{"id":5992,"date":"2023-05-15T23:34:41","date_gmt":"2023-05-15T23:34:41","guid":{"rendered":"https:\/\/ipcb.org.br\/index\/?p=5992"},"modified":"2023-05-16T00:12:22","modified_gmt":"2023-05-16T00:12:22","slug":"pastoral-1943","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipcb.org.br\/index\/pastoral-1943\/","title":{"rendered":"PASTORAL 1943"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>PASTORAL \u2013 1943<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Rev. Francisco Augusto Pereira Junior<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Reunidos em S\u00e3o Paulo os membros do Presbit\u00e9rio Conservador, servos de Jesus Cristo, a todos os santos irm\u00e3os, sob sua jurisdi\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica e dispersos por diferentes regi\u00f5es do caro Brasil; Gra\u00e7a a v\u00f3s e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da de Jesus Cristo, nosso Salvador!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Amados!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tendo de dirigir-vos uma Carta Pastoral, pareceu-nos bem, ao influxo do Esp\u00edrito Santo, focalizar certos assuntos de palpitante atualidade, para despertar, para prevenir, para alentar, para confirmar, tudo em benef\u00edcio da edifica\u00e7\u00e3o espiritual e da prosperidade da Causa e do louvor de Deus, na gl\u00f3ria do seu amant\u00edssimo Filho; de modo que, sempre alerta, vigilantes sempre, n\u00e3o deserteis vossos postos de honra, antes, sobre a Rocha dos s\u00e9culos, sustenteis, altaneiro, o l\u00e1baro do Evangelho, \u201cpraticando a verdade em caridade\u201d. (Ef 4.15)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A GUERRA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quis a Sociedade das Na\u00e7\u00f5es acabar com a Guerra, mas ei-la que, na incuba\u00e7\u00e3o d vinte e quatro anos de marasmo, adquire espantosas energias e explode mais terr\u00edvel, em seus processos e na sua extens\u00e3o de \u00e2mbito mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um dos sinais dos tempos do Segundo Advento de Jesus, vem a ser o de uma profunda agita\u00e7\u00e3o no mar dos povos, ao impulso de \u00edndole belicosa: \u201cGuerras e rumores de guerras\u201d e \u201cse levantar\u00e1 na\u00e7\u00e3o contra na\u00e7\u00e3o e reino contra reino\u201d \u2013 diz o Senhor (Mt 24.6,7). Culminar\u00e1 essa t\u00e3o deplor\u00e1vel qu\u00e3o calamitosa situa\u00e7\u00e3o internacional, na grande Guerra do Har-Magedon, que est\u00e1 registrada nestes termos: \u201cVi saindo da boca do Drag\u00e3o e da boca da Besta e da boca do Falso Profeta, tr\u00eas esp\u00edritos imundos, semelhantes a r\u00e3s, pois estes s\u00e3o esp\u00edritos de dem\u00f4nios, fazendo milagres, que saem ao encontro dos reis do mundo inteiro, para os ajuntar para a guerra do grande Dia de Deus todo-poderoso&#8230; . Eles os ajuntar\u00e3o no lugar chamado, em hebraico, Har-Magedon\u201d (Ap 16.13-16). Ser\u00e1 essa, possivelmente, a \u00faltima guerra, j\u00e1 porque \u00e9 \u201ca Guerra do grande Dia de Deus\u201d, j\u00e1 porque se intentar depois dela, o Mil\u00eanio, abortar\u00e1 e n\u00e3o passar\u00e1 de mera tentativa, como se depreende da informa\u00e7\u00e3o b\u00edblica: \u201cQuando forem cumpridos os mil anos, Satan\u00e1s ser\u00e1 solto da sua pris\u00e3o e sair\u00e1 a seduzir as na\u00e7\u00f5es que est\u00e3o nos quatro cantos da terra: a Gogue e Magogue e a reuni-las para a guerra, cujo n\u00famero \u00e9 como a areia do mar. Subiram sobre a largura da terra e cercaram o acampamento dos santos e a cidade querida. Mas desceu fogo do c\u00e9u e os devorou.