem dentro dela, e jejuns, esmolas e outros trabalhos piedosos, assim como a pr\u00e1tica da guerra crist\u00e3, s\u00f3 proporcionar\u00e3o recompensas eternas a eles t\u00e3o-somente.&#8221; Papa Le\u00e3o X (1512-1517): &#8220;Onde a necessidade de salva\u00e7\u00e3o se referir a todos os fi\u00e9is de Cristo, dever\u00e1 estar sujeita ao Pont\u00edfice Romano, como nos foi ensinado pelas Sagradas Escrituras, pelo testemunho dos santos padres e pela constitui\u00e7\u00e3o do nosso predecessor de feliz mem\u00f3ria, Bonif\u00e1cio VIII.&#8221;<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.msantunes.com.br\/juizo\/odesvirt.htm\">http:\/\/www.msantunes.com.br\/juizo\/odesvirt.htm<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E n\u00e3o pensemos que a Igreja Romana mudou. Recentemente o cardeal Joseph Ratzinger, da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, o novo nome da velha &#8220;Congregatio Propaganda Fide&#8221;, mais conhecida como Inquisi\u00e7\u00e3o, &#8220;causou esc\u00e2ndalo&#8221; por afirmar na declara\u00e7\u00e3o Dominus Iesus, aprovada pelo papa, que &#8220;a Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 o verdadeiro caminho para a salva\u00e7\u00e3o&#8221; (Folha de S. Paulo, de 27\/09\/2000, p. E8). Os mais ing\u00eanuos, que acreditam na sinceridade do di\u00e1logo do Vaticano com as outras religi\u00f5es (ecumenismo), consideraram isso um retrocesso. Nada mais \u00f3bvio para a Igreja Cat\u00f3lica, que jamais abdicar\u00e1 desta posi\u00e7\u00e3o, sob pena de admitir seus erros e reconhecer-se fal\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 por essa raz\u00e3o que a Igreja se julgava no direito de distribuir o perd\u00e3o de pecados atrav\u00e9s da venda das indulg\u00eancias, pela prescri\u00e7\u00e3o de penit\u00eancias e outros atos de contri\u00e7\u00e3o. Foi a Reforma que trouxe \u00e0 luz a verdade da Sola Gratia, ensinada nas Escrituras. Onde a total inabilidade do homem for negada e os pretensos m\u00e9ritos humanos forem cridos, n\u00e3o haver\u00e1 verdade b\u00edblica. O homem nem mesmo pode cooperar com a gra\u00e7a regeneradora do Esp\u00edrito. A salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, em nenhum sentido, obra humana. N\u00e3o s\u00e3o os m\u00e9todos ou t\u00e9cnicas humanas que operam a salva\u00e7\u00e3o, mas t\u00e3o somente a gra\u00e7a regeneradora do Esp\u00edrito. A f\u00e9 n\u00e3o pode ser produzida por uma natureza deca\u00edda e morta. &#8220;Pois n\u00f3s tamb\u00e9m, outrora, \u00e9ramos n\u00e9scios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paix\u00f5es e prazeres, vivendo em mal\u00edcia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Quando, por\u00e9m, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, n\u00e3o por obras de justi\u00e7a praticadas por n\u00f3s, mas segundo sua miseric\u00f3rdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Esp\u00edrito Santo, que ele derramou sobre n\u00f3s ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador&#8221; (Tt 3:3-5)<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"4\">\n<li>Sola Fide \u2013 &#8220;Somente a F\u00e9&#8221;, ou a exclusividade da F\u00e9 como meio de Justifica\u00e7\u00e3o<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Falando da elei\u00e7\u00e3o, Paulo argumenta: E, se \u00e9 pela gra\u00e7a, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 pelas obras; do contr\u00e1rio, a gra\u00e7a j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 gra\u00e7a (Rm 11:6). A gra\u00e7a exclui totalmente as obras. O homem nada pode e nada tem para oferecer a Deus por sua salva\u00e7\u00e3o. A \u00fanica coisa que lhe cabe fazer \u00e9 aceitar o dom da salva\u00e7\u00e3o, pela f\u00e9, quando esta lhe \u00e9 concedida. F\u00e9 