{"id":2682,"date":"2017-06-28T21:48:35","date_gmt":"2017-06-28T21:48:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipcb.org.br\/index\/?p=2682"},"modified":"2023-05-16T00:18:43","modified_gmt":"2023-05-16T00:18:43","slug":"pastoral-2006","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipcb.org.br\/index\/pastoral-2006\/","title":{"rendered":"PASTORAL 2006"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>UMA POSI\u00c7\u00c3O. UM DESAFIO<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">(Pastoral 2006)<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: right;\">Rev. Jos\u00e9 Paulo Brocco<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando o povo de Israel, depois de peregrinar quarenta anos, atravessa o Jord\u00e3o, toma doze pedras. Josu\u00e9 diz \u00e0 na\u00e7\u00e3o a raz\u00e3o desse ato. <em>\u201cQuando, no futuro, vossos filhos perguntarem a seus pais, dizendo: Que significam estas pedras?, fareis saber a vossos filhos, dizendo: Israel passou em seco este Jord\u00e3o. Porque o Senhor, vosso Deus, fez secar as \u00e1guas do Jord\u00e3o diante de v\u00f3s, at\u00e9 que pass\u00e1sseis, como o Senhor, vosso Deus, fez ao mar Vermelho, ao qual secou perante n\u00f3s, at\u00e9 que passamos. Para que todos os povos da terra conhe\u00e7am que a m\u00e3o do Senhor \u00e9 forte, a fim de que temais ao Senhor, vosso Deus, todos os dias.\u201d <\/em>(Js 4.21-24).<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da na\u00e7\u00e3o de Israel adverte-nos que os pais, in\u00fameras vezes, deixaram de transmitir a seus filhos os grandes feitos do Senhor. Talvez os filhos, de gera\u00e7\u00f5es posteriores, olhassem aquelas pedras, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o saberiam o que significavam, e nem os seus pais, pois n\u00e3o haviam tomado conhecimento daquele memorial. Aquelas pedras n\u00e3o estavam ali apenas por estarem, eram um memorial dos grandes feitos do Senhor a favor de Israel.<\/p>\n<p>As gera\u00e7\u00f5es passam e, com elas, a hist\u00f3ria pode ser relembrada ou cair em esquecimento.<\/p>\n<h4><\/h4>\n<h4>RELEMBRANDO UM POUCO DA NOSSA HIST\u00d3RIA<\/h4>\n<p>Sessenta e seis anos s\u00e3o passados desde que os nossos primeiros l\u00edderes tomaram, firmemente, a decis\u00e3o de hastear a bandeira da Igreja Presbiteriana Conservadora, primeiramente em S\u00e3o Paulo, depois, em nosso pa\u00eds. Irm\u00e3os que, movidos pelo princ\u00edpio da fidelidade, zelo e amor \u00e0 Palavra de Deus, firmaram uma posi\u00e7\u00e3o ortodoxa e lan\u00e7aram um desafio \u00e0 novel Igreja que surgia em nossa na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No discurso de instala\u00e7\u00e3o da Igreja Presbiteriana Conservadora de S\u00e3o Paulo, na noite de 11 de fevereiro de 1940, o Dr Flam\u00ednio F\u00e1vero proferiu um discurso, no qual fez a seguinte declara\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Quando a extinta 2\u00aa Igreja Presbiteriana Independente de S. Paulo levantou, na denomina\u00e7\u00e3o de que fazia parte, a quest\u00e3o doutrin\u00e1ria, o fez premida pela necessidade de agir como lhe competia, para exortar e dar o seu testemunho. Cumpriu seu dever. N\u00e3o se arrepende disso, \u00f3 nunca! Voltasse o tempo as suas rodas por dois anos, como o rel\u00f3gio de Acaz voltou 40 minutos, e, mantida a desoladora experi\u00eancia que todas as desilus\u00f5es firmaram, ela faria ainda o que fez.