\u201d (Ap 20.7-10)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em face do terrorismo e descalabro da guerra atual, que confortadora n\u00e3o \u00e9 a certeza de que vir\u00e1 um tempo \u00e1ureo, em que n\u00e3o haver\u00e1 mais guerra para ensanguentar o mundo, em hecatombe apavorante, e a afligir os indiv\u00edduos! Refulge essa esperan\u00e7a, neste vatic\u00ednio de Isa\u00edas: \u201cE nos \u00faltimos dias, estar\u00e1 preparado o monte da Casa do Senhor, no cume dos montes&#8230; da suas espadas forjar\u00e3o relhas de arados; e das suas lan\u00e7as, foices: n\u00e3o levantar\u00e1 a espada, na\u00e7\u00e3o contra na\u00e7\u00e3o, nem da\u00ed em diante se adestrar\u00e3o mais para a guerra.\u201d (Is 2.4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 At\u00e9 l\u00e1, cumpre que, como crentes e como igreja, pratiquemos, sem desfalecer, o minist\u00e9rio sagrado da ora\u00e7\u00e3o, tendo em alto apre\u00e7o a palavra apost\u00f3lica: \u201cExorto, pois, antes de tudo, que se fa\u00e7am s\u00faplicas, ora\u00e7\u00f5es, intercess\u00f5es, a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7as por todos os homens, pelos reis e pelos que est\u00e3o em elevados em dignidade, para que vivamos uma vida sossegada e tranq\u00fcila, em toda a piedade e honestidade.\u201d (1Tm 2.1,2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E, assim, fruto da ora\u00e7\u00e3o, aben\u00e7oar\u00e1 Deus a seu povo com a paz (Sl 29.11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A B\u00cdBLIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Precisamos de precaver-nos contra as perigosas investidas do Modernismo, visando demolir a cren\u00e7a na Escritura Sagrada como Palavra de Deus. Devemos colocar-nos ao lado de Pedro e sustentar, com ele, que ela foi escrita por homens movidos pelo Esp\u00edrito Santo (2Pe 1.21). Cumpre, outrossim, n\u00e3o olvidar sua exorta\u00e7\u00e3o oportuna: \u201cE tende por salva\u00e7\u00e3o a longanimidade de nosso Senhor, como o nosso amado irm\u00e3o Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; como faz tamb\u00e9m em todas as suas epistolas, falando disto nelas, nas quais h\u00e1 algumas coisas dif\u00edceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, como o fazem tamb\u00e9m com as demais Escrituras, para a sua perdi\u00e7\u00e3o.\u201d (2Pe 3.15,16)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Devemos ler com rever\u00eancia e esp\u00edrito piedoso, esse Livro, Rei dos livros. Certo \u00e9 que encerra trechos estranh\u00e1veis a luz dos nossos dias, mas trechos que se explicam razoavelmente pelos costumes dos dias em que foram escritos. \u201cTudo \u00e9 puro para os que s\u00e3o puros; mas, para os corrompidos e incr\u00e9dulos, n\u00e3o h\u00e1 nada puro&#8230;\u201d (Tt 1.15). Encerra tamb\u00e9m mist\u00e9rios, e, diante deles, curvar-nos-emos humildemente, deixando-os nas m\u00e3os de Deus e aplicando a n\u00f3s, o significativo conceito da palavra do Mestre, ante a ins\u00f3lita curiosidade dos disc\u00edpulos: \u201cN\u00e3o \u00e9 da vossa conta saber os tempos nem os momentos que Deus o Pai reservou ao seu poder.\u201d (At 1.7). Mas, depois de tudo, encerra um oceano imenso de verdades claras, ora simples, ora profunda; oceano, cujas vagas inundam as almas de b\u00ean\u00e7\u00e3os inestim\u00e1veis, distribu\u00eddas em instru\u00e7\u00f5es; em conselhos e promessas e esperan\u00e7as fascinadoras, para est\u00edmulos superiores no transcorrer da vida fugaz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Seja, ent\u00e3o, a B\u00edblia para n\u00f3s, n\u00e3o s\u00f3 o Livro de Deus, mas um livro aberto para a leitura, para a medita\u00e7\u00e3o! A seu esplendor, faremos, segura, nossa jornada ascendente, da terra para o c\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>OS V\u00cdCIOS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cTortuoso \u00e9 o caminho daquele que \u00e9 carregado de