na obra suficiente de Cristo, que lhe \u00e9 imputada (creditada em sua conta) gratuitamente. Essa obra consiste na sua vida de perfeita obedi\u00eancia \u00e0 lei de Deus, em lugar do homem, obedi\u00eancia que nem Ad\u00e3o nem qualquer de sua descend\u00eancia p\u00f4de prestar, dada a sua condi\u00e7\u00e3o de morte espiritual. Por isso Cristo \u00e9 chamado de o segundo ou o \u00faltimo Ad\u00e3o (1Co 15:45). Ela consiste tamb\u00e9m, e principalmente, de sua morte sacrificial em lugar do pecador eleito, atrav\u00e9s da qual \u00e9 pago o pre\u00e7o exigido pela justi\u00e7a de Deus para a justifica\u00e7\u00e3o. A justi\u00e7a de Deus exige puni\u00e7\u00e3o do pecado. Ele \u00e9 aquele que &#8220;n\u00e3o inocenta o culpado&#8221; (Ex 34:7). Exige justi\u00e7a perfeita. Para que Deus pudesse punir o pecador, mas ao mesmo tempo declar\u00e1-lo justo (que \u00e9 o significado b\u00edblico de justificar), foi preciso que algu\u00e9m, sem culpa e com m\u00e9ritos divinos, assumisse o seu lugar. Foi o que o pr\u00f3prio Deus fez atrav\u00e9s de Cristo. Assumiu a culpa do pecador eleito e morreu em seu lugar, satisfazendo assim a justi\u00e7a de Deus, ofendida pela pecado. Nada menos do que isso foi suficiente para justificar o pecador. \u00c9 o que se chama na teologia de &#8220;expia\u00e7\u00e3o&#8221;. Desta forma, Paulo p\u00f4de falar em Deus como &#8220;aquele que justifica o \u00edmpio&#8221; (Rm 4:5) e da morte de Cristo como a manifesta\u00e7\u00e3o da sua justi\u00e7a, para que ele pudesse ser justo e o justificador daquele que tem f\u00e9 em Jesus. Diz ele: &#8220;sendo justificados gratuitamente, por sua gra\u00e7a, mediante a reden\u00e7\u00e3o que h\u00e1 em Cristo Jesus, a quem Deus prop\u00f4s, no seu sangue, como propicia\u00e7\u00e3o, mediante a f\u00e9, para manifestar a sua justi\u00e7a, por ter Deus, na sua toler\u00e2ncia, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifesta\u00e7\u00e3o da sua justi\u00e7a no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem f\u00e9 em Jesus&#8221; (Rm 3: 24-26). \u00c9 por isso tamb\u00e9m que os reformadores chamavam o crente de simul justus et peccator \u2013 ao mesmo tempo justo e pecador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta foi a doutrina central da Reforma. Lutero, de in\u00edcio, n\u00e3o podia compreender como a &#8220;justi\u00e7a de Deus se revela no evangelho&#8221; (&#8220;visto que a justi\u00e7a de Deus se revela no evangelho, de f\u00e9 em f\u00e9, como est\u00e1 escrito: O justo viver\u00e1 por f\u00e9&#8221;. Rm 1:17). Para ele, a justi\u00e7a de Deus s\u00f3 poderia condenar o homem, n\u00e3o salv\u00e1-lo. Tal justi\u00e7a n\u00e3o seria &#8220;boas novas&#8221; (evangelho). S\u00f3 quando compreendeu que a justi\u00e7a de que Paulo fala nesse texto n\u00e3o \u00e9 o atributo pelo qual Deus retribui a cada um conforme os seus m\u00e9ritos (o que implicaria em condena\u00e7\u00e3o para o homem), mas o modo como Ele justifica o homem em Cristo, \u00e9 que a luz raiou em seu cora\u00e7\u00e3o e a verdade aflorou em sua mente. Tornou-se, ent\u00e3o, um homem livre, confiante e certo do perd\u00e3o dos seus pecados. Compreendeu o evangelho! O Evangelho \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o dessa justi\u00e7a de Deus, que \u00e9 recebida somente pela f\u00e9. N\u00e3o \u00e9 produzida pelas obras, pois o homem n\u00e3o as tem. (&#8220;Visto que ningu\u00e9m ser\u00e1 justificado diante dele por obras da lei, em raz\u00e3o de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado&#8221;&#8230; &#8220;conclu\u00edmos, pois, que o homem \u00e9 justificado pela f\u00e9, independentemente das obras da lei&#8221; Rm 3:20,28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 pela f\u00e9 que o