{"id":4414,"date":"2019-10-30T13:14:45","date_gmt":"2019-10-30T13:14:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ipcb.org.br\/index\/?p=4414"},"modified":"2023-07-03T18:37:32","modified_gmt":"2023-07-03T18:37:32","slug":"sera-que-na-relacao-intratrinitaria-teriamos-exemplos-para-uma-boa-convivencia-entre-os-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipcb.org.br\/index\/sera-que-na-relacao-intratrinitaria-teriamos-exemplos-para-uma-boa-convivencia-entre-os-homens\/","title":{"rendered":"<strong>Ser\u00e1 que na rela\u00e7\u00e3o intratrinit\u00e1ria ter\u00edamos exemplos para uma boa conviv\u00eancia entre os homens?<\/strong>"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Como devo pensar pol\u00edtica? Como devo pensar a rela\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia? E quanto ao meu trabalho? A preocupa\u00e7\u00e3o da filosofia pol\u00edtica consiste nis-to: como nossa sociedade \u00e9 organizada? Ela tem funcionado? Qual o crit\u00e9rio para avaliarmos se funciona bem ou n\u00e3o? A liberdade individual \u00e9 algo inegoci-\u00e1vel em uma sociedade, no entanto, creio que esta liberdade para ser vivida de forma respons\u00e1vel deve estar subordinada a mecanismos que delimitem o uso devido desta liberdade, para que n\u00e3o ponha barreiras na liberdade dos outros. Todavia, \u00e9 \u00f3bvio que quando falo de liberdade parto do pressuposto que esta liberdade tem que vir de algum lugar, ou seja, o conceito de liberdade que advogo \u00e9 uma liberdade que esteja submissa \u00e0 Lei de Deus. E, por ser assim, o objetivo deste trabalho \u00e9 ver se temos na rela\u00e7\u00e3o que h\u00e1 entre as Pessoas da Sant\u00edssima Trindade, algo que seja luz para nossa rela\u00e7\u00e3o em socie-dade, fam\u00edlia e igreja. Penso que se faz necess\u00e1rio passarmos aos conceitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um conceito interessant\u00edssimo que precisa ser esclarecido: peric\u00f3resis. O doutor em Teologia pela Pontif\u00edcia Universidade Gregoriana de Ro-ma, Luiz Carlos Susin, diz que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O te\u00f3logo grego Jo\u00e3o Damasceno, em seu escrito sobre a Verdadeira F\u00e9, teria tomado a palavra peric\u00f3resis, que se pode atualizar por pericore-se, de uma dan\u00e7a pr\u00f3pria das crian\u00e7as em momento de brincadeiras. A palavra grega se comp\u00f5e de tr\u00eas radicais: Peri quer dizer \u201cao redor\u201d, como periferia ou per\u00edmetro. A palavra: coram, de onde prov\u00e9m o meio de pericorese, significa \u201cestar de frente\u201d ou \u201cem face de\u201d como o coro de cantores que fica de frente para a plateia. E, finalmente, a ultima parte- esis- significa \u201cdecorr\u00eancia. Algo que jorra de uma fonte. 1<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo pericorese, embora pare\u00e7a sem sentido para n\u00f3s, tem dentro da Teologia Trinit\u00e1ria um significado de extrema relev\u00e2ncia, pois expressa a rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua das pessoas da Bendita Trindade. A ideia de pericorese, como j\u00e1 foi citada, vem de uma brincadeira de roda, e nesta brincadeira, uma cri-an\u00e7a se posicionava no centro e as outras dan\u00e7avam ao seu redor, s\u00f3 que, aquela que estava no meio, n\u00e3o era exclu\u00edda da brincadeira, pelo contr\u00e1rio inte-ragia com as outras crian\u00e7as, ent\u00e3o por escolha ou verso recitado, a que estava no centro trocava de lugar com outra crian\u00e7a, e aquela que estava no centro ia para a roda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Dr. Heber Carlos Campos diz o seguinte:<br \/>\nPara ilustrar essa \u201cdan\u00e7a\u201d, O Pai Criador, o Filho-Verbo e o Esp\u00edrito Sustentador est\u00e3o envolvidos igualmente na obra da cria\u00e7\u00e3o; todas as tr\u00eas pessoas, que compartilham eternamente a ess\u00eancia da divindade, conquanto distintas e possuindo alguns atributos distintivos ou mais enf\u00e1ticos, elas par-ticipam igualmente (n\u00e3o quantitativamente) em todas as opera ad extra, exceto a obra da encarna\u00e7\u00e3o, que pertence unicamente a Segunda Pessoa da Trindade.2<br \/>\nPericorese trata de comunh\u00e3o entre as Pessoas da Sant\u00edssima Trindade, de um movimento de amor e gra\u00e7a para com toda a cria\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes uma Pessoa da Sant\u00edssima Trindade, pode parecer estar em mais evid\u00eancia do que as Outras, mas isto n\u00e3o anula o fato de que cada obra tem a participa\u00e7\u00e3o em cada ato opera ad extra de cada Pessoa da Sant\u00edssima Trindade.<br \/>\nA pericorese nos faz entender que, quando Deus age, n\u00e3o \u00e9 Uma ou Duas Pessoas que est\u00e3o agindo, mas todas as Tr\u00eas Subsist\u00eancias da Bendita M\u00f4nada.3<br \/>\nDito isto, cabe aqui uma pergunta:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00c1 RELA\u00c7\u00c3O ENTRE A PERICORESE E A CRIA\u00c7\u00c3O?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que sim!