v\u00edcios\u201d (Pv 21.8). Libertados moral e espiritualmente por Cristo, deveis conservar-vos emancipados de todos os v\u00edcios e nunca submeter-vos a seu jugo degradante, por vezes nefando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O v\u00edcio do <strong>fumo<\/strong>, que parece o menos nocivo dos v\u00edcios, \u00e9 detest\u00e1vel: sobre repugnante, \u00e9 venenoso. O indiv\u00edduo que fuma ou masca ou toma rap\u00e9 ou usa o fumo por um desses tr\u00eas processos, se envenena lentamente, tragando com a fuma\u00e7a, a nicotina, \u201calcal\u00f3ide org\u00e2nico venenoso, que se extrai do tabaco\u201d ou fumo. Basta soprar a fuma\u00e7a contra uma parede caiada, para se verificar praticamente, a dose avultada de nicotina que cont\u00e9m: abre-se, na alvura da cal, mancha escura de sarro saturado daquele alcal\u00f3ide. Imagine-se agora quantas manchas daquele tipo n\u00e3o se formam no organismo do fumante, com a fuma\u00e7a dos cigarros que fuma atrav\u00e9s de anos! Sumidades m\u00e9dicas, que t\u00eam estudado cientificamente o assunto, afirmam que, em cem casos de cancro, noventa e dois soa provenientes do uso do fumo.]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O v\u00edcio do <strong>jogo<\/strong> \u00e9 um sorvedouro; n\u00e3o h\u00e1 dinheiro suficiente para abastecer o jogador inveterado. Gasta o que \u00e9 seu e gasta o que \u00e9 alheio, que esteja em seu poder. Al\u00e9m disso, ningu\u00e9m sensato confiar\u00e1 emprego de responsabilidade ao escravo do jogo. \u201cPelo fruto se conhece a \u00e1rvore\u201d (Mt 12.33). P\u00e9ssimo o fruto do jogo, sua \u00e1rvore \u00e9 p\u00e9ssima&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O v\u00edcio do <strong>\u00e1lcool <\/strong>\u00e9 dos peores: prejudica o trabalho, sacrifica a saude, perturba o senso, consome a fortuna e promove o crime e semeia a mis\u00e9ria, em quadros desoladores. N\u00e3o se busque no milagre de Cristo, convertendo \u00e1gua em vinho, nas Bodas de Can\u00e1 (Jo 2.1ss), escusa para o v\u00edcio da embriaguez. O vinho feito por Jesus teria sido sem \u00e1lcool, pois n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel que favorecesse a embriaguez, entre os judeus, que combatiam em seus costumes temperantes, embora n\u00e3o abstinentes. Sabe-se que havia defici\u00eancia de carne e verdura para a alimenta\u00e7\u00e3o na Palestina. Por isso usavam o vinho e o p\u00e3o para substituir tal defici\u00eancia. Cumpre advertir que o vinho comum dos judeus continha s\u00f3 o \u00e1lcool natural da uva fermentada que \u00e9 diminuto: n\u00e3o era sobrecarregado de \u00e1lcool adicionado em alta dose, como o do nosso com\u00e9rcio. Era com esse vinho de pouco \u00e1lcool que obsequiavam os h\u00f3spedes, especialmente nas reuni\u00f5es festivas. E, o que \u00e9 not\u00e1vel e edificante, \u00e9 que apesar do pouco \u00e1lcool que o vinho continha, tomavam s\u00e9rias medidas de precau\u00e7\u00e3o contra a embriagues. Na P\u00e1scoa, por exemplo, havia \u00e1gua quente para ser misturada com o vinho que ia ser usado na solenidade. Havia tamb\u00e9m, nas festas e solenidades, um presidente que determinava a propor\u00e7\u00e3o da \u00e1gua que devia ser misturada com o vinho e quantidade que cada conviva podia tomar. Fazia ele solenes advert\u00eancias no sentido de ningu\u00e9m se embriagar por outros meios. J\u00e1 se v\u00ea que o vinho feito por Cristo, tido por superior ao de outro de melhor qualidade, em uso, pelo testemunho do presidente, n\u00e3o conteria \u00e1lcool algum. Fica assim varrida a hipotese tendenciosa de bebida embriagante no milagre de Cristo. O caminho da prud\u00eancia \u00e9 este: Evitar o uso para evitar o abuso. Conta-se que um mo\u00e7o come\u00e7ou a beber bebida alco\u00f3lica com \u00e1gua, passou a