\u201d <\/em><\/p>\n<p>No Manifesto lemos <em>\u201cAssim sendo, queremos que a nossa posi\u00e7\u00e3o no seio do Evangelismo Nacional se caracterize por uma atitude construtiva e de defesa aos princ\u00edpios fundamentais do Cristianismo, tais como entendem a Confiss\u00e3o de F\u00e9 e os Catecismos de Westminster (tradu\u00e7\u00e3o brasileira). Pregando ardorosamente o Evangelho de Cristo aos pecadores, como sendo este Evangelho (a doutrina) o \u00fanico meio de conduzir os homens a Cristo \u2013 o Salvador, cerraremos fileiras em torno da ortodoxia e montaremos guarda, sempre alerta, \u00e0 sua conserva\u00e7\u00e3o integral. Por isso queremos ser chamados presbiterianos conservadores.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Lemos, na primeira pastoral, aprovada na primeira reuni\u00e3o do Presbit\u00e9rio Conservador: <em>\u201cA Igreja Presbiteriana Conservadora tem alguma coisa pr\u00f3pria, espec\u00edfica a realizar, no seio do evangelismo nacional. E h\u00e1 de faz\u00ea-lo, com o m\u00e1ximo rigor, sejam muitos ou poucos os seus membros, muitas ou poucas as suas igrejas locais. Se precisar, para viver, de afrouxar doutrinas, de suplicar lamurienta que os crentes permane\u00e7am em sua grei, ou de tolerar d\u00favidas e titubea\u00e7\u00f5es, abrir\u00e1 m\u00e3o da pr\u00f3pria exist\u00eancia e enrolar\u00e1 a bandeira que ora tremula, vencedora, no alto dos seus torr\u00f5es de ideal e f\u00e9!\u201d<\/em><\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o da Igreja deu-se \u00e0s 20 horas do dia 27 de junho de 1940, no templo da Igreja Presbiteriana Conservadora de S\u00e3o Paulo, depois do culto p\u00fablico dirigido pelo Rev. Bento Ferraz, pastor da referida igreja. Foi lido o seguinte abaixo-assinado, como resolu\u00e7\u00e3o fundamental: \u201cOs abaixo-assinados, ministros do Evangelho, pastores das Igrejas Presbiterianas Conservadoras de S\u00e3o Paulo (capital), Jacar\u00e9zinho (Paran\u00e1), Ja\u00fa, Iacanga, Soturna, Cambar\u00e1, Glic\u00e9rio, Bra\u00fana, Pedra Branca e Lauro Penteado (Estado de S\u00e3o Paulo) e P\u00e1dua Dias (Minas Gerais), e os presb\u00edteros eleitos pelos respectivos conselhos para esta solenidade, reunidos no templo da primeira daquelas corpora\u00e7\u00f5es \u00e0 Rua 13 de Maio, 830, em S\u00e3o Paulo, no dia 27 de junho de 1940, \u00e0s 20 horas, declarando fundada a IGREJA PRESBITERIANA CONSERVADORA DO BRASIL, desde o dia 11 de fevereiro de 1940.\u201d<\/p>\n<p>Em janeiro de 1964, o Presbit\u00e9rio Conservador reuniu-se pela \u00faltima vez e, em janeiro de 1965 seria organizado o S\u00ednodo da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil. \u201c<em>Aos vinte dias de janeiro de 1964, com o encerramento do culto, encerrava-se tamb\u00e9m o Presbit\u00e9rio Conservador. Foram vinte e cinco anos de muitas lutas; e certamente, de muitas vit\u00f3rias. A Igreja manteve-se firme nos princ\u00edpios doutrin\u00e1rios e lutou continuamente na defesa dos prop\u00f3sitos da Plataforma. O Rev. Armando Pinto de Oliveira, um dos fundadores e l\u00edderes do movimento conservador, assim se expressou: &#8220;Pela gra\u00e7a de Deus chega a Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil ao final do seu vig\u00e9simo quinto ano de sua exist\u00eancia. Sua hist\u00f3ria vem sendo marcada por sinais inilud\u00edveis de que a atitude desassombrada de seus 67 her\u00f3icos fundadores, em 11 de fevereiro de 1940 recebeu o selo da aprova\u00e7\u00e3o divina. Conseguiu a Igreja, em sua vida, na capital do Estado de S\u00e3o Paulo, consider\u00e1vel aumento de n\u00fameros de membros, consolidou a sua exist\u00eancia nos quatro estados da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira, a saber: S. Paulo, Minas Gerais, Goi\u00e1s e Paran\u00e1 e assegurou a prepara\u00e7\u00e3o do seu minist\u00e9rio, estabelecendo em sede pr\u00f3pria, no bairro denominado Riacho Grande, na cidade de S. Bernardo do Campo, Estado de S\u00e3o Paulo, o Semin\u00e1rio Presbiteriano Conservador. O seu \u00f3rg\u00e3o de imprensa &#8220;O Presbiteriano Conservador&#8221; vem sendo publicado com relativa regularidade desde 08 de mar\u00e7o de 1940, e tem granjeado simpatia e respeito dentro e fora da P\u00e1tria. Em regozijo pelo seu Jubileu de Prata, se organiza hoje o seu primeiro S\u00ednodo&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Na Pastoral de 1983 lemos: \u201cJamais devemos perder de vista nossa origem. Somos uma igreja que surgiu no seio do evangelismo nacional em fun\u00e7\u00e3o de uma causa: a da ortodoxia. Temos a denomina\u00e7\u00e3o de \u201ccrentes presbiterianos conservadores\u201d. O primeiro adjetivo nos qualifica como membros da grande fam\u00edlia dos que foram redimidos pelo sangue do Senhor Jesus Cristo e a Ele procuram seguir. O segundo nos coloca ao lado daqueles que t\u00eam a F\u00e9 Reformada, que professam o Calvinismo como sistema e modo de interpreta\u00e7\u00e3o das Escrituras Sagradas. O terceiro, por sua vez, identifica a nossa m\u00edstica, a de sermos uma igreja rigorosamente ortodoxa.\u201d<\/p>\n<p>Em 1990 a Igreja completou o cinq\u00fcenten\u00e1rio de sua organiza\u00e7\u00e3o. Nessa oportunidade prestamos um culto em gratid\u00e3o a Deus pela exist\u00eancia da nossa denomina\u00e7\u00e3o. O tema da mensagem, nesse momento hist\u00f3rico, foi <em>\u201c50 Anos Depois: Na Trilha de Nossos Pais.\u201d<\/em> Foi uma mensagem que relembrou a luta dos nossos pais e nos desafiou a permanecermos firmes nos mesmos ideais conservadores que deram origem \u00e0 nossa amada denomina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Pastoral de 2000 destacamos as seguintes palavras de exorta\u00e7\u00e3o e advert\u00eancia quanto a nos mantermos firmes em nossa posi\u00e7\u00e3o b\u00edblica: <em>\u201cEstamos \u00e0s portas do S\u00e9culo XXI e a Igreja de Cristo, por toda a face da terra, vem sofrendo grande press\u00e3o para que inova\u00e7\u00f5es sejam introduzidas. Algu\u00e9m j\u00e1 disse que nos anos passados a pr\u00e1tica da Igreja Reformada era praticamente uniforme em todas as partes do mundo, o que infelizmente j\u00e1 n\u00e3o se tem observado mais. Em nosso pa\u00eds, era poss\u00edvel identificar uma igreja por sua teologia, pr\u00e1tica, liturgia, etc.. Hoje, as igrejas t\u00eam se tornado cada vez mais iguais e isto n\u00e3o tem acontecido como fruto de amadurecimento