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o Senhor Deus nos criou estabeleceu uma alian\u00e7a da cria\u00e7\u00e3o, nesta alian\u00e7a Ele deu tr\u00eas mandatos ao homem: Mandato Espiritual, Cultu-ral e Social. Os mandatos que dizem respeito \u00e0 quest\u00e3o da conviv\u00eancia humana s\u00e3o o cultural e social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 interessante come\u00e7armos a nossa an\u00e1lise pela fam\u00edlia, pois \u00e9 a c\u00e9lula mater da sociedade. Como vimos, as Tr\u00eas benditas Subsist\u00eancias vivem em harmonia, em cada obra feita, n\u00e3o h\u00e1 manifesta\u00e7\u00e3o ego\u00edsta e sim uma manifesta\u00e7\u00e3o amorosa, de sorte, que cada obra que Um faz, os outros partici-pam, com isto n\u00e3o queremos dizer que n\u00e3o haja distin\u00e7\u00e3o formal nas obras de cada UM, ou seja, \u201cTrindade econ\u00f4mica\u201d. Sobre isto, o Dr. Heber Carlos Campos diz o seguinte:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra economia diz respeito ao modo como as coisas s\u00e3o feitas pelas pessoas da Trindade. Embora as tr\u00eas pessoas co-essenciais trabalhem como uma unidade, elas possuem um modus operandi que \u00e9 pr\u00f3prio e exclusivo de cada uma. Todas essas obras t\u00eam a ver com a rela\u00e7\u00e3o que as pessoas possuem com o mundo criado, seja na esfera da cria\u00e7\u00e3o, provid\u00eancia ou reden\u00e7\u00e3o. O Pai sempre age atrav\u00e9s do Filho e do Esp\u00edrito. Dessa forma, o Pai \u00e9 a fonte de atividade, que opera dentro de si mesmo e por si mesmo. O Filho \u00e9 o meio pelo qual o Pai trabalha, que opera n\u00e3o por si mesmo, mas faz todas as coisas a mandado do Pai, e o Esp\u00edrito \u00e9 o limite de atividade, que opera n\u00e3o de si pr\u00f3prio, mas faz o que \u00e9 do Pai e do Filho.4<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O modelo para uma fam\u00edlia viver em paz \u00e9 o modelo que existe na Trindade: Amor, comunh\u00e3o, respeito. Por isso a a\u00e7\u00e3o pericor\u00e9tica que \u00e9 vista na Sant\u00edssima Trindade tem muito a nos ensinar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Deus criou o homem, o Senhor estabeleceu os mandatos, de forma bem sucinta, ter\u00edamos as seguintes defini\u00e7\u00f5es: O mandato espiritu-al envolve um relacionamento com o Deus; o mandato social consistia em Ad\u00e3o se casar com a mulher que Deus lhe tinha dado e gerar filhos para que po-voasse a terra; O mandato cultural consistia em Ad\u00e3o trabalhar e desenvolver a terra. Neste mandato reside a ideia do estudo, do trabalho, do desenvol-vimento tecnol\u00f3gico. Ao homem foi dada a fun\u00e7\u00e3o de dominar a terra. Por\u00e9m, essa domina\u00e7\u00e3o deveria ser amorosa, n\u00e3o destrutiva, o homem est\u00e1 preso ao seu meio ambiente, destru\u00ed-lo, significa destruir a si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Escrituras nos falam do pecado, com a entrada do mesmo houve a vandaliza\u00e7\u00e3o do shalom. Ou seja, do equil\u00edbrio que havia. O amor e a co-munh\u00e3o, caracter\u00edsticas da Trindade, deveriam ser tomados como modelo pelo o homem no trato para com a sua mulher e a cria\u00e7\u00e3o, mas, por causa do pecado, isto se tornou imposs\u00edvel. O pecado entrou no Jardim, corrompendo o perfeito relacionamento do homem com sua mulher. Relacionamento que piorou ainda mais fora do \u00c9den. Houve desequil\u00edbrio na natureza; houve a morte. Ent\u00e3o, verificamos que por tr\u00e1s de todo desequil\u00edbrio na sociedade reside o pecado. O mandato Cultural visava o dom\u00ednio da terra, mas este dom\u00ednio seria para benef\u00edcio de todos, dom\u00ednio que proporcionaria sociedade justa, ri-quezas para todos e n\u00e3o para poucos, mas por causa da avareza, do pecado social, que fornece estrutura para a opress\u00e3o, isto n\u00e3o \u00e9 realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejam a triste realidade disto no texto de Ezequiel 22. 9-12 no qual lemos:<br \/>\nHomens caluniadores se acham no meio de ti, para derramarem sangue; no meio de ti, comem carne sacrificada nos montes e cometem perver-sidade. No teu meio, descobrem a vergonha de seu pai e abusam da mulher no prazo da sua menstrua\u00e7\u00e3o. Um comete abomina\u00e7\u00e3o com a mulher do seu pr\u00f3ximo, outro contamina torpemente a sua nora, e outro humilha no meio de ti a sua irm\u00e3, filha de seu pai. No meio de ti, aceitam subornos para se der-ramar sangue; usura e lucros tomaste, extorquindo-o; exploraste o teu pr\u00f3ximo com extors\u00e3o; mas de mim te esqueceste, diz o SENHOR Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas acusa\u00e7\u00f5es que o Senhor Deus fez denunciava a vandaliza\u00e7\u00e3o do shalom e a fonte que proporcionou tal quebra dos princ\u00edpios do mandato social e cultural. Vejam:<br \/>\na. Homens caluniadores<br \/>\nb. Que derramavam sangue<br \/>\nc. Comiam carne sacrificada nos montes<br \/>\nd. Cometiam perversidade<br \/>\ne. Descobriam a vergonha de seu pai e, abusavam da mulher no prazo da sua menstrua\u00e7\u00e3o<br \/>\nf. Cometiam abomina\u00e7\u00e3o com a mulher do seu pr\u00f3ximo<br \/>\ng. Outro contamina torpemente a sua nora<br \/>\nh. Outro humilha no meio de ti a sua irm\u00e3, filha de seu pai<br \/>\ni. No meio de ti, aceitam subornos para se derramar sangue<br \/>\nj. Usura e lucros tomaste, extorquindo-o; exploraste o teu pr\u00f3ximo com extors\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejam o parecer do Senhor a respeito de tais atitudes: de mim te esqueceste, diz o SENHOR Deus. Estas pr\u00e1ticas constitu\u00edam em pecado, ou se-ja, quebra dos princ\u00edpios que visavam uma boa conviv\u00eancia dos homens, estes princ\u00edpios naturalmente vindos da parte de Deus refletem \u00e0quilo que Deus considera bom, e logicamente, Deus por ser santo n\u00e3o pode aprovar uma coisa e vivenciar outra. Ou seja, aquilo que Deus determinou nos mandatos como conduta moral para fam\u00edlia e sociedade \u00e9 justamente sua revela\u00e7\u00e3o de como os seres devem se relacionar, exemplificando de forma pratica sua pericorese para com as criaturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Escrituras falam que Deus como Criador e Dono de tudo que h\u00e1 odeia toda forma de injusti\u00e7a, mis\u00e9ria e pobreza, porque isto vai de encontro ao que Ele experimenta em sua rela\u00e7\u00e3o pericor\u00e9tica.<br \/>\nSer\u00e1 que o Senhor fica inerte diante de todo o mal que acontece na cria\u00e7\u00e3o? Ser\u00e1 que nosso Deus s\u00f3 e transcendente? Ou tamb\u00e9m \u00e9 imanente? Certamente tamb\u00e9m \u00e9 imanente. O Senhor se relaciona com seu povo e atrav\u00e9s das suas atitudes, temos compreens\u00e3o daquilo que devemos fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O CAR\u00c1TER LIBERT\u00c1RIO DO SENHOR<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os atos pelos quais o Senhor se d\u00e1 a conhecer, sua identifica\u00e7\u00e3o com a justi\u00e7a e puni\u00e7\u00e3o aos injustos se manifestam claramente nas Sagra-das Escrituras. Na narrativa que encontramos em \u00caxodo 3. 1-22 percebemos de forma clara a manifesta\u00e7\u00e3o de sua gra\u00e7a, justi\u00e7a e puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis o texto:<br \/>\nApascentava Mois\u00e9s o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Midi\u00e3; e, levando o rebanho para o lado ocidental do deserto, chegou ao monte de Deus, a Horebe. 2 Apareceu-lhe o Anjo do SENHOR numa chama de fogo, no meio de uma sar\u00e7a; Mois\u00e9s olhou, e eis que a sar\u00e7a ardia no fogo e a sar\u00e7a n\u00e3o se consumia. 3 Ent\u00e3o, disse consigo mesmo: Irei para l\u00e1 e verei essa grande maravilha; por que a sar\u00e7a n\u00e3o se queima? 4 Vendo o SENHOR que ele se voltava para ver, Deus, do meio da sar\u00e7a, o chamou e disse: Mois\u00e9s! Mois\u00e9s! Ele respondeu: Eis-me aqui! 5 Deus continuou: N\u00e3o te chegues para c\u00e1; tira as sand\u00e1lias dos p\u00e9s, porque o lugar em que est\u00e1s \u00e9 terra santa. 6 Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abra\u00e3o, o Deus de Isaque e o Deus de Jac\u00f3. Mois\u00e9s escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus. 7 Disse ainda o SENHOR: Certamente, vi a afli\u00e7\u00e3o do meu povo, que est\u00e1 no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conhe\u00e7o-lhe o sofrimento; 8 por isso, desci a fim de livr\u00e1-lo da m\u00e3o dos eg\u00edpcios e para faz\u00ea-lo subir daquela terra a uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel; o lugar do cananeu, do heteu, do amorreu, do ferezeu, do heveu e do jebuseu. 9 Pois o clamor dos filhos de Israel chegou at\u00e9 mim, e tamb\u00e9m vejo a opress\u00e3o com que os eg\u00edpcios os est\u00e3o oprimindo. 10 Vem, agora, e eu te enviarei a Fara\u00f3, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito. 11 Ent\u00e3o, disse Mois\u00e9s a Deus: Quem sou eu para ir a Fara\u00f3 e tirar do Egito os filhos de Israel?12 Deus lhe respon-deu: Eu serei contigo; e este ser\u00e1 o sinal de que eu te enviei: depois de haveres tirado o povo do Egito, servireis a Deus neste monte. 13 Disse Mois\u00e9s a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a v\u00f3s outros; e eles me perguntarem: Qual \u00e9 o seu nome? Que lhes direi? 14 Disse Deus a Mois\u00e9s: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dir\u00e1s aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a v\u00f3s outros. 15 Disse Deus ain-da mais a Mois\u00e9s: Assim dir\u00e1s aos filhos de Israel: O SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abra\u00e3o, o Deus de Isaque e o Deus de Jac\u00f3, me enviou a v\u00f3s outros; este \u00e9 o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. 16 Vai, ajunta os anci\u00e3os de Israel e dize-lhes: O SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abra\u00e3o, o Deus de Isaque e o Deus de Jac\u00f3, me apareceu, dizendo: Em verdade vos tenho visitado e visto o que vos tem sido feito no Egito. 17 Portanto, disse eu: Far-vos-ei subir da afli\u00e7\u00e3o do Egito para a terra do cananeu, do heteu, do amorreu, do ferezeu, do heveu e do jebu-seu, para uma terra que mana leite e mel. 18 E ouvir\u00e3o a tua voz; e ir\u00e1s, com os anci\u00e3os de Israel, ao rei do Egito e lhe dir\u00e1s: O SENHOR, o Deus dos hebreus, nos encontrou. Agora, pois, deixa-nos ir caminho de tr\u00eas dias para o deserto, a fim de que sacrifiquemos ao SENHOR, nosso Deus. 19 Eu sei, por\u00e9m, que o rei do Egito n\u00e3o vos deixar\u00e1 ir se n\u00e3o for obrigado por m\u00e3o forte. 