{"id":5845,"date":"2021-07-06T19:12:26","date_gmt":"2021-07-06T19:12:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ipcb.org.br\/index\/?p=5845"},"modified":"2024-05-23T12:08:05","modified_gmt":"2024-05-23T12:08:05","slug":"tragada-foi-a-morte-pela-vitoria-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipcb.org.br\/index\/tragada-foi-a-morte-pela-vitoria-2\/","title":{"rendered":"Participantes de Todas as Coisas Boas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">(G\u00e1latas 6.6-8)<br \/>\nRev. Welerson Alves Duarte<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o princ\u00edpio Deus estabeleceu l\u00edderes, pessoas que tinham a responsabilidade de conduzir, ensinar, instruir o povo.<br \/>\nInicialmente os patriarcas exerceram tal fun\u00e7\u00e3o liderando suas fam\u00edlias. Na sequ\u00eancia, a partir de Mois\u00e9s, Deus foi levantando homens para liderar seu povo. Profetas, sacerdotes e reis conduziram o povo do Senhor instruindo-os no caminho em que deviam andar. \u00c9 verdade, por\u00e9m, que nem sempre estes l\u00edderes foram fi\u00e9is ao Senhor e aos Seus preceitos.<br \/>\nO Senhor Jesus, em seu minist\u00e9rio terreno, escolheu homens incumbindo-os especialmente da tarefa de ensino. Eles mesmos reconheceram isso pois os vemos declarando o seguinte: \u201c\u2026 N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel que n\u00f3s abandonemos a palavra de Deus para servir \u00e0s mesas\u2026 e, quanto a n\u00f3s, nos consagraremos \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao minist\u00e9rio da palavra\u201d (Atos 6.2, 4). Em toda a Escritura encontramos a valoriza\u00e7\u00e3o do ensino j\u00e1 que \u00e9 atrav\u00e9s dele que somos habilitados para o servi\u00e7o do Senhor.<br \/>\nEscrevendo aos G\u00e1latas Paulo os orienta quanto ao tratamento que deveriam dar \u00e0queles que os instru\u00edam na Palavra e desta orienta\u00e7\u00e3o podemos depreender alguns ensinos.<br \/>\nPaulo destaca em primeiro lugar a pessoa que \u00e9 instru\u00edda na Palavra de Deus, Palavra esta que faz dele um privilegiado.<br \/>\n\u00c9 por meio da instru\u00e7\u00e3o que ele recebe o evangelho que \u00e9 o poder de Deus para a salva\u00e7\u00e3o: \u201cPois n\u00e3o me envergonho do evangelho, porque \u00e9 o poder de Deus para a salva\u00e7\u00e3o de todo aquele que cr\u00ea, primeiro do judeu e tamb\u00e9m do grego\u201d (Rm 1.16). Sem a exposi\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o por meio ordin\u00e1rio, uma vez que aqueles que invocam o nome do Senhor s\u00e3o salvos: \u201cPorque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor ser\u00e1 salvo\u201d (Rm 10.13). No entanto, n\u00e3o poder\u00e3o invocar se n\u00e3o crerem e n\u00e3o poder\u00e3o crer se n\u00e3o ouvirem: \u201cComo, por\u00e9m, invocar\u00e3o aquele em quem n\u00e3o creram? E como crer\u00e3o naquele de quem nada ouviram? E como ouvir\u00e3o, se n\u00e3o h\u00e1 quem pregue?\u201d (Rm 10.14). A salva\u00e7\u00e3o vem por meio da f\u00e9 e esta vem pelo ouvir da Palavra de Deus: \u201cE, assim, a f\u00e9 vem pela prega\u00e7\u00e3o, e a prega\u00e7\u00e3o, pela palavra de Cristo\u201d (Rm 10.17).<br \/>\n\u00c9 por meio da instru\u00e7\u00e3o que ele recebe a regra infal\u00edvel de f\u00e9 e pr\u00e1tica. Nesta instru\u00e7\u00e3o ele encontra o que necessita para dar prosseguimento a sua carreira crist\u00e3 desenvolvendo uma vida agrad\u00e1vel a Deus. Atrav\u00e9s da instru\u00e7\u00e3o ele cresce no conhecimento de Deus, pois \u00e9 disso que Ele se agrada: \u201cPois miseric\u00f3rdia quero, e n\u00e3o sacrif\u00edcio, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos\u201d (Os. 6.6).