ou avivamento, mas por imita\u00e7\u00e3o daquilo que grupos religiosos modernos t\u00eam praticado e que supostamente tem trazido a eles sucesso. Temos visto igrejas perdendo sua identidade na busca deste falso sucesso. A Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil n\u00e3o pode se deixar levar por esses modismos, n\u00e3o pode ceder \u00e0s press\u00f5es. \u00c9 preciso manter seus marcos antigos bem firmados, mesmo diante de tantas press\u00f5es, sejam elas externas ou at\u00e9 mesmo internas. J\u00e1 temos tantas igrejas iguais, por que ter\u00edamos mais uma? Como diz nossa \u00faltima pastoral, o momento n\u00e3o \u00e9 de cavar novos po\u00e7os \u00e0 procura de \u00e1gua nova, mas \u00e9 tempo de tirarmos os entulhos dos antigos e bebermos da antiga \u00e1gua.\u201d<\/em><\/p>\n<h4><\/h4>\n<h4>UMA POSI\u00c7\u00c3O<\/h4>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o que os fundadores da nossa Igreja tomaram foi a de conservarem-se fi\u00e9is \u00e0 Palavra de Deus, a despeito de todas as investidas para abrirem m\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o b\u00edblica. A decis\u00e3o de se desligarem da Igreja Independente n\u00e3o foi tomada sem profunda reflex\u00e3o e exaustivas reuni\u00f5es para se tentar resolver a quest\u00e3o doutrin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Naquela ocasi\u00e3o o debate foi de natureza doutrin\u00e1ria. Hoje, n\u00e3o \u00e9 apenas doutrina, mas tamb\u00e9m liturgia e pr\u00e1ticas que s\u00e3o opostas totalmente aos sagrados ensinamentos da Palavra de Deus. Louvamos ao Senhor, pois Ele nos tem dado oportunidades para realizarmos nossos encontros de l\u00edderes, quando estudamos e debatemos v\u00e1rios temas e, depois, firmamos nossa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de n\u00e3o abrirmos m\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o dos nossos pais, precisamos, hoje, tamb\u00e9m estar atentos, pois as investidas e as press\u00f5es que sofremos, por causa das influ\u00eancias dos modismos, sejam eles teol\u00f3gicos, lit\u00fargicos ou de pr\u00e1ticas contr\u00e1rias aos ensinamentos divinos s\u00e3o constantes e, muitas vezes, dif\u00edceis de serem vencidos.<\/p>\n<p>Como nos mantermos firmes em nossa posi\u00e7\u00e3o b\u00edblica? Eis algumas sugest\u00f5es:<\/p>\n<ol>\n<li>Unidade Doutrin\u00e1ria<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u201c<em>Se algu\u00e9m ensina outra doutrina e n\u00e3o concorda com as s\u00e3s palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, \u00e9 enfatuado, nada entende, mas tem mania por quest\u00f5es e contendas de palavras, de que nascem inveja, provoca\u00e7\u00e3o, difama\u00e7\u00f5es, suspeitas malignas, alterca\u00e7\u00f5es sem fim, por homens cuja mente \u00e9 pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade \u00e9 fonte de lucro.\u201d <\/em>(1Tm 6.3-5)<\/p>\n<p>O primeiro conc\u00edlio da Igreja neotestament\u00e1ria ocorreu devido ao surgimento de um problema de doutrina. Apesar de ter havido um intenso debate, os l\u00edderes da Igreja, naquela oportunidade, chegaram a um s\u00f3 parecer.<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante n\u00e3o nos esquecermos do valor da unidade doutrin\u00e1ria. Foi ela que moveu nossos primeiros l\u00edderes a batalharem firmemente <em>\u201cpela f\u00e9 de uma vez por todas confiada aos santos.