20 Portanto, estenderei a m\u00e3o e ferirei o Egito com todos os meus prod\u00edgios que farei no meio dele; depois, vos deixar\u00e1 ir. 21 Eu darei merc\u00ea a este povo aos olhos dos eg\u00edpcios; e, quando sairdes, n\u00e3o ser\u00e1 de m\u00e3os vazias. 22 Cada mulher pedir\u00e1 \u00e0 sua vizinha e \u00e0 sua h\u00f3speda j\u00f3ias de prata, e j\u00f3ias de ouro, e vestimentas; as quais poreis sobre vossos filhos e sobre vossas filhas; e despojareis os eg\u00edp-cios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus v\u00ea a afli\u00e7\u00e3o do povo (versos 7,9) O Senhor diz: \u201cCertamente vi afli\u00e7\u00e3o do meu povo\u201d, Ele ouviu o clamor de seu povo, a palavra para clamor \u00e9 a ideia \u00e9 clamar por ajuda, por estar muito aflito, a ideia \u00e9 de trovejar, soar como trov\u00e3o, por causa da opress\u00e3o. Por que eles clamavam? O texto res-ponde: Por causa dos seus exatores, a ideia de exatores era de algu\u00e9m encarregado pelo Fara\u00f3 para aplicar penalidades e ver se o trabalho estava sendo feito. ver \u00caxodo 1. 11-14. Deus conhece o sofrimento deles, o texto diz a ideia \u00e9 de dor f\u00edsica e dor psicol\u00f3gica. Isto hoje \u00e9 muito familiar a n\u00f3s, quem n\u00e3o sofre com alguma coisas? O povo no Egito certamente estava experimentando dor f\u00edsica e sua situa\u00e7\u00e3o era motivo de afli\u00e7\u00e3o. No verso 9 diz que Deus via a opress\u00e3o que os eg\u00edpcios estavam fazendo. Deus v\u00ea o que est\u00e1 acontecendo no mundo; v\u00ea a afli\u00e7\u00e3o do opresso! Deus toma uma atitude que o diferencia dos falsos deuses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus desce e salva o seu povo (versos 8, 10-18) Deus ouviu o seu clamor. Aqui \u00e9 importante observamos uma coisa: Ao contr\u00e1rio dos deuses falsos, Deus ouve, conhece a afli\u00e7\u00e3o do seu povo e toma uma atitude que aqui no texto \u00e9 descrito pelo verbo descer a ideia \u00e9 descrever a a\u00e7\u00e3o de Deus, \u00e9 como se Ele deixasse sua morada e viesse para comunicar-se com o homem, no caso para socorrer seu povo, que clamava. Aqui temos uma importante li\u00e7\u00e3o: Deus vir\u00e1 socorrer seu povo, Deus ouve o clamor de seu povo, Deus conhece o clamor de seu povo. Quando Deus vem, Ele vem com prop\u00f3sito: Livrar da m\u00e3o dos eg\u00edpcios e tirar eles daquele lugar e lev\u00e1-los para outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus usa seus instrumentos de liberta\u00e7\u00e3o. Aqui o instrumento da liberta\u00e7\u00e3o foi Mois\u00e9s. A Igreja \u00e9 chamada para ser o agente discursivo que denuncia o pecado e a opress\u00e3o. Neste aspecto devemos ser instrumento de liberta\u00e7\u00e3o para o nosso semelhante e n\u00e3o de opress\u00e3o, Quando estiver na nossa m\u00e3o que n\u00e3o sejamos mesquinhos e nem opressores. Mois\u00e9s aqui vai com uma fun\u00e7\u00e3o especifica: Tirar o povo do Egito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mois\u00e9s faz uma pergunta a Deus, pergunta que se assemelha as nossas quando o Senhor nos chama para uma obra: Quem sou eu Senhor? N\u00e3o somos nada, por\u00e9m o Senhor \u00e9 tudo! Somos instrumentos da a\u00e7\u00e3o de Deus e \u00e9 isto que o Senhor deixa bem claro tanto para Mois\u00e9s quanto para cada um de n\u00f3s: \u201cEu serei contigo\u201d. E como prova desta companhia, Deus d\u00e1 um sinal a Mois\u00e9s de que quando sa\u00edssem do Egito, serviriam a Ele e fariam liturgia na-quele lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mois\u00e9s pergunta: de quem falarei?<br \/>\nE \u00e9 aqui que Deus se revela, Ele diz: \u201cEU SOU O QUE SOU\u201d. Ele manda Mois\u00e9s dizer: EU SOU me enviou a v\u00f3s.<br \/>\nDeus fere o opressor de seu povo e honra seu povo (versos 19- 22). Deus sabia que o fara\u00f3 n\u00e3o iria deixar ir, at\u00e9 porque foi o pr\u00f3prio Deus que endureceu o cora\u00e7\u00e3o dele para este fim. Ver: Ex. 4.21; 7.3; 9.12; 10.1; 20, 27; 11.10; 14.4,8.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veja como Deus libertou o povo e levou-o para o fim que havia dito a Mois\u00e9s. Da mesma forma como Deus libertou seu povo de um local geo-gr\u00e1fico conhecido, o Senhor nos libertou de uma realidade espiritual terr\u00edvel. Todavia, esta liberta\u00e7\u00e3o produzida pelo Senhor nos conduz \u00e0 verdadeira co-munh\u00e3o que deve ser baseada na rela\u00e7\u00e3o pericor\u00e9tica que h\u00e1 na Sant\u00edssima Trindade. A comunh\u00e3o entre os homens s\u00f3 pode existir quando os princ\u00edpios da solidariedade m\u00fatua, do querer bem ao outro, estiverem nos cora\u00e7\u00f5es dos homens. Jesus disse: \u201cTudo quanto, pois, quereis que os homens vos fa\u00e7am, assim fazei-o v\u00f3s tamb\u00e9m a eles; porque esta \u00e9 a Lei e os Profetas\u201d (Mt 7.12), Jesus fala do padr\u00e3o da boa conviv\u00eancia entre os homens. Ser\u00e1 que o Mestre iria falar de como as pessoas deveriam viver, se isto n\u00e3o fosse o correto? \u00c9 logico que n\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo Barbosa de Sousa traz a seguinte