justo viver\u00e1. Quando Paulo cita esta passagem de Habacuque, ele a usa para ensinar que \u00e9 atrav\u00e9s da f\u00e9, e n\u00e3o das obras, que algu\u00e9m \u00e9 declarado justo em Cristo. Isto est\u00e1 mais claro na outra cita\u00e7\u00e3o em Gl 3:11, quando ele diz: &#8220;E \u00e9 evidente que, pela lei, ningu\u00e9m \u00e9 justificado diante de Deus, porque o justo viver\u00e1 pela f\u00e9&#8221;. Cristo \u00e9 a justi\u00e7a de Deus (&#8220;mas v\u00f3s sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justi\u00e7a, e santifica\u00e7\u00e3o, e reden\u00e7\u00e3o&#8221; \u2013 1Co 1:30) e pela f\u00e9 nele n\u00f3s tamb\u00e9m somos feitos &#8220;justi\u00e7a de Deus&#8221; (&#8220;Aquele que n\u00e3o conheceu pecado, ele o fez pecado por n\u00f3s; para que, nele, f\u00f4ssemos feitos justi\u00e7a de Deus&#8221; (2Co 5:21). A f\u00e9, todavia, \u00e9 apenas o meio, dado pelo pr\u00f3prio Deus, pelo qual essa justi\u00e7a \u00e9 imputada ao pecador, n\u00e3o a sua causa ou motivo. Do contr\u00e1rio, a pr\u00f3pria f\u00e9 seria &#8220;obra humana&#8221;. Per fidem propter Christum \u2013 &#8220;pela f\u00e9, por causa de Cristo&#8221;, como deixou claro a Reforma. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 a base nem a causa merit\u00f3ria da justifica\u00e7\u00e3o, mas o meio pelo qual ela \u00e9 comunicada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Qu\u00e3o longe estava a Igreja dessa verdade simples do Evangelho quando ensinava que o perd\u00e3o podia ser comprado com dinheiro e a salva\u00e7\u00e3o adquirida com o m\u00e9rito dos santos. Tetzel, o vendedor das indulg\u00eancias do Papa Le\u00e3o X na Alemanha, dizia que &#8220;ao som de cada moeda que cai neste cofre, uma alma se desprende do purgat\u00f3rio e voa at\u00e9 o para\u00edso&#8221;, refr\u00e3o que seus ridicularizadores rimaram no que em portugu\u00eas equivaleria a &#8220;no que a moeda na caixa cai, uma alma do purgat\u00f3rio sai&#8221;(&#8220;sobald das Geld im Kasten Klingt, di Seele aus dem fegfeuer springt&#8221;)<br \/>\n(<a href=\"http:\/\/www.infohouse.com.br\/usuarios\/zhilton\/Luteranismo.html\">http:\/\/www.infohouse.com.br\/usuarios\/zhilton\/Luteranismo.html<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas n\u00e3o pensemos que a Igreja Cat\u00f3lica mudou. Ainda agora, neste ano considerado o do Jubileu 2000, o Vaticano criou novas indulg\u00eancias para reduzir ou anular as penas dos pecados. Um &#8220;Manual de Indulg\u00eancia&#8221;, de 115 p\u00e1ginas, apresenta algumas das obras que podem aliviar a puni\u00e7\u00e3o dos pecadores no purgat\u00f3rio, dentre as quais est\u00e3o um dia sem fumar, rezar com o Papa em frente \u00e0 televis\u00e3o, ajudar refugiados, orar mentalmente com surdos-mudos, n\u00e3o comer carne, etc, (cf. artigo &#8220;Igreja Cat\u00f3lica cria novas indulg\u00eancias&#8221;, Folha de S. Paulo de 19\/09\/2000), al\u00e9m das que s\u00e3o permanentemente concedidas como visitar o Vaticano e peregrinar por lugares sagrados. Isto na mesma \u00e9poca em que a Igreja assinou, juntamente com luteranos da Federa\u00e7\u00e3o Luterana Mundial, um acordo em que os dois grupos professam que : &#8221; a salva\u00e7\u00e3o decorre da gra\u00e7a de Deus e n\u00e3o das boas obras; s\u00f3 se chega \u00e0 salva\u00e7\u00e3o pela f\u00e9; e, embora n\u00e3o levem \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, as boas obras s\u00e3o conseq\u00fc\u00eancia natural da f\u00e9&#8221; (cf. artigo &#8220;Cat\u00f3licos e luteranos se reconciliam&#8221;, da mesma edi\u00e7\u00e3o da Folha de S. Paulo, j\u00e1 citada). O acordo n\u00e3o \u00e9 levado a s\u00e9rio pelos que conhecem o catolicismo e o modo como age, e recebeu cr\u00edticas inclusive da parte de igrejas luteranas fi\u00e9is \u00e0 sua origem. \u00c9 visto apenas como uma manobra para promover o ecumenismo e, principalmente, para combater o mercantilismo das igrejas neo-pentecostais, que v\u00eam tirando adeptos das igrejas tradicionais, principalmente do catolicismo, com sua prega\u00e7\u00e3o da &#8220;teologia da prosperidade&#8221; (cf. artigo &#8220;Acordo visa combater \u2018mercantilismo\u2019&#8221;, da referida edi\u00e7\u00e3o da Folha).