beb\u00ea-la sem \u00e1gua e terminou seus dias, bebendo-a com \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O MUNDANISMO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cEste mundo est\u00e1 posto no Maligno\u201d, diz o Ap\u00f3stolo Jo\u00e3o (1Jo 5.19). Por isso os crentes puritanos devem abster-se de acompanh\u00e1-lo cegamente, incondicionalmente. S\u00e3o incompat\u00edveis com a vida crist\u00e3, na beleza de sua santidade, os seus h\u00e1bitos de gozos materiais pecaminosos e as suas distra\u00e7\u00f5es e divers\u00e3o da mesma natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9-lhes impr\u00f3prio o <strong>cinema<\/strong>, cujas fitas n\u00e3o s\u00e3o selecionadas pelo prisma da moral e da Religi\u00e3o de Cristo. Quando as fitas s\u00e3o naturais, educativas, hist\u00f3ricas, geogr\u00e1ficas, tudo vai bem; mas quando descambam para terreno escabroso, tudo vai mal; a situa\u00e7\u00e3o chega a reclamar a interven\u00e7\u00e3o das autoridades, pela censura. Mesmo assim, h\u00e1 exibi\u00e7\u00f5es vedadas \u00e0s crian\u00e7as e senhoras!&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As <strong>dan\u00e7as!<\/strong> Que dizer das dan\u00e7as? Pela linguagem de baixo cal\u00e3o dos cantos chulos e maliciosos dos <strong>sambas<\/strong>, atrav\u00e9s dos r\u00e1dios, se pode aquilatar do pernicioso e delet\u00e9rio da sua influ\u00eancia sobre as massas populares. No <strong>baile<\/strong> tem a sociedade hodierna, em sua esfera m\u00e9dia e na elevada, a sua divers\u00e3o predileta. Pretendem justific\u00e1-lo com alega\u00e7\u00e3o de que \u00e9 \u00fatil, com base na calist\u00ednia ou cole\u00e7\u00e3o de preceitos gin\u00e1sticos, para efeito est\u00e9tico e higi\u00eanico. Outros v\u00e3o buscar apoio na B\u00edblia, nos casos de Miriam \u00e0s praias do Mar Vermelho (Ex 15.21,22) e de Davi frente da arca (1Cro 15.29). Mas n\u00e3o prevalecem tais raz\u00f5es. O motivo real ficou escondido: \u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o da concupisc\u00eancia da carne, pela aproxima\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos de ambos os sexos, que a dan\u00e7a proporciona. Se se tratasse de mero exerc\u00edcio, os bailes se realizariam diariamente nos lares, no seio das pr\u00f3prias fam\u00edlias. Quanto \u00e0s dan\u00e7as antigas, entre o povo de Deus, eram s\u00f3 de uma pessoa, ou de pessoas s\u00f3 do mesmo sexo e n\u00e3o como as de hoje, entre indiv\u00edduos dos dois sexos. Cumpre observar que os casos de Miriam e Davi, foram atos religiosos e n\u00e3o divertimentos profanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas, no mar do mundanismo, sobressai, escandaloso, o <strong>Carnaval<\/strong>. Provem o termo de duas palavras latinas: <strong>caro<\/strong>, que quer dizer: carne; e <strong>vale<\/strong>, de forma verbal, que significa \u201ctenha sa\u00fade\u201d; e que se usava, em latim, nas despedidas, como o nosso <strong>adeus<\/strong>. Assim; <strong>Carne, adeus!<\/strong> \u00c9 que, durante a quaresma, os romanistas n\u00e3o comiam carne; e, por isso, nos tr\u00eas dias que a precediam, despedindo-se dela, afinal, por quarenta dias, com a palavra <strong>Carnaval<\/strong>, ou: Carne, adeus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Corrobora essa explica\u00e7\u00e3o, o fato de que considerar o Carnaval como sin\u00f4nimo de <strong>Entrudo<\/strong>, que \u00e9 o intr\u00f3ito da quaresma. Da circunst\u00e2ncia aludida, o sentido pejorativo de sensualidade, nos excessos da carnalidade, da orgia, da bestialidade desenfreada, nos tr\u00eas dias consagrados a Momo, \u201cfilho do Sono e da Noite, deus da far\u00e7a e ditos chistosos entre os antigos: o deus do Carnaval\u201d. \u00c9, sim, o Carnaval uma deplor\u00e1vel adapta\u00e7\u00e3o das festas lascivas, impudicas, imorais do paganismo desvairado, festas essas denominadas \u2013 <strong>bacanais, lupercais, saturnais, festa do burro, festa dos loucos.