reflex\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio que a Trindade imp\u00f5e sobre n\u00f3s hoje \u00e9 o do resgate das rela\u00e7\u00f5es pessoais e afetivas entre o homem e Deus, bem como entre o ho-mem e seu pr\u00f3ximo. Temos visto que as tend\u00eancias do mundo moderno apontam para uma dire\u00e7\u00e3o completamente oposta, negando as bases de uma rela\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria, criando uma imagem e um conceito do homem e de Deus que negam a revela\u00e7\u00e3o b\u00edblia. \u00c9 neste sentido que a doutrina da trindade hoje tem um car\u00e1ter absolutamente revolucion\u00e1rio.5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois \u00e9 justamente na rela\u00e7\u00e3o da Trindade que iremos achar um modelo ideal para a nossa sociedade, um modelo que ir\u00e1 nos incomodar diante de tanta injusti\u00e7a. A pobreza \u00e9 uma realidade que \u00e9 explorada. A igreja precisa denunciar isto como pecado. Todos aqueles que amam a Deus e defendem a verdadeira justi\u00e7a social, devem regozijar-se na liberdade e procurar remover a causa da pobreza ou, pelo menos, alivi\u00e1-la mediante a aplica\u00e7\u00e3o do rem\u00e9-dio indicado pela Palavra de Deus. Que a injusti\u00e7a social \u00e9 escandalosa n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">YAHWEH se revela como Deus que escuta o sofrimento; que odeia a injusti\u00e7a; que Liberta o povo da opress\u00e3o; que criou c\u00e9us e terra; que pro-videncia alimento para toda a sua cria\u00e7\u00e3o; que odeia a explora\u00e7\u00e3o. YAHWEH se revelou a seu povo l\u00e1 no Egito dentro de um contexto de opress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00c1 RELA\u00c7\u00c3O ENTRE PERICORESE E POL\u00cdTICA?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro que sim! Faz-se necess\u00e1rio definirmos, o que vem a ser pol\u00edtica.<br \/>\n\u00c9 deriva\u00e7\u00e3o grega a palavra \u201cpol\u00edtica\u201d, que em seu sentido original significava \u201cPolitikos\u201d que esta relacionada \u00e0 cidade, por\u00e9m ao conceito de po-lis que \u00e9 mais abrangente do que cidade, entre os s\u00e9culos 8 e 6 ac. Surgiram na Gr\u00e9cia as \u201cpolis\u201d, cidades-estado, estas eram quase que como pa\u00edses atuais, Esparta e Atenas s\u00e3o as mais famosas, inicialmente a palavra pol\u00edtica fazia referencia a tudo o que \u00e9 urbano, civil, p\u00fablico, este significado expandiu-se com a obra Pol\u00edtica de Arist\u00f3teles (384-322 ac.), onde passou a designar-se pol\u00edtica como a arte ou ci\u00eancia do governo, durante muito tempo passou a designar os estudos dedicados a atividade humana que de alguma forma se relacionam ao governo, por\u00e9m na atualidade representa as atividades pr\u00e1ticas relacio-nadas ao exerc\u00edcio do poder do estado; sendo assim est\u00e1 intimamente relacionada o conceito de pol\u00edtica ao conceito de poder, segundo Bertrand Russerll (1872-1970), fil\u00f3sofo brit\u00e2nico \u201cconjunto dos meios que permite alcan\u00e7ar os fins desejados\u201d. O dom\u00ednio da natureza pelo homem seria um desses meios o outro \u00e9 o dom\u00ednio do homem sobre o pr\u00f3prio homem, o poder pol\u00edtico \u00e9 apenas uma das formas de poder do homem sobre o homem, existe ainda o po-der econ\u00f4mico, o ideol\u00f3gico. No poder pol\u00edtico \u00e9 poss\u00edvel valer-se da for\u00e7a como meio para exercer a vontade diante disto este pode ser considerado o poder supremo, para tanto o poder pol\u00edtico conta com o apoio da sociedade, onde por interm\u00e9dio do estado se exercita as puni\u00e7\u00f5es quando estas s\u00e3o ne-cess\u00e1rias, ainda pode se destacar no poder pol\u00edtico a universalidade e a inclusividade; o poder pol\u00edtico possui limites, por\u00e9m estes variam de acordo com o tipo de Estado, a pol\u00edtica tem como objetivo a ordem p\u00fablica e a defesa do territ\u00f3rio nacional e o bem social da popula\u00e7\u00e3o, este assunto mesmo n\u00e3o es-tando expl\u00edcito nas conversas di\u00e1rias \u00e9 fundamental \u00e0 vida de todos, pois atrav\u00e9s da pol\u00edtica se constr\u00f3i a vida da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos ingenuamente nos abster, cabe a popula\u00e7\u00e3o a discuss\u00e3o e press\u00e3o dos governantes.6<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje em dia, a concep\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio \u00e9 a que mais nos parece comum. O homem tem inclina\u00e7\u00e3o para o dom\u00ednio, isto em si, n\u00e3o \u00e9 mal, pois foi o pr\u00f3prio Deus que colocou isto no homem, isto faz parte do mandato cultural, o problema \u00e9 quando este dom\u00ednio \u00e9 opressor. Nos dias de Jesus a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica era geradora de injusti\u00e7as, exemplo disto \u00e9 o que nos \u00e9 dito a respeito de Herodes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele n\u00e3o hesita tampouco em instituir jogos quadrienais em honra de Augusto, em Cesareia e at\u00e9 mesmo em Jerusal\u00e9m. Rodeia-se de eruditos formados nas letras gregas, (&#8230;) Para satisfazer aos judeus, incrementa a reconstru\u00e7\u00e3o do