\u201d <\/em>(Jd 3 NVI).<\/p>\n<p>Hoje, n\u00e3o s\u00e3o poucos os problemas doutrin\u00e1rios que temos de enfrentar. O liberalismo teol\u00f3gico tenta tirar a autoridade das Escrituras Sagradas como Palavra de Deus. Em raz\u00e3o da sua influ\u00eancia, doutrinas como a inspira\u00e7\u00e3o e infalibilidade das Escrituras Sagradas s\u00e3o negadas.<\/p>\n<p>Os nossos encontros de l\u00edderes t\u00eam nos possibilitado a oportunidade para estudar e firmarmos posi\u00e7\u00e3o sobre temas, como a legitimidade da celebra\u00e7\u00e3o de casamentos mistos, minist\u00e9rio eficaz e a necessidade de um ensino programado na igreja, sobre a quest\u00e3o dos que morrem na inf\u00e2ncia, como e quando receber novos membros, voca\u00e7\u00e3o ministerial, prioridades no minist\u00e9rio, liturgia. Em nosso \u00faltimo encontro tratamos sobre homil\u00e9tica. N\u00e3o temos tido, pela gra\u00e7a de Deus, a necessidade de debatermos temas doutrin\u00e1rios e, isso, pela forma\u00e7\u00e3o b\u00edblico-teol\u00f3gica que recebemos em nosso Semin\u00e1rio. Esperamos, confiantemente em Deus, que n\u00e3o haja tal necessidade em nosso meio, todavia, se porventura houver, que o nosso esp\u00edrito seja o mesmo que houve em nossos irm\u00e3os por ocasi\u00e3o do primeiro conc\u00edlio da Igreja, em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Cremos que esses encontros t\u00eam sido de grande valia para todos quantos deles participaram, pois n\u00e3o apenas tem a oportunidade de uma atualiza\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m, desfrutar da companhia e confraterniza\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Fidelidade ministerial<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>\u201cOra, al\u00e9m disso, o que se requer dos despenseiros \u00e9 que cada um deles seja encontrado fiel.\u201d<\/em> (1Co 4.2).<\/p>\n<p>\u00c9 preciso haver fidelidade ministerial na prega\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, na celebra\u00e7\u00e3o da Ceia do Senhor e no exerc\u00edcio fiel da disciplina. Todos n\u00f3s, oficiais e membros, fazemos nossos votos e compromissos com Deus e, \u00e0s vezes, nos esquecemos dos mesmos. Fazemos votos que implicam em fidelidade, tais como, por ocasi\u00e3o da formatura no curso de bacharel em teologia, quando dizemos <em>\u201ccomprometo-me a ser um servo fiel da Palavra de Deus e a prosseguir no estudo da mesma e nos estudos teol\u00f3gicos e a depor aos p\u00e9s de Jesus Cristo, meu Deus e meu Salvador, e ao servi\u00e7o da Sua Igreja, todas as conquistas do saber que me forem concedidas pela munific\u00eancia divina.\u201d<\/em>; ou, quando, somos investidos na qualidade de presb\u00edteros docente ou regente, nos comprometemos a ser fi\u00e9is no exerc\u00edcio do of\u00edcio e das fun\u00e7\u00f5es e, <em>\u201cse no exerc\u00edcio de minhas fun\u00e7\u00f5es vier a ter d\u00favidas quanto \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o da B\u00edblia na sua integridade e aos s\u00edmbolos doutrinais desta Igreja, ou aos seus princ\u00edpios e pr\u00e1ticas, deixarei espontaneamente o meu cargo.