<br \/>\nSer instru\u00eddo na Palavra do Senhor \u00e9, em virtude disto, um grande privil\u00e9gio, uma enorme ben\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 bem maior do que conhecer a Palavra do Senhor. N\u00e3o ser instru\u00eddo na Palavra ou ser mal instru\u00eddo \u00e9 algo terr\u00edvel.<br \/>\nSendo assim, tal privil\u00e9gio nos traz responsabilidades, que \u00e9 o que Paulo destaca em segundo lugar. Esta responsabilidade \u00e9 a de \u201cfazer participante de todas as coisas boas\u201d aqueles que nos instruem. Por que? Porque al\u00e9m de manifestarmos gratid\u00e3o a Deus, tamb\u00e9m semeamos para o nosso crescimento. Deus capacita e usa pessoas para nos instruir na Palavra.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 m\u00e9ritos em quem ensina, toda gl\u00f3ria \u00e9 do Senhor, por\u00e9m, ao fazer dos que nos instruem participantes das coisas boas demonstramos gratid\u00e3o a Deus por t\u00ea-los colocado em nossas vidas.<br \/>\nCalvino, comentando o texto de G\u00e1latas 6.6 diz o seguinte: Parece prov\u00e1vel que os mestres e ministros eram, naquele tempo, negligenciados. Tal coisa refletia a mais vil ingratid\u00e3o. \u00c9 algo desditoso defraudar dos meios de sobreviv\u00eancia \u00e0queles por cuja instrumentalidade nossas almas s\u00e3o alimentadas, recusar uma recompensa terrena \u00e0queles de quem recebemos b\u00ean\u00e7\u00e3os celestiais. Mas \u00e9 e tem sido sempre a natureza do mundo empanturrar o est\u00f4mago dos ministros de Satan\u00e1s, e com relut\u00e2ncia e avers\u00e3o suprir os piedosos pastores com sua indispens\u00e1vel comida. (J. Calvino, Calvin\u2019s Commentaries, 1984, p. 176)<br \/>\nPara Calvino era uma grande ingratid\u00e3o negligenciar aqueles que tinham sido feitos por Deus instrumentos de instru\u00e7\u00e3o do Seu povo, canais de b\u00ean\u00e7\u00e3os celestiais. Por\u00e9m, Calvino constata que infelizmente \u00e9 pr\u00f3prio do ser humano a ingratid\u00e3o, a invers\u00e3o de valores onde o que ele chama de ministros de satan\u00e1s s\u00e3o valorizados ao passo que os ministros de Cristo s\u00e3o negligenciados.<br \/>\nMas o que \u00e9 fazer participante de todas as coisas boas aquele que o instrui? Em I Co. 9 Paulo nos d\u00e1 seu entendimento do que seja isso.<br \/>\nUm dos problemas dos crentes de Corinto era a falta de abnega\u00e7\u00e3o, todos queriam fazer valer os seus direitos. Isso pode ser visto na contenda registrada em I Co. 1.12: \u201cRefiro-me ao fato de cada um de v\u00f3s dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo\u201d. Pode ser visto tamb\u00e9m no lit\u00edgio entre os irm\u00e3os que iam a ju\u00edzo uns contra os outros: \u201cmas ir\u00e1 um irm\u00e3o a ju\u00edzo contra o outro irm\u00e3o, e isto perante incr\u00e9dulo! O s\u00f3 existir entre v\u00f3s demanda j\u00e1 \u00e9 completa derrota para v\u00f3s outros. Por que n\u00e3o sofreis, antes, a injusti\u00e7a? Por que n\u00e3o sofreis, antes, o dano?\u201d (I Co. 6.6, 7). No cap\u00edtulo 8 Paulo fala da necessidade de se renunciar ao uso dos seus direitos por causa dos irm\u00e3os para ent\u00e3o no cap\u00edtulo 9 mostrar como ele mesmo havia aplicado esse princ\u00edpio em sua vida em favor deles. Ele apresenta os direitos que tinha como ap\u00f3stolo e o fato de n\u00e3o ter feito uso dos mesmos.