templo e o faz embelezar; por esta ocasi\u00e3o, teve de mandar en-sinar o of\u00edcio de pedreiro a mil levitas, para evitar que simples oper\u00e1rios profanassem os locais reservado aos sacerdotes.7<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis um exemplo de um governador \u00edmpio. A pol\u00edtica \u00e9 uma ben\u00e7\u00e3o de Deus, \u00e9 o meio ordenado para que o estado seja administrado. O proble-ma, poder\u00edamos dizer, n\u00e3o \u00e9 com o fato de termos homens governando, mas sim, com o tipo de homens que est\u00e3o no poder. Deus poderia ter criado os homens separados, n\u00e3o dispostos para viver em sociedade, mas n\u00e3o foi isto que Ele fez, sendo assim, a pol\u00edtica faz parte de seu plano para o homem, e da mesma forma como a pericorese deve influenciar a sociedade, tamb\u00e9m deve influenciar a pol\u00edtica, at\u00e9 porque o senso de pol\u00edtica est\u00e1 presente em Deus. O Senhor governa todas as coisas e estabeleceu leis. Os c\u00e9us e toda a terra lhe pertencem, sendo assim, Ele \u00e9 administrador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a entrada do pecado no mundo, foram criados alguns mecanismos para que a vida humana tivesse condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia, e um desses mecanismos foi o magistrado. Kyper diz: \u201cPois, de fato, sem pecado n\u00e3o teria havido magistrado nem ordem do estado; mas a vida pol\u00edtica em sua inteireza teria se desenvolvido segundo um modelo patriarcal de vida\u201d.8 N\u00e3o haveria cadeia, nem pol\u00edcia, nem for\u00e7as armadas, nada disso teria sentido no mundo onde n\u00e3o houvesse pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Pol\u00edtica \u00e9 algo que Deus colocou no seio de sua cria\u00e7\u00e3o. Ele criou seres racionais para governar a cria\u00e7\u00e3o, seres estes que s\u00e3o os vice-gerentes de sua cria\u00e7\u00e3o, sendo assim, o homem, tanto em est\u00e2ncias menores como seu lar, quantos em est\u00e2ncias maiores como uma na\u00e7\u00e3o, \u00e9 chamado para gover-nar, dirigir. A Confiss\u00e3o de F\u00e9 de Westminster no cap. XXIII Se\u00e7\u00e3o II, diz:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos crist\u00e3os \u00e9 licito aceitar e exercer o oficio de magistrado, quando para ele s\u00e3o chamados; na administra\u00e7\u00e3o da mesmo, como devem especi-almente manter a piedade, a justi\u00e7a e a paz, segundo as leis justas de cada comunidade, eles, sob a dispensa\u00e7\u00e3o do Novo testamento, e para esse fim, po-dem licitamente fazer guerra, havendo ocasi\u00f5es justas e necess\u00e1rias.9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pol\u00edtica \u00e9 voca\u00e7\u00e3o, o problema \u00e9 quando homens n\u00e3o vocacionados querem governar a cria\u00e7\u00e3o de Deus, da mesma forma, que \u00e9 um desastre um homem n\u00e3o vocacionado administrar a Igreja, tamb\u00e9m \u00e9 um desastre n\u00e3o vocacionados administrarem cidades. Infelizmente, esta percep\u00e7\u00e3o da pol\u00edti-ca como voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe nas mentes da maioria das pessoas e esta defici\u00eancia se manifesta na falta de compromisso quando se vota. At\u00e9 mesmo cren-tes votam sem seriedade, depois que Deus traz ju\u00edzo atrav\u00e9s de maus governantes, as pessoas ficam sem entender os motivos disto acontecerem e re-clamam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Governantes que professam a f\u00e9 t\u00eam como fun\u00e7\u00e3o primordial levar na\u00e7\u00f5es ao reconhecimento da soberania de Deus e que elas existem com o prop\u00f3sito de prestar honras e louvores a Deus. Kuper tem a seguinte opini\u00e3o:<br \/>\nElas existem por Ele e s\u00e3o sua propriedade. E por isso todas estas na\u00e7\u00f5es, e nelas a humanidade, devem existir para sua gl\u00f3ria e consequente-mente segundo suas ordenan\u00e7as, a fim de que sua sabedoria divina possa brilhar publicamente em seu bem-estar, quando elas andam segundo suas or-denan\u00e7as.10<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo deve redundar em gl\u00f3ria para Deus. A cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe independente de Deus. Por\u00e9m os homens anseiam por eliminar o conceito de Deus da sociedade; j\u00e1 disseram que at\u00e9 que Ele j\u00e1 tinha morrido.11 Por isso, o homem est\u00e1 perdido e nosso mundo est\u00e1 um caos. A Igreja precisa mostrar ao mundo qual o modelo de pol\u00edtica correto. \u201cA pericorese \u00e9 a resposta.\u201d Qualquer pol\u00edtica p\u00fablica que n\u00e3o leve em conta a justi\u00e7a, equidade, equil\u00edbrio e ordem n\u00e3o pode prosperar. Os homens precisam entender que em Deus \u00e9 que reside a estabilidade pol\u00edtica e a administra\u00e7\u00e3o voltada para a justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja deve dar o norte para que a sociedade tenha um modelo pol\u00edtico que espelhe tra\u00e7os da comunh\u00e3o que h\u00e1 entre as Pessoas da Sant\u00edssi-ma Trindade, pois ela \u00e9 a melhor comunidade que existe. Qualquer forma de governo que gere opress\u00e3o, n\u00e3o honra a Deus, \u00e9 uma afronta aos c\u00e9us. Atra-v\u00e9s da pericorese como modelo devemos questionar nossas posi\u00e7\u00f5es, prefer\u00eancias e candidatos pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejamos um exemplo bem simples: Posso votar ou apoiar um candidato, ou partido, ou programa de governo, que tenha por finalidade algum objetivo que desonre a Deus? Ou ent\u00e3o, que provoque mais exclus\u00e3o social? Sabedor que Deus \u00e9 contra a injusti\u00e7a, a opress\u00e3o, a viol\u00eancia, ao desvio de verbas e a todas as sortes de mazelas sociais que acabam trazendo sobre as pessoas exclus\u00e3o social levando-as a serem exploradas? L\u00f3gico que n\u00e3o!