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Al\u00e9m da nossa fidelidade \u00e0 Palavra de Deus, tamb\u00e9m precisamos ser f\u00e9is uns para com os outros. N\u00e3o deve haver em n\u00f3s nada que nos separe uns dos outros, do nosso objetivo, que \u00e9 o de continuar a obra da nossa Igreja, iniciada h\u00e1 66 anos. Diferen\u00e7as existem e s\u00e3o necess\u00e1rias; diverg\u00eancias, \u00e0s vezes, tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rias. Todavia, nem diferen\u00e7as nem diverg\u00eancias devem quebrar a fidelidade que deve existir entre todos n\u00f3s. Paulo e Barnab\u00e9 tiveram diverg\u00eancias por causa de Marcos. Paulo e Pedro tiveram um grande desentendimento. Todavia, n\u00e3o ficou nenhuma raiz de amargura e, sim, um amor crist\u00e3o. Paulo reconhece que Marcos era \u00fatil para o minist\u00e9rio (2Tm 4.11) e Pedro chama Paulo de <em>\u201co nosso amado irm\u00e3o\u201d <\/em>(2Pe 3.15). Jamais podemos nos esquecer que estamos <em>\u201clutando juntos pela f\u00e9 evang\u00e9lica.\u201d<\/em> (Fl 1.27)<\/p>\n<p>A fidelidade de uns para com os outros nos leva a agradecer a Deus pela vida daqueles amados irm\u00e3os que j\u00e1 partiram para estar com Deus, daqueles que hoje desfrutam da merecida jubila\u00e7\u00e3o, os quais batalharam firmemente pelo crescimento e firmeza doutrin\u00e1ria, dentro das condi\u00e7\u00f5es e possibilidades que lhes foram dadas, e tamb\u00e9m por n\u00f3s que, hoje, estamos batalhando <em>\u201cpela f\u00e9 uma vez todas entregue aos santos.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Amados, o companheirismo entre n\u00f3s \u00e9 fundamental para levarmos avante o estandarte da nossa Igreja.<\/p>\n<h4><\/h4>\n<h4>UM DESAFIO<\/h4>\n<p>O Manifesto encerrou com essas palavras <em>\u201cN\u00e3o \u00e9 nosso prop\u00f3sito provocar ades\u00f5es. Nossa aspira\u00e7\u00e3o limita-se a encontrar, para n\u00f3s, um lugar em que possamos ser \u00fateis \u00e0 causa de Cristo no Brasil, sem sacrif\u00edcio de nossa tranq\u00fcilidade espiritual e sem transigir quanto aos princ\u00edpios que norteiam nossa posi\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria. Nosso n\u00famero \u00e9 limitad\u00edssimo. Contentar-nos-emos, apesar disso, com o crescimento paulatino que corresponder aos frutos da nossa prega\u00e7\u00e3o. Se for do agrado de nosso Pai Celestial que assim fiquemos, limitados ao nosso n\u00famero atual e \u00e0 mod\u00e9stia dos nossos recursos de toda ordem, assim ficaremos, felizes e tranq\u00fcilos, aguardando o raiar do \u201cNovo Dia\u201d. Se, porem, ades\u00f5es aparecerem de pessoas sinceramente desejosas de caminhar conosco nesta jornada, n\u00f3s as receberemos jubilosos e incluiremos os nomes dos novos companheiros no rol desta Igreja local, at\u00e9 que o n\u00famero e a natureza das ades\u00f5es autorizem a cria\u00e7\u00e3o do Presbit\u00e9rio Conservador.