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00eanfase na doutrina da justifica\u00e7\u00e3o somente pela f\u00e9 \u00e9 t\u00e3o oportuna e necess\u00e1ria agora quanto nos dias de Lutero, e n\u00e3o s\u00f3 porque o catolicismo n\u00e3o mudou, mas porque o protestantismo mudou. S\u00e3o poucos os evang\u00e9licos hoje que ainda d\u00e3o \u00eanfase ao aspecto objetivo da justifica\u00e7\u00e3o unicamente pela f\u00e9. Experi\u00eancias subjetivas, avivamentos emocionais, respostas a apelos e outras pr\u00e1ticas est\u00e3o tomando o lugar da prega\u00e7\u00e3o dos temas chaves da Reforma. As doutrinas do pecado original, da expia\u00e7\u00e3o vic\u00e1ria, da elei\u00e7\u00e3o incondicional e da justifica\u00e7\u00e3o somente pela f\u00e9 est\u00e3o sendo negadas hoje por muitos evang\u00e9licos que buscam uma acomoda\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura da modernidade<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"5\">\n<li>Soli Deo Gloria \u2013 &#8220;A Deus somente, a gl\u00f3ria&#8221;, ou a exclusividade do servi\u00e7o e da adora\u00e7\u00e3o a Deus<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Coroando estes temas que a Reforma nos legou est\u00e1 o da &#8220;gl\u00f3ria somente a Deus&#8221;. Dar gl\u00f3ria somente a Deus significa que ningu\u00e9m, nem homens nem anjos, deve ocupar o lugar que pertence a Ele, no mundo e em nossa vida, porque somente Ele \u00e9 o Senhor. \u00c9 o que exige o 1\u00ba mandamento: &#8220;Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servid\u00e3o. N\u00e3o ter\u00e1s outros deuses diante de mim&#8221; (Ex 20:1-2). A hist\u00f3ria do homem \u00e9 uma hist\u00f3ria de quebra desse mandamento. Depois do pecado, o homem tem constitu\u00eddo deuses para si em lugar do Deus verdadeiro. Geralmente, esse deus \u00e9 ele pr\u00f3prio. Quando decide o que deve ou n\u00e3o crer, o que pode ou n\u00e3o ser verdadeiro, est\u00e1 dizendo que ele \u00e9 o seu pr\u00f3prio deus. Sua raz\u00e3o (distorcida pelo pecado) \u00e9 o seu crit\u00e9rio de verdade. Quando a Igreja se coloca na posi\u00e7\u00e3o de julgar o que deve ou n\u00e3o aceitar da B\u00edblia, e se arvora em sua int\u00e9rprete infal\u00edvel, est\u00e1 assumindo para si o lugar de Deus. Quando ela prega a devo\u00e7\u00e3o a Maria e aos santos (ainda que diga que venera mas n\u00e3o adora), est\u00e1 usurpando a Deus da prerrogativa de sua gl\u00f3ria exclusiva (&#8220;Eu sou o SENHOR, este \u00e9 o meu nome; a minha gl\u00f3ria, pois, n\u00e3o a darei a outrem, nem a minha honra, \u00e0s imagens de escultura&#8221;; Isa 42:8). A doutrina cat\u00f3lica, com sua \u00eanfase nos m\u00e9ritos e obras humanos, rouba a Deus de sua gl\u00f3ria exclusiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A gl\u00f3ria de Deus \u00e9 o fim para o qual Ele criou todas as coisas. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o fim principal do homem (conforme o nosso Breve Catecismo), mas o fim de todas as coisas. \u00c9 o fim do pr\u00f3prio Deus, como cr\u00ea John Piper, porque Ele \u00e9 o bem supremo (cf. Desiring God, Leicester: Inter-varsity Press, 1990, p. 13). Todas as coisas, e isso inclui a salva\u00e7\u00e3o, visam a gl\u00f3ria de Deus, n\u00e3o o bem estar dos homens (Ef 1:6,12,14). Por isso Deus \u00e9 glorificado tamb\u00e9m nos que se perdem. \u00c9 o que chamamos de &#8220;teocentrismo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Michael Horton afirma que Lutero lutou para distinguir sua obra de \u2018reformas\u2019 anteriores. Semelhantes a muitos dos movimentos fren\u00e9ticos de reforma, renova\u00e7\u00e3o e avivamento dos nossos dias, as outras reformas se preocupavam com moralidade, vida da igreja e mudan\u00e7as estruturais, mas Lutero disse: \u2018N\u00f3s visamos a doutrina\u2019. N\u00e3o que fossem sem import\u00e2ncia essas outras \u00e1reas, mas seriam secund\u00e1rias. Contudo, com sua \u2018Revolu\u00e7\u00e3o Copernicana\u2019, nasceu um movimento teoc\u00eantrico que teve enormes efeitos sobre a cultura mais ampla. A orienta\u00e7\u00e3o da vida e do pensamento centrados em Deus come\u00e7ou no culto, em que o enfoque era na a\u00e7\u00e3o de Deus em sua Palavra e sacramento, em vez de estar em deslumbrar e entreter as pessoas com pompa e aparato. Quando os crentes estavam centrados em volta de Deus e sua obra salv\u00edfica em Cristo, seus cultos ajustavam sua vis\u00e3o a outro grau: deixavam de servir como pessoas mundanas para verem-se como pecadores redimidos, cuja vida s\u00f3 poderia ter um prop\u00f3sito: glorificar a Deus e goz\u00e1-lo para sempre&#8221; (Reforma Hoje, S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 1999, p.124).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E foi devido a esse conceito de que vivemos para Deus e de que para ele devemos fazer o melhor que a Reforma contribuiu para uma grande revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 no campo religioso, mas no mundo das artes, da ci\u00eancia e da cultura em geral. Soli Deo Gloria passou a ser o lema n\u00e3o s\u00f3 de reformadores, mas de m\u00fasicos (como Bach), pintores (como Rembrandt) e escritores (como Milton), que apunham \u00e0s suas obras esta expressiva dedicat\u00f3ria ( Ibidem)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta vis\u00e3o teoc\u00eantrica a Reforma encontrou na B\u00edblia. Depois de tratar das doutrinas da salva\u00e7\u00e3o, Paulo declara: &#8220;Porque dele, e por meio dele, e para ele s\u00e3o todas as coisas. A ele, pois, a gl\u00f3ria eternamente. Am\u00e9m!&#8221; (Rm 11:36) e, ao concluir sua ep\u00edstola aos Romanos, louva ao Senhor com estas palavras: &#8220;ao Deus \u00fanico e s\u00e1bio seja dada gl\u00f3ria, por meio de Jesus Cristo, pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos. Am\u00e9m! (16:27). A gl\u00f3ria de Deus tamb\u00e9m foi o tema do c\u00e2ntico dos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anci\u00e3os, e de todas as criaturas que Jo\u00e3o ouviu em suas vis\u00f5es, os quais diziam: &#8220;Digno \u00e9 o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e for\u00e7a, e honra, e gl\u00f3ria, e louvor&#8221; (Ap 5:12) e \u2018&#8221;\u00c0quele que est\u00e1 sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a gl\u00f3ria, e o dom\u00ednio pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos&#8221; (Ap 5:13) e ainda &#8220;Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salva\u00e7\u00e3o&#8230;O louvor, e a gl\u00f3ria, e a sabedoria, e as a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7as, e a honra, e o poder, e a for\u00e7a sejam ao nosso Deus, pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos. Am\u00e9m!&#8221; Ap 7:10-12.