<\/strong> N\u00e3o se pode julgar moralmente o Carnaval, s\u00f3 pelas vestimentas e fantasias estravagantes, nem t\u00e3o pouco pelas suas diabruras rid\u00edculas, que indicariam apenas mau gosto ou falta de gosto e que poderiam ser levadas a conta de futilidades de esp\u00edritos fr\u00edvolos: deve ser julgado especialmente por seus motivos e conseq\u00fc\u00eancias. Brota da concupisc\u00eancia, quer satisfazer a concupisc\u00eancia, e as conseq\u00fc\u00eancias s\u00e3o funestas: enxovalham a Religi\u00e3o e tripudiam sobre a honra, e tripudiam sobre a moral, abrindo um caudal de mis\u00e9rias; e s\u00e3o os adult\u00e9rios, e s\u00e3o as desonras em escalas apavorantes&#8230; . O aspecto econ\u00f4mico \u00e9 uma calamidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A\u00ed est\u00e3o, de relance, algumas das facetas do mundanismo, em seus desvarios e prazeres fementidos e funestos. Guardai-vos, pois, irm\u00e3os, guardai-vos dos seus males de graves conseq\u00fc\u00eancias. \u201cN\u00e3o rogo que os tires do mundo\u201d \u2013 orou o Senhor \u2013 \u201cmas que os guardes do mal.\u201d (Jo 17.15). Recrea\u00e7\u00f5es, moralmente s\u00e3s podem e devem ser cultivadas com proveito, par atender aos justos reclamos da mocidade evang\u00e9lica: piqueniques, brincadeiras sociais inocentes, o mais que, no mesmo sentido, edifica e diverte e distrai, s\u00e3o expedientes ou recursos l\u00edcitos que preenchem aquela finalidade superior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A APOSTASIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Onde o trigo, a\u00ed o joio (Mt 13.25). N\u00e3o somos pessimistas: somos \u00e9 prudentes e encaramos os fatos, n\u00e3o unilateral, mas bilateralmente. Contemplamos, desvanecidos, o lourejar da Seara Santa. Derramam as Denomina\u00e7\u00f5es Evang\u00e9licas, por toda parte, seus denodados obreiros, que se cruzam, em atividade febril, pelas cidades e vilas e aldeias e fazendas e s\u00edtios, na vastid\u00e3o do territ\u00f3rio p\u00e1trio. E os templos se erguem, humildes ou vistosos, e as igrejas e congrega\u00e7\u00f5es se organizam e multiplicam. A mocidade, a despeito das contig\u00eancias humanas, que abrem lamentavelmente brechas, desponta, viceja, floresce e se prepara e permeia, qual bom fermento, a massa das diferentes camadas sociais. Reproduz-se aos nossos olhos maravilhados, o prod\u00edgio de Elias, quer no azeite de almotolia, que na farinha da panela, para sustento dos que, idealistas consagrados, mourejam, arrostando o peso e a calma do dia. Grandes, pois, as b\u00ean\u00e7\u00e3os recebidas; maiores, renovadas, multiplicadas, aquelas com que nos acenam as possibilidades dessa bendita sementeira em terreno fecundo. Cumpre, entretanto, cumpre que, fascinados com esse quadro estupendo, que tanto tem de soberbo quanto de promissor, n\u00e3o nos esque\u00e7amos de grave perigo: o do abismo que Satan\u00e1s pode cavar-nos pela retaguarda, qual seja o da Apostasia profetizada para os \u00faltimos dias. Meditemos sobre ela, para nos guardarmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Apostasia<\/strong> \u2013 \u00e9 o abandono consciente da f\u00e9. Difere do <strong>erro<\/strong>, que pode ser fruto da ignor\u00e2ncia (At 19.1-6); e, da <strong>heresia<\/strong>, que pode ser conseq\u00fc\u00eancia de ardil de Satan\u00e1s (2Ts 2.25,26). Os ap\u00f3statas renegam a f\u00e9, mas podem continuar a professar nominalmente o Cristianismo, ostentando apar\u00eancia de piedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma grande apostasia aguarda a Igreja e ser\u00e1 marcante dos \u00faltimos dias. \u201cNingu\u00e9m vos engane\u201d \u2013 escreve o Ap\u00f3stolo \u2013 \u201cningu\u00e9m vos engane, porque o dia n\u00e3o chegar\u00e1, sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem da iniq\u00fcidade, o filho da perdi\u00e7\u00e3o.