<br \/>\nAo falar destes direitos Paulo nos d\u00e1 uma ideia do que ele entendia ser fazer participante de todas as coisas boas aquele que o instrui. Ser participante de todas as coisas boas era receber b\u00ean\u00e7\u00e3os materiais que lhe permitissem ter vida digna. Paulo fala do direito ao sustento n\u00e3o s\u00f3 a si, mas a sua fam\u00edlia caso tivesse se casado: \u201cn\u00e3o temos n\u00f3s o direito de comer e beber? E tamb\u00e9m o de fazer-nos acompanhar de uma mulher irm\u00e3, como fazem os demais ap\u00f3stolos e os irm\u00e3os do Senhor e Cefas? Ou somente eu e Barnab\u00e9 n\u00e3o temos o direito de deixar de trabalhar?\u201d (I Co. 9. 4 a 6). Ele argumenta em favor de tal direito dizendo que o obreiro \u00e9 digno do seu sal\u00e1rio: \u201cQuem jamais vai \u00e0 guerra \u00e0 sua pr\u00f3pria custa? Quem planta a vinha e n\u00e3o come do seu fruto? Ou quem apascenta um rebanho e n\u00e3o se alimenta do leite do rebanho?\u201d(v. 7); que este direito \u00e9 prescrito pelo Antigo Testamento: \u201cPorventura, falo isto como homem ou n\u00e3o o diz tamb\u00e9m a lei? Porque na lei de Mois\u00e9s est\u00e1 escrito: \u201cN\u00e3o atar\u00e1s \u00e0 boca ao boi, quando pisa o trigo. Acaso, \u00e9 com bois que Deus se preocupa? Ou \u00e9, seguramente, por n\u00f3s que ele o diz? Certo que \u00e9 por n\u00f3s que est\u00e1 escrito; pois o que lavra cumpre faze-lo com esperan\u00e7a; o que pisa o trigo fa\u00e7a-o na esperan\u00e7a de receber a parte que lhe \u00e9 devida\u201d (v. 8 a 10); que este direito se baseia no princ\u00edpio da justi\u00e7a: \u201cSe n\u00f3s vos semeamos as coisas espirituais, ser\u00e1 muito recolhermos de v\u00f3s bens materiais? Se outros participam desse direito sobre v\u00f3s, n\u00e3o o temos n\u00f3s em maior medida?&#8230;\u201d (v. 11, 12a); e que o Senhor Jesus ordenou que os que pregam o evangelho devem viver do evangelho: \u201cassim ordenou tamb\u00e9m o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho;\u201d (v. 14).<br \/>\nO ministro deve receber por parte da Igreja as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para trabalhar e ter vida digna, ou seja, seus membros devem ser fi\u00e9is em suas contribui\u00e7\u00f5es como tributo ao Senhor: \u201cTributai ao SENHOR a gl\u00f3ria devida ao seu nome; trazei oferendas e entrais nos seus \u00e1trios.\u201d (Salmo 96.8); enquanto que a seus l\u00edderes compete a administra\u00e7\u00e3o destes recursos de tal modo que aquele que instrui seja feito participante de todas as coisas boas. No desempenho da responsabilidade de administrar os recursos \u00e9 preciso levar em conta o ensino b\u00edblico a respeito, ou seja, o d\u00edzimo deve ser aplicado para o que foi destinado. Deus instituiu o d\u00edzimo com o prop\u00f3sito de prover o sustento dos levitas e a benefic\u00eancia: \u201cAo fim de cada tr\u00eas anos, tirar\u00e1s todos os d\u00edzimos do fruto do terceiro ano e os recolher\u00e1s na tua cidade. Ent\u00e3o, vir\u00e3o o levita (pois n\u00e3o tem parte nem heran\u00e7a contigo), o estrangeiro, o \u00f3rf\u00e3o e a vi\u00fava que est\u00e3o dentro da tua cidade, e comer\u00e3o, e se fartar\u00e3o, para que o SENHOR, teu Deus, te aben\u00e7oe em todas as obras que as tuas m\u00e3os fizerem.