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quero concluir citando a esse respeito as palavras de James M. Boice, ex-pastor da 10\u00aa Igreja Presbiteriana da Filad\u00e9lfia, recentemente falecido. Ele diz: Meu argumento \u00e9 que o motivo pelo qual a igreja evang\u00e9lica atual est\u00e1 t\u00e3o fraca e o porqu\u00ea de n\u00e3o experimentarmos renova\u00e7\u00e3o, embora falemos sobre nossa necessidade de renova\u00e7\u00e3o, \u00e9 que a gl\u00f3ria de Deus foi, em grande, parte esquecida pela igreja. N\u00e3o \u00e9 muito prov\u00e1vel vermos avivamento de novo enquanto n\u00e3o recuperarmos as verdades que exaltam e glorificam a Deus na salva\u00e7\u00e3o. Como podemos esperar que Deus se mova entre n\u00f3s, enquanto n\u00e3o pudermos dizer de novo, com verdade: &#8220;S\u00f3 a Deus seja a gl\u00f3ria&#8221;? O mundo n\u00e3o pode dizer isso. Ao contr\u00e1rio, est\u00e1 preocupado com sua pr\u00f3pria gl\u00f3ria. Como Nabucodonozor, ele diz: Veja essa grande Babil\u00f4nia que constru\u00ed pelo meu poder e para minha gl\u00f3ria&#8221; . Os arminianos n\u00e3o podem diz\u00ea-lo. Podem dizer &#8220;a Deus seja a gl\u00f3ria&#8221;, mas n\u00e3o podem dizer &#8220;s\u00f3 a Deus seja a gl\u00f3ria&#8221;, porque a teologia arminiana tira um pouco da gl\u00f3ria de Deus na salva\u00e7\u00e3o e a d\u00e1 para o indiv\u00edduo, que tem a palavra final em dizer se vai ou n\u00e3o ser salvo. Mesmo aquelas pessoas do campo reformado n\u00e3o podem diz\u00ea-lo, se o principal que est\u00e3o tentando fazer nos seus minist\u00e9rios \u00e9 edificar seus pr\u00f3prios reinos e tornar-se importantes no cen\u00e1rio religioso. Nunca vamos experimentar a renova\u00e7\u00e3o na doutrina, no culto e na vida enquanto n\u00e3o pudermos dizer honestamente: &#8220;s\u00f3 a Deus seja a gl\u00f3ria&#8221; (Reforma Hoje, pp. 192-193).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Reforma nos legou esses grandes temas, que s\u00e3o doutrinas preciosas da B\u00edblia. Cabe a n\u00f3s hoje, seus legat\u00e1rios, dizer se somos ou n\u00e3o dignos herdeiros dessa heran\u00e7a e continuadores dessa obra. O que cremos e o que pregamos representa nossa resposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Publicado em O Presbiteriano Conservador nas edi\u00e7\u00f5es de Setembro\/Outubro e Novembro\/Dezembro de 2000)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As Doutrinas da Reforma Reverendo Jo\u00e3o Alves dos Santos \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No dia 31 de Outubro de 1517, na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha, Lutero afixou as suas 95 teses que acabaram provocando o grande movimento religioso, conhecido como a Reforma do S\u00e9culo XVI. Nelas Lutero convidava os interessados a debater a quest\u00e3o das indulg\u00eancias (que eram vendidas para a constru\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica de S. Pedro, em troca de perd\u00e3o de pecados) e os males que esse tr\u00e1fico religioso podia acarretar. Era costume na \u00e9poca afixar em lugares p\u00fablicos temas ou teses para debate e convidar os interessados para discuti-los. Embora ningu\u00e9m tivesse comparecido para o debate, em pouco tempo toda a Alemanha conhecia as teses de Lutero, que lhe custaram a bula de excomunh\u00e3o, mas que representaram tamb\u00e9m o come\u00e7o da obra de purifica\u00e7\u00e3o da Igreja e seu retorno \u00e0 verdade. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em suas teses, Lutero<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Doutrina - IPCB<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/ipcb.org.br\/index\/doutrina\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Doutrina - IPCB\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"As Doutrinas da Reforma Reverendo Jo\u00e3o Alves dos Santos \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No dia 31 de Outubro de 1517, na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha, Lutero afixou as suas 95 teses que acabaram provocando o grande movimento religioso, conhecido como a Reforma do S\u00e9culo XVI. 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