<br \/>\nSer\u00e1 que uma comunidade onde h\u00e1 jogo de interesse, desonestidade, injusti\u00e7a, soberba e dom\u00ednio opressivo respeita a Deus? E se esta comu-nidade for a nossa igreja? Ser\u00e1 que ela respeita a Deus? E se for a minha fam\u00edlia? Ser\u00e1 que respeita a Deus? Claro que n\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONCLUS\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus age na hist\u00f3ria. Ao homem cabe ver e perceber a extens\u00e3o deste agir. O homem p\u00f3s-moderno com seu relativismo e ceticismo n\u00e3o per-cebe a teleologia da hist\u00f3ria e por n\u00e3o perceb\u00ea-la entra no v\u00e1cuo existencial, cai abaixo da linha do desespero e se agarra aos pressupostos mais absurdos poss\u00edveis. Por isso \u00e9 que as Escrituras dizem que o tolo diz em seu cora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o h\u00e1 Deus (Salmo 14.1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 imaginastes se o Sagrado n\u00e3o existisse? Se n\u00e3o existisse uma l\u00f3gica final que desse sentido a tudo? J\u00e1 imaginastes se n\u00e3o houvesse uma ideia de recompensa ou puni\u00e7\u00e3o final? Do que adiantaria toda correria? Todo o clamor por justi\u00e7a dos parentes daquele que foram assassinados? J\u00e1 imaginastes qu\u00e3o sem sentido \u00e9 a vida de algu\u00e9m que acha que encontrou sentido aqui? Enquanto sua vida se enquadrar no sonho encantado cor de rosa, tipo \u201cprin-cesas e pr\u00edncipes encantados\u201d ele se iludir\u00e1 pensando que achou o sentido. No entanto, penso que al\u00e9m de ser uma aposta alta \u00e9 louca e sem sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sociedade, Pecado e Pol\u00edtica. O que estas tr\u00eas coisas t\u00eam haver?<br \/>\nO homem \u00e9 um ser social e por natureza agente de intera\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m vive sem interagir uns com os outros.<br \/>\nPecado \u00e9 algo que \u00e9 natural em todo ser humano. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que n\u00e3o fora contaminado pelo pecado original e consequentes manifesta-\u00e7\u00f5es: culpa e corrup\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pol\u00edtica, \u201cme deixa colocar desta forma\u201d \u00e9 a arte de estabelecer cosmovis\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bom, o que se percebe disto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que n\u00e3o tenha pecado e por natureza o pecado \u00e9 algo ruim, contr\u00e1rio aos pressupostos divinos. O homem \u00e9 um ser racional e como tal luta todo instante para que seus pareceres sejam aceitos, suas premissas, sua cosmovis\u00e3o. Entretanto, a racionalidade do homem \u00e9 contaminada pelo pecado e desta forma \u00e9 obvio que sua pol\u00edtica manifestar\u00e1 o que ele pensa. Todavia, a quest\u00e3o \u00e9 que por sermos sociedade organizada, sujeitos de direitos e deveres, por estamos inseridos numa sociedade onde o pecado fora legitimado atrav\u00e9s de leis que por terem uma origem que vai de encontro as Escrituras, jamais revelar\u00e3o a boa e perfeita vontade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual \u00e9 a fonte da \u00e9tica? A raz\u00e3o? Pensemos: Quem \u00e9 que pensa? Sen\u00e3o o homem, quem pode duvidar? O homem. Recordo-me o fil\u00f3sofo franc\u00eas Ren\u00e9 Descartes: \u201cPenso, logo existo\u201d. Todavia, o homem \u00e9 perverso, ego\u00edsta e outras coisas a mais. Logo, toda \u00e9tica que provenha unicamente da raz\u00e3o humana ser\u00e1 perversa, ego\u00edsta e outras coisas a mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sociedade que existe na Sant\u00edssima Trindade e a \u00e9tica que h\u00e1 nesta rela\u00e7\u00e3o \u00e9 o melhor caminho para o homem.<br \/>\nO temor do SENHOR \u00e9 o princ\u00edpio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino. Prov\u00e9rbios 1.7<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rev. Jasiel Cunha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BIBLIOGRAFIA:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SUSIN, Luiz Carlos. Deus: Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo. S\u00e3o Paulo-SP Paulinas, 2003<br \/>\nCAMPOS, Heber Carlos de. A Pessoa de Cristo as Duas Naturezas do Redentor. S\u00e3o Paulo-SP Cultura Crist\u00e3, 2004<br \/>\nCAMPOS, Heber Carlos de. O Ser de Deus e os seus atributos. S\u00e3o Paulo-SP Cultura Crist\u00e3, 2002<br \/>\nSOUSA Ricardo Barbosa de. O Caminho do Cora\u00e7\u00e3o Ensaios sobre a Trindade e a Espiritualidade Crist\u00e3. 