\u201d (Dt. 14.28 e 29) Assim, quando os d\u00edzimos s\u00e3o aplicados em outros fins que n\u00e3o o minist\u00e9rio e a benefic\u00eancia (constru\u00e7\u00e3o e reformas, por exemplo), est\u00e3o sendo administrados de modo errado. Quantas vezes a igreja deixa de fazer daquele que a instrui participante das coisas boas ou porque seus membros s\u00e3o infi\u00e9is ou porque seus l\u00edderes aplicam o d\u00edzimo em coisas para as quais ele n\u00e3o foi destinado e agindo assim a Igreja deixa de desfrutar da b\u00ean\u00e7\u00e3o do Senhor, pois o texto diz que \u00e9 preciso dizimar e aplic\u00e1-lo corretamente para que o Senhor a aben\u00e7oe.<br \/>\nO verdadeiro instrutor n\u00e3o desempenha seu trabalho por dinheiro como que buscando riqueza, seu alvo \u00e9 a gl\u00f3ria de Deus, a edifica\u00e7\u00e3o da Igreja. Ele procurar\u00e1 fazer seu trabalho sendo sustentado ou n\u00e3o (\u201ceu, por\u00e9m, n\u00e3o me tenho servido de nenhuma destas coisas e n\u00e3o escrevo isso para que assim se fa\u00e7a comigo; porque melhor me fora morrer, antes que algu\u00e9m me anule esta gl\u00f3ria. Se anuncio o evangelho, n\u00e3o tenho do que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obriga\u00e7\u00e3o; porque ai de mim se n\u00e3o pregar o evangelho!\u201d I Co. 9.15, 16), por\u00e9m a igreja fiel sustenta com o melhor que pode aquele que a instrui. Ela o faz porque \u00e9 grata a Deus e sabe que este \u00e9 o seu dever, o pr\u00f3prio Deus a incumbiu desta tarefa, mas tamb\u00e9m o faz por saber que \u00e9 um investimento para a sua pr\u00f3pria vida. Ministros que s\u00e3o participantes de todas as coisas boas, trabalham melhor e podem produzir mais. Podem se dedicar ao estudo tendo acesso ao que h\u00e1 de mais novo no conhecimento b\u00edblico teol\u00f3gico.<br \/>\nRecentemente um professor disse que se soltarmos um bal\u00e3o em um recinto fechado ele subir\u00e1 apenas at\u00e9 a altura do teto. Se quisermos que ele suba mais o teto precisar\u00e1 ser elevado. Ele comparou o ministro ao teto da Igreja de modo que os crentes s\u00f3 conseguir\u00e3o subir at\u00e9 onde ele est\u00e1, para que subam mais o ministro precisa subir.<br \/>\nAlgo interessante de se notar \u00e9 que na narrativa b\u00edblica de alguns avivamentos o fazer participante de todas as coisas boas aquele que instrui est\u00e1 presente.<br \/>\nNa reforma promovida por Ezequias ap\u00f3s mandar reabrir o templo, restabelecer o culto e celebrar a p\u00e1scoa o servi\u00e7o dos sacerdotes e dos levitas \u00e9 restabelecido: \u201cEstabeleceu Ezequias os turnos dos sacerdotes e dos levitas, turno ap\u00f3s turno, segundo o seu mister: os sacerdotes e levitas, para o holocausto e para as ofertas pac\u00edficas, para ministrarem e cantarem, portas a dentro, nos arraiais do SENHOR.\u201d (II Cr. 31.2). Ezequias restabelece tamb\u00e9m as contribui\u00e7\u00f5es que tornariam poss\u00edvel o sustento dos sacerdotes e levitas: \u201cAl\u00e9m disso, ordenou ao povo, moradores de Jerusal\u00e9m, que contribu\u00edsse com sua parte devida aos sacerdotes e aos levitas, para que pudessem dedicar-se \u00e0 Lei do SENHOR.\u201d (II Cr. 31.4)<\/p>\n<p>Chama a aten\u00e7\u00e3o o fato de que a resposta do povo foi positiva e tendo a b\u00ean\u00e7\u00e3o do Senhor reca\u00eddo sobre o povo houve sobra em abund\u00e2ncia: \u201cPerguntou Ezequias aos sacerdotes e aos levitas acerca daqueles mont\u00f5es. Ent\u00e3o, o sumo sacerdote Azarias, da casa de Zadoque, lhe respondeu; Desde que se come\u00e7ou a trazer \u00e0 Casa do SENHOR estas ofertas, temos comido e nos temos fartado delas, e ainda h\u00e1 sobra em abund\u00e2ncia; porque o SENHOR aben\u00e7oou ao seu povo, e esta grande quantidade \u00e9 o que sobra.