\u201d (2Ts 2.3). Essa apostasia come\u00e7ar\u00e1 por <strong>alguns<\/strong> (1Tm 4.1), dominar\u00e1 a <strong>muitos<\/strong> (Mt 24.5,11), e terminar\u00e1 pondo em s\u00e9rio perigos a <strong>todos<\/strong>, como se deduz das seguintes declara\u00e7\u00f5es de Cristo: \u201chaver\u00e1, ent\u00e3o, grande tribula\u00e7\u00e3o, tal como nunca houve desde o princ\u00edpio do mundo at\u00e9 agora, nem haver\u00e1 jamais. Se n\u00e3o se abreviassem aqueles dias, ningu\u00e9m se salvaria; mas, por amor dos escolhidos s\u00e3o em pequeno n\u00famero\u201d (Mt 24.14); representar\u00e3o a Igreja, na sua parte s\u00e3, n\u00e3o ap\u00f3stata, e as portas do inferno n\u00e3o prevalecer\u00e3o contra ela (Mt 16.18) e escapar\u00e3o \u00e0 grande Tribula\u00e7\u00e3o e Apostasia pelo arrebatamento (1Te 4.17). Por isso, quando Jesus vier, n\u00e3o encontrar\u00e1 f\u00e9 na terra, onde campear\u00e1 a impiedade e a Apostasia. (Lc 18.8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Alerta, irm\u00e3os! Na tela da Cristandade j\u00e1 se esbo\u00e7a, amea\u00e7ador, o quadro t\u00e9trico da Apostasia predita. Uma grande crise doutrin\u00e1ria vem inquietando a Igreja, de longa data. O evangelho social com \u00eanfase sobre o de Cristo; o Ecumenismo, que constr\u00f3i sobre o afrouxamento dos princ\u00edpios doutrin\u00e1rios, visando a uni\u00e3o dos ramos ap\u00f3statas e n\u00e3o \u2013 ap\u00f3statas do Cristianismo, s\u00e3o sintomas alarmantes daquela grande Apostasia. J\u00e1 o Rev. Eduardo Carlos Pereira bradava, na eloq\u00fc\u00eancia do seu verbo privilegiado: \u201cNingu\u00e9m ignora que a \u201capostasia\u201d campeia no seio da Cristandade&#8230; apostasia na doutrina como na pr\u00e1tica, tanto no conhecimento de Deus, como na obedi\u00eancia ao Evangelho. A pr\u00f3pria guerra veio por a descoberto esta deser\u00e7\u00e3o geral, pois ela mesma \u00e9 uma flagrante apostasia da lei fundamental do amor crist\u00e3o. O elemento vivo, \u201cpequeno n\u00famero\u201d, de que fala o Senhor, agrilhoado, encarcerado, luta, impotente, contra a corrente ap\u00f3stata, anunciada para os tempos perigosos dos \u00faltimo dias.\u201d (1Tm 4.1; 2Tm 3.1) (Os Sinais dos Tempos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Guardemos, pois, a preciosa li\u00e7\u00e3o do preclaro servo de Deus. \u201cCuidai, irm\u00e3os, que n\u00e3o haja, porventura, em algum de n\u00f3s, um cora\u00e7\u00e3o perverso de incredulidade, em apostatar do Deus vivo.\u201d (Hb 3.12)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NOSSA BANDEIRA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao vendaval das d\u00favidas e incertezas doutrinais, flutua, segura e serena, a bandeira conservadora, ind\u00edcio promissor do alvorecer das rea\u00e7\u00f5es salutares pela pureza e integridade da \u201cf\u00e9 uma vez dada aos santos\u201d. Flutua e concita a surtos her\u00f3icos por Cristo e pela Igreja. Sustent\u00e1-la hasteada, sem desfalecimento, e honr\u00e1-la com procedimento condigno: eis o nosso dever!