\u201d<\/em><\/p>\n<p>A primeira pastoral enfatizou bem o desafio quanto ao crescimento num\u00e9rico da nova Igreja. <em>\u201cIde, pois, e fazei disc\u00edpulos&#8230; A vossa atividade, irm\u00e3os queridos, deve caracterizar-se por um vivo esp\u00edrito mission\u00e1rio. A Igreja Conservadora quer ser pujante e forte, nos alicerces de sua ortodoxia inabal\u00e1vel. Para esse <strong>desideratum<\/strong> ser atingido, fugi ao mal do proselitismo. Crescer pela admiss\u00e3o de membros de outras denomina\u00e7\u00f5es, obtidos pela propaganda dos nossos princ\u00edpios, n\u00e3o nos satisfaz inteiramente. \u00c9 o que em Hist\u00f3ria Natural se chama de crescimento por aposi\u00e7\u00e3o, de fora para dentro. O que deveis aspirar \u00e9 o crescimento de dentro para fora, ou seja, por intussuscep\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 dos seres vivos, enquanto que aquele \u00e9 dos minerais. A igreja Conservadora surgiu para ser uma Igreja viva. Para isso s\u00e3o necess\u00e1rias\u00a0 convers\u00f5es de elementos estranhos ao meio evang\u00e9lico, tocados pela gra\u00e7a de Deus, mediante a instrumentalidade do trabalho mission\u00e1rio.\u201d<\/em> Essas palavras mostram claramente que a Igreja, desde o seu come\u00e7o, sempre teve o desejo de crescimento. Crescemos, naquela \u00e9poca, por ades\u00e3o; mas crescemos tamb\u00e9m atrav\u00e9s da evangeliza\u00e7\u00e3o. O empenho dos nossos primeiros l\u00edderes foi para que a Igreja crescesse por meio da prega\u00e7\u00e3o fiel das Escrituras.<\/p>\n<p>O desafio do crescimento num\u00e9rico continua. N\u00e3o vamos estabelecer n\u00fameros; todavia, se nos envolvermos mais ainda na obra da evangeliza\u00e7\u00e3o, continuarmos fi\u00e9is aos princ\u00edpios e pr\u00e1ticas b\u00edblicas, mantendo-nos unidos na doutrina e na fidelidade ministerial, se pregarmos firme e ousadamente <em>\u201ctodo o des\u00edgnio de Deus\u201d<\/em> (At 20.27), certamente que Deus nos dar\u00e1 o crescimento. N\u00e3o queremos mega igrejas, mas tamb\u00e9m n\u00e3o podemos nos contentar com igrejas pequenas. Temos todos os recursos necess\u00e1rios para expandir, recursos que Deus, na Sua gra\u00e7a e provid\u00eancia, nos tem dado durante toda a nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Erramos, ao pensar que a Igreja Conservadora n\u00e3o tinha vis\u00e3o e ardor pela evangeliza\u00e7\u00e3o, pela obra mission\u00e1ria. No in\u00edcio de sua hist\u00f3ria, v\u00e1rias igrejas foram organizadas fruto do trabalho evangel\u00edstico das igrejas locais.<\/p>\n<p>Amados, temos diante de n\u00f3s um desafio: ir e pregar o evangelho a toda criatura. Nunca foi f\u00e1cil pregar a Palavra de Deus. N\u00e3o devemos nos amoldar \u00e0 esta gera\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o devemos nos intimidar diante das dificuldades. A nossa ora\u00e7\u00e3o deve ser a mesma dos nossos irm\u00e3os que, quando impedidos de pregar as boas novas do evangelho, oraram assim: <em>\u201cAgora, Senhor, olha para as suas amea\u00e7as e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra.\u201d <\/em>(At 4.29).<\/p>\n<h3>CONCLUS\u00c3O<\/h3>\n<p>A batalha pela defesa das doutrinas b\u00edblicas continua. Os falsos mestres est\u00e3o por todos os lados, expondo suas heresias. J. I. Packer, em seu livro A Redescoberta da Santidade, diz: <em>\u201cAs tr\u00eas grandes mentiras de nossa cultura s\u00e3o: 1) que a auto-satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 o grande alvo da vida; 2) que \u00e9 ruim para voc\u00ea bloquear os seus fortes desejos; 3) que \u00e9 aceit\u00e1vel qualquer comportamento com o qual voc\u00ea se sente confort\u00e1vel.