\u201d (II Cr. 31.9, 10)<br \/>\nOutra narrativa que traz algo semelhante \u00e9 a da reforma promovida por Neemias. Ele restaurou a manuten\u00e7\u00e3o dos levitas que haviam abandonado seu posto por falta de sustento: \u201cTamb\u00e9m soube que os quinh\u00f5es dos levitas n\u00e3o se lhes davam, de maneira que os levitas e os cantores, que faziam o servi\u00e7o, tinham fugido cada um para o seu campo. Ent\u00e3o, contendi com os magistrados e disse: Por que se desamparou a Casa de Deus? Ajuntei os levitas e os cantores e os restitu\u00ed a seus postos. Ent\u00e3o, todo o Jud\u00e1 trouxe os d\u00edzimos dos cereais, do vinho e do azeite aos dep\u00f3sitos.\u201d (Ne. 13.10-12) Notem que a cobran\u00e7a de Neemias n\u00e3o recai sobre os levitas, mas sobre os magistrados (aqueles que tinham sobre seus ombros a responsabilidade da administra\u00e7\u00e3o) que s\u00e3o cobrados por permitirem tal situa\u00e7\u00e3o. E quantos ministros hoje sofrem quando a responsabilidade de faze-los participantes de todas as coisas boas n\u00e3o \u00e9 cumprida. Sofrem por n\u00e3o terem condi\u00e7\u00f5es de oferecer o melhor, por n\u00e3o terem acesso a ferramentas que melhor os habilitem para o servi\u00e7o, e em muitos casos por n\u00e3o terem o tempo necess\u00e1rio por precisarem lan\u00e7ar m\u00e3o de atividades seculares para prover o sustento de suas fam\u00edlias.<br \/>\nO Ap\u00f3stolo Paulo destaca em terceiro lugar o benefici\u00e1rio, aquele que deveria ser feito participante de todas as coisas boas. Estes s\u00e3o aqueles que instruem. Deus distribuiu dons aos seus filhos, dentre estes dons ele concedeu o dom do ensino.<br \/>\nEm Romanos 12.3 a 8 o Ap\u00f3stolo fala de diferentes dons e entre eles encontramos o do ensino: \u201cSe minist\u00e9rio, dediquemo-nos ao minist\u00e9rio; ou o que ensina esmere-se no faze-lo;\u201d (v. 7). Em Ef\u00e9sios 4.11 Paulo diz que Deus \u201cconcedeu uns para ap\u00f3stolo, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres\u201d. Todos estes tinham a responsabilidade de ensinar, eram instrutores do povo e seus dons objetivavam o aperfei\u00e7oamento dos santos (Ef. 4.12). S\u00e3o estes os benefici\u00e1rios da participa\u00e7\u00e3o em todas as coisas boas.<br \/>\nNos dois vers\u00edculos finais do texto que tomamos por base Paulo passa a sumariar o que acaba de dizer com refer\u00eancia ao atendimento \u00e0s necessidades dos ministros. Paulo Diz: \u201dN\u00e3o vos enganeis, de Deus n\u00e3o se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso tamb\u00e9m ceifar\u00e1\u201d. Diante de suas coloca\u00e7\u00f5es no verso 6 algu\u00e9m poderia dizer que nada pode fazer pois tem fam\u00edlia para cuidar, d\u00edvidas a saldar, ou ainda diriam que os seus ministros n\u00e3o s\u00e3o merecedores. Paulo refuta estas alega\u00e7\u00f5es lembrando que essa \u00e9 antes de mais nada uma responsabilidade para com Deus. A preocupa\u00e7\u00e3o primordial n\u00e3o \u00e9 o quanto amamos o ministro, mas o quanto amamos a Cristo e ao seu evangelho.<br \/>\nUm dos grandes problemas do homem \u00e9 entender que tudo o que se passa \u00e0s m\u00e3os de outros significa preju\u00edzo para si. Paulo trata esta quest\u00e3o colocando o sustento dos ministros como um investimento e n\u00e3o preju\u00edzo.