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Professamos a f\u00e9 e prometemos fidelidade at\u00e9 a morte. Sejamos, ent\u00e3o, leais a esse compromisso sagrado. Bem nos ir\u00e1 assim. Jamais nos deixemos levar por todo vento de doutrinas (Ef 4.14) nem sigamos o mau exemplo dos que, repelindo a f\u00e9 e uma boa consci\u00eancia, naufragam espiritualmente (1Tm 1.19), abra\u00e7ando evangelho diferente do de Cristo (Gl 1.6). Cumpre, outrossim, falar de tal sorte e de tal proceder. (Tg 1.16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Retemperemos, sim, retemperemos nossas energias morais e espirituais, com a gra\u00e7a divina, e erguendo nossas cabe\u00e7as, busquemos ser na ordem espiritual, o que s\u00e3o na ordem material, as deslumbrantes constela\u00e7\u00f5es, que pontilham, de luminares corruscantes, o firmamento, na escurid\u00e3o da noite (Fl 2.15). Assim, viveremos o Evangelho e assim honraremos nossa Bandeira Conservadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Amados em Cristo, \u201cSe sabeis estas coisas, bem-aventurados sereis, se as praticardes.\u201d (Jo 15.17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nosso amor \u00e9 por v\u00f3s, em Jesus Cristo, nosso Salvador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francisco Augusto Pereira Junior<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Armando Pinto de Oliveira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafael Pages Camacho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o R. Bicas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bento Ferraz<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alfredo Al\u00edpio do Vale<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00f4nathas Pereira Coutinho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ant\u00f4nio Euclides Cavalheiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hor\u00e1cio Bueno Gon\u00e7alves<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Luiz da Silva<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flor\u00eancio Fernandes Reis<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz Jorge<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro Buerin<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Luiz d\u2019Almeida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joaquim Sebasti\u00e3o Souza Melo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Izoraldo Martins Coelho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amavio Rosa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abilio Costa Ribeiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Az\u00f4r Jos\u00e9 Rodrigues<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adelino Rodrigues de Oliveira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Avelino de Souza Morais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro Martins<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hor\u00e1cio Pereira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Salom\u00e3o Pereira de Carvalho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PASTORAL \u2013 1943 Rev. Francisco Augusto Pereira Junior \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Reunidos em S\u00e3o Paulo os membros do Presbit\u00e9rio Conservador, servos de Jesus Cristo, a todos os santos irm\u00e3os, sob sua jurisdi\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica e dispersos por diferentes regi\u00f5es do caro Brasil; Gra\u00e7a a v\u00f3s e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da de Jesus Cristo, nosso Salvador! \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Amados! \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tendo de dirigir-vos uma Carta Pastoral, pareceu-nos bem, ao influxo do Esp\u00edrito Santo, focalizar certos assuntos de palpitante atualidade, para despertar, para prevenir, para alentar, para confirmar, tudo em benef\u00edcio da edifica\u00e7\u00e3o espiritual e da prosperidade da Causa e do louvor de Deus, na gl\u00f3ria do seu amant\u00edssimo Filho; de modo que, sempre alerta, vigilantes sempre, n\u00e3o deserteis vossos postos de honra, antes, sobre a Rocha dos s\u00e9culos, sustenteis, altaneiro, o l\u00e1baro do Evangelho, \u201cpraticando a verdade em caridade\u201d. 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