\u201d<\/em> (pg 224).<\/p>\n<p>John Benton, em seu livro Crist\u00e3os em uma Sociedade de Consumo, escreveu: <em>\u201cSomos paradoxalmente contra a sociedade, para o bem da sociedade.\u201d <\/em>(pg 43)<\/p>\n<p>Como, ent\u00e3o, enfrentarmos as mentiras do nosso s\u00e9culo? Da mesma forma que nossos l\u00edderes enfrentaram a <em>quest\u00e3o doutrin\u00e1ria<\/em>. Abrindo m\u00e3o de tudo quanto compromete a nossa fidelidade a Deus para n\u00e3o abrirmos m\u00e3o dos princ\u00edpios das Escrituras Sagradas.<\/p>\n<p><em>\u201cQuando, no futuro, vossos filhos perguntarem a seus pais, dizendo: Que significam estas pedras? Fareis saber a vossos filhos, dizendo: Israel passou em seco este Jord\u00e3o. Porque o Senhor, vosso Deus, fez secar as \u00e1guas do Jord\u00e3o diante de v\u00f3s, at\u00e9 que pass\u00e1sseis, como o Senhor, vosso Deus, fez ao Mar Vermelho, ao qual secou perante n\u00f3s, at\u00e9 que passemos. Para que todos os povos da terra conhe\u00e7am que a m\u00e3o do Senhor \u00e9 forte, a fim de que temais ao Senhor, vosso Deus, todos os dias.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Amados, 66 anos s\u00e3o passados. Se nos perguntarem \u201cpor que somos presbiterianos conservadores?\u201d Respondamos, com firmeza e alegria: Somos um ramo leg\u00edtimo da Igreja de Cristo, temos nossos s\u00edmbolos de f\u00e9. Cremos e aceitamos as doutrinas contidas no Credo Apost\u00f3lico, na inspira\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus na sua integridade como \u00fanica regra de f\u00e9 e pr\u00e1tica, na Divindade de Jesus, na salva\u00e7\u00e3o s\u00f3 por meio de Cristo, na imortalidade da alma, no castigo eterno dos \u00edmpios; e, al\u00e9m desses princ\u00edpios doutrin\u00e1rios, na prega\u00e7\u00e3o fiel da Palavra de Deus, na celebra\u00e7\u00e3o permanente das ordenan\u00e7as crist\u00e3s e num padr\u00e3o de vida moral mantido pelo exerc\u00edcio da disciplina b\u00edblica. (C.Ordem Art. 6\u00ba)<\/p>\n<p>Temos, portanto, uma posi\u00e7\u00e3o e um desafio. Cabe-nos o privil\u00e9gio de continuarmos batalhando <em>\u201cpela f\u00e9 de uma vez por todas entregue aos santos.\u201d <\/em><\/p>\n<p>Assim Deus nos ajude.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA POSI\u00c7\u00c3O. UM DESAFIO (Pastoral 2006) Rev. Jos\u00e9 Paulo Brocco &nbsp; Quando o povo de Israel, depois de peregrinar quarenta anos, atravessa o Jord\u00e3o, toma doze pedras. Josu\u00e9 diz \u00e0 na\u00e7\u00e3o a raz\u00e3o desse ato. \u201cQuando, no futuro, vossos filhos perguntarem a seus pais, dizendo: Que significam estas pedras?, fareis saber a vossos filhos, dizendo: Israel passou em seco este Jord\u00e3o. Porque o Senhor, vosso Deus, fez secar as \u00e1guas do Jord\u00e3o diante de v\u00f3s, at\u00e9 que pass\u00e1sseis, como o Senhor, vosso Deus, fez ao mar Vermelho, ao qual secou perante n\u00f3s, at\u00e9 que passamos. Para que todos os povos da terra conhe\u00e7am que a m\u00e3o do Senhor \u00e9 forte, a fim de que temais ao Senhor, vosso Deus, todos os dias.\u201d (Js 4.21-24). A hist\u00f3ria da na\u00e7\u00e3o de Israel adverte-nos que os pais, in\u00fameras vezes, deixaram de transmitir a seus filhos os grandes feitos do Senhor. 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