2. Ed. Curitiba-PR ENCONTRO PUBLICA-\u00c7\u00d5ES 1998<br \/>\nSAULNIER, Christiane. ROLLAND, Bernard. A Palestina no Tempo de Jesus 6.ed S\u00e3o Paulo-SP. PAULUS 2002<br \/>\nKUPER Abraham. Calvinismo, S\u00e3o Paulo-SP Cultura Crist\u00e3, 2002<br \/>\nWESTMINSTER Confiss\u00e3o de F\u00e9 Ed. S\u00e3o Paulo-SP OS PURITANOS 1999<br \/>\nSITES<br \/>\nhttp:\/\/pt.shvoong.com\/social-sciences\/political-science\/1636126-que-%C3%A9-pol%C3%ADtica\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOTAS<br \/>\n1. SUSIN Luiz Carlos. Deus: Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo. S\u00e3o Paulo-SP Paulinas, 2003. p. 141<br \/>\n2. CAMPOS, Heber Carlos de. A Pessoa de Cristo as Duas Naturezas do Redentor. S\u00e3o Paulo-SP Cultura Crist\u00e3, 2004, p. 311<br \/>\n3. M\u00f4nada: subst\u00e2ncia simples, ativa e indivis\u00edvel. Os Pais Capad\u00f3cios diziam: Na Tr\u00edade, a M\u00f4nada \u00e9 adorada, assim como a Tr\u00edade \u00e9 adorada na M\u00f4nada.<br \/>\n4. CAMPOS, Heber Carlos de. O Ser de Deus e os seus atributos. S\u00e3o Paulo-SP Cultura Crist\u00e3, 2002, p. 137<br \/>\n5. SOUSA Ricardo Barbosa de. O Caminho do Cora\u00e7\u00e3o Ensaios sobre a Trindade e a Espiritualidade Crist\u00e3. 2. Ed. Curitiba-PR ENCONTRO PUBLI-CA\u00c7\u00d5ES 1998 p. 92<br \/>\n6. O que \u00e9 Pol\u00edtica? Dispon\u00edvel em: http:\/\/pt.shvoong.com\/social-sciences\/political-science\/1636126-que-%C3%A9-pol%C3%ADtica\/ Acesso em: 29 de julho de 2019<br \/>\n7. SAULNIER, Christiane. ROLLAND, Bernard. A Palestina no Tempo de Jesus 6.ed S\u00e3o Paulo-SP. PAULUS 2002 p.23<br \/>\n8. KUPER Abraham. Calvinismo, S\u00e3o Paulo-SP Cultura Crist\u00e3, 2002 p.87<br \/>\n9. WESTMINSTER Confiss\u00e3o de F\u00e9 Ed. S\u00e3o Paulo-SP OS PURITANOS 1999 p. 399<br \/>\n10. KUPER, Abraham. Calvinismo, op. cit p. 89<br \/>\n11. Friedrich Nietzsche, fil\u00f3sofo alem\u00e3o do final do s\u00e9c. XIX (1844-1900) foi quem diagnosticou o niilismo como a \u201cdoen\u00e7a do s\u00e9culo\u201d e o tomou como eixo tem\u00e1tico e problema capital expresso na \u201cmorte de Deus\u201d. Para responder o que \u00e9 o niilismo? Explica: \u201cFal\u00eancia de uma avalia\u00e7\u00e3o das coisas, que d\u00e1 a impress\u00e3o de que nenhuma avalia\u00e7\u00e3o seja poss\u00edvel\u201d. \u201cNiilismo: falta a meta; falta a resposta ao \u201cpor qu\u00ea?\u201d; o que significa niilismo? \u2013 que os valores supremos se desvalorizam\u201d. Visto como um longo processo, o niilismo alcan\u00e7a seu auge na morte de Deus. Que marca o momento de constata\u00e7\u00e3o da perda de sentido e validade por parte dos valores superiores da cultura no Ocidente. Representa assim, o fracasso de uma interpreta\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia que por muito tempo auxiliou o homem a suportar a dor. Deus morreu! Deus continua morto! E n\u00f3s o matamos!! Como nos consolaremos, n\u00f3s, os assassinos dos assassinos? O que o mundo possui de mais sagrado e possante perdeu seu sangue sob a nossa faca. O que nos limpar\u00e1 deste sangue?&#8230; Este evento enorme est\u00e1 a caminho, aproxima-se e n\u00e3o chegou ao ouvido dos homens&#8230; \u00c9 preciso tempo para as a\u00e7\u00f5es, mesmo quando foram efetuadas, serem vistas e entendidas. Nietzsche e a morte de Deus. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.eticaefilosofia.ufjf.br\/8_1_giuliano.html Acesso em: 21 de janeiro de 2015<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como devo pensar pol\u00edtica? Como devo pensar a rela\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia? E quanto ao meu trabalho? A preocupa\u00e7\u00e3o da filosofia pol\u00edtica consiste nis-to: como nossa sociedade \u00e9 organizada? Ela tem funcionado? Qual o crit\u00e9rio para avaliarmos se funciona bem ou n\u00e3o? A liberdade individual \u00e9 algo inegoci-\u00e1vel em uma sociedade, no entanto, creio que esta liberdade para ser vivida de forma respons\u00e1vel deve estar subordinada a mecanismos que delimitem o uso devido desta liberdade, para que n\u00e3o ponha barreiras na liberdade dos outros. Todavia, \u00e9 \u00f3bvio que quando falo de liberdade parto do pressuposto que esta liberdade tem que vir de algum lugar, ou seja, o conceito de liberdade que advogo \u00e9 uma liberdade que esteja submissa \u00e0 Lei de Deus. E, por ser assim, o objetivo deste trabalho \u00e9 ver se temos na rela\u00e7\u00e3o que h\u00e1 entre as Pessoas da Sant\u00edssima Trindade, algo que seja luz para nossa rela\u00e7\u00e3o<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Ser\u00e1 que na rela\u00e7\u00e3o intratrinit\u00e1ria ter\u00edamos exemplos para uma boa conviv\u00eancia entre os homens? - IPCB<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/ipcb.org.br\/index\/sera-que-na-relacao-intratrinitaria-teriamos-exemplos-para-uma-boa-convivencia-entre-os-homens\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Ser\u00e1 que na rela\u00e7\u00e3o intratrinit\u00e1ria ter\u00edamos exemplos para uma boa conviv\u00eancia entre os homens? - IPCB\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Como devo pensar pol\u00edtica? 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