<br \/>\nQuando fazemos do ministro participante de todas as coisas boas estamos lan\u00e7ando sementes. O Ap\u00f3stolo, na verdade mostra que de uma forma ou de outra estamos semeando, podemos semear para o esp\u00edrito ou para a carne. Semear para a carne \u00e9 preocupar-se com as coisas terrenas sem considera\u00e7\u00e3o pela vida futura. Semear para o esp\u00edrito \u00e9 olhar para o Reino de Deus, \u00e9 busca-lo em primeiro lugar: \u201cbuscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justi\u00e7a, e todas estas cousas vos ser\u00e3o acrescentadas.\u201d (Mt. 6.33).<br \/>\nOs que semeiam para a carne colher\u00e3o frutos corrupt\u00edveis ao passo que os que semeiam para o esp\u00edrito colher\u00e3o frutos incorrupt\u00edveis.<br \/>\nCristo nos exortou a n\u00e3o ajuntarmos tesouros na terra, mas no c\u00e9u: \u201cN\u00e3o acumuleis para v\u00f3s outros tesouros sobre a terra, onde a tra\u00e7a e a ferrugem corroem e onde ladr\u00f5es escavam e roubam; mas ajuntai para v\u00f3s outros tesouros no c\u00e9u, onde tra\u00e7a nem ferrugem corr\u00f3i, e onde ladr\u00f5es n\u00e3o escavam, nem roubam; porque, onde est\u00e1 o teu tesouro, a\u00ed estar\u00e1 tamb\u00e9m o teu cora\u00e7\u00e3o.\u201d (Mt. 6. 19-21). Como tem sido a sua semeadura? Onde seus tesouros tem sido depositados?<br \/>\nPaulo nesta passagem nos mostra que uma das formas de semearmos para a vida eterna \u00e9 investindo naqueles que Deus chamou para nos instruir. Isto come\u00e7a na sua forma\u00e7\u00e3o, investindo no semin\u00e1rio para que os candidatos ao minist\u00e9rio desfrutem de todas as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o seu desenvolvimento, e se estende aos ministros no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es. Estes precisam prosseguir em seus estudos, conforme prometeram atrav\u00e9s do compromisso assumido com Deus e sua Igreja no dia de sua formatura, eles precisam de condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Paulo diz que ningu\u00e9m vai a guerra a sua pr\u00f3pria custa, n\u00e3o planta vinha sem comer do seu fruto, nem apascenta um rebanho sem se alimentar do seu leite (I Co. 9.7). Deus providenciou os meios para que a Igreja seja instrumento de sustento destes ministros e n\u00f3s como Igreja n\u00e3o podemos nos furtar a esta responsabilidade. \u201cE n\u00e3o nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se n\u00e3o desfalecermos\u201d. G\u00e1latas 6.9<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(G\u00e1latas 6.6-8) Rev. Welerson Alves Duarte Desde o princ\u00edpio Deus estabeleceu l\u00edderes, pessoas que tinham a responsabilidade de conduzir, ensinar, instruir o povo. Inicialmente os patriarcas exerceram tal fun\u00e7\u00e3o liderando suas fam\u00edlias. Na sequ\u00eancia, a partir de Mois\u00e9s, Deus foi levantando homens para liderar seu povo. Profetas, sacerdotes e reis conduziram o povo do Senhor instruindo-os no caminho em que deviam andar. \u00c9 verdade, por\u00e9m, que nem sempre estes l\u00edderes foram fi\u00e9is ao Senhor e aos Seus preceitos. O Senhor Jesus, em seu minist\u00e9rio terreno, escolheu homens incumbindo-os especialmente da tarefa de ensino. Eles mesmos reconheceram isso pois os vemos declarando o seguinte: \u201c\u2026 N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel que n\u00f3s abandonemos a palavra de Deus para servir \u00e0s mesas\u2026 e, quanto a n\u00f3s, nos consagraremos \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao minist\u00e9rio da palavra\u201d (Atos 6.2, 4). 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