PASTORAL 1940
16 de maio de 2023
PASTORAL 1940
16 de maio de 2023
PASTORAL 2025

PASTORAL DA ASSEMBLÉIA GERAL 2025

Amados irmãos

 Nossa igreja, há 85 anos, tem caminhado nos passos dos nossos pais fundadores, os quais, diante de uma sutil ameaça doutrinária, posicionaram-se contra aqueles que, sorrateiramente, tentavam minar a fé bíblica, a saúde espiritual da igreja e os nossos símbolos de fé, a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos. Além da negação da verdade bíblica, os pilares do presbiterianismo histórico — dos quais somos herdeiros — também estavam sendo ameaçados, como ainda hoje se percebe na denominação que outrora foi a nossa seara. Mas Deus, em sua infinita graça e soberana providência, levantou irmãos fiéis, de caráter probo e devidamente capacitados, que, com piedosa perspicácia, perceberam o grave perigo que ameaçava a sã doutrina e a unidade da igreja.

Corajosamente, e sem titubear, mantendo a fé e a boa consciência, os conservadores travaram o bom combate, “batalhando pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”. Reafirmaram nossa convicção no poder redentor do sangue de Cristo e defenderam, sem temor, a doutrina da condenação eterna para aqueles que rejeitam o amor de Deus revelado na pessoa e na obra de Cristo Jesus. Destemidamente, colocaram-se ao lado dos que professam a Fé Reformada e que adotam o calvinismo como sistema e método de interpretação das Sagradas Escrituras, e enfatizaram a importância de uma vida piedosa e devotada a Cristo Jesus.

Com tal postura, legaram-nos uma igreja rigorosamente ortodoxa — um ensino reto, mediante o qual toda instrução, opinião e práticas devem ser julgadas. Nossos irmãos zelaram pelas doutrinas bíblicas e mantiveram firme a convicção na veracidade do presbiterianismo histórico como o único sistema de governo compatível com as Escrituras Sagradas. Eles alçaram a bandeira do conservadorismo bíblico no Brasil, formando assim a nossa amada denominação: a Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil — um ramo da igreja de Cristo.

Com a graça de Deus, até aqui temos permanecido firmes nessa trilha bendita. Deus, por meio de nossos pais, nos legou uma nobre missão: a de servir a seu Filho Jesus Cristo em nossa pátria amada. Confiou-nos a preservação da fiel pregação do Evangelho bíblico e a promoção de uma cosmovisão cristã reformada em nossa seara e em nosso país.

Sim, fomos abençoados com uma nobre missão, mas também pesa sobre nossos ombros uma grande responsabilidade. Estamos em um período da história denominado pós-modernidade, caracterizado pelo individualismo, consumismo, fragmentação da realidade, busca por experiências, valorização do efêmero, crítica à razão, multiplicidade de estilos, relativização da verdade e desprezo pelas tradições.

Diante do exposto, a reflexão que propomos — à luz da nossa história conservadora, dos acontecimentos do último quadriênio e do momento atual — é a seguinte: o ministério pastoral que temos desenvolvido junto às nossas igrejas e, de modo geral, em nossa denominação, tem se mantido fiel às Escrituras e qualificado por elas? Estamos, de fato, em conformidade com os parâmetros bíblicos? Temos honrado a nossa herança reformada?

Um Ministério Qualificado pelas Escrituras

Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra, — que variadas perseguições tenho suportado! De todas, entretanto, me livrou o Senhor. Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.”   (2 Timóteo 3.10-12).

Uma Breve Contextualização da Segunda Carta a Timóteo

A carta foi escrita por Paulo, no ano 67 d.C., de uma prisão fria e solitária em Roma. Paulo tinha dois propósitos principais ao redigir a Segunda Carta a Timóteo: 1) Convidar Timóteo a vir ao seu encontro em Roma o mais rápido possível, tendo em vista sua morte iminente (cf. 4.9, 21 com 4.6-8); 2) Dar a Timóteo encorajamento pessoal para o ministério pastoral, admoestando-o a permanecer firme na sã doutrina, a defendê-la contra todo tipo de erro, a ter cuidado com os falsos mestres que estavam surgindo em seus dias, a suportar as dificuldades como um bom soldado de Cristo, e a compreender que vivemos em tempos de crescente apostasia.

Embora seja uma carta pessoal dirigida a Timóteo, ao lermos com atenção percebemos que Paulo também visava outros leitores. Nela, notamos o profundo amor cristão e a preocupação do apóstolo com o evangelho de Cristo, com o pastoreio que agrada a Deus e com as igrejas de maneira geral.

A resposta para a pós-modernidade é que um ministério qualificado pelas Escrituras e que agrada a Deus, se Mantem firme:

  1. A Unidade Doutrinária de Acordo com as Escrituras

“Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino”

Entre os anos 52–67, Timóteo foi ensinado, preparado e treinado por Paulo, de forma direta e indireta (cf. 2 Timóteo 2.2). Ele ouviu, aprendeu e viu em e de Paulo o puro e verdadeiro evangelho bíblico, concernente aos assuntos do Reino de Deus em Cristo Jesus (cf. 2 Timóteo 1.8-14). As boas novas centradas na pessoa e na obra de Cristo, nascido das páginas das Sagradas Escrituras do Antigo Testamento. Consumada em Cristo, testemunhada, confirmada e aplicada à Igreja pelo Espírito Santo, mediante a pregação e o ensino dos apóstolos escolhidos pelo próprio Senhor Jesus Cristo (cf. Romanos 1.1, 2; Atos 1.1,2; 2 Timóteo 3.16).

De Paulo, Timóteo aprendeu de perto que toda a Escritura é a Palavra de Deus (cf. 2 Timóteo 3.16-17). Aprendeu sobre a doutrina da pessoa e da obra de Cristo, incluindo sua humanidade e divindade (cf. 1 Timóteo 3.16; 2 Timóteo 2.8). Aprendeu também sobre a salvação somente pela graça (cf. 2 Timóteo 1.9), sobre a eleição eterna dos santos em Cristo (cf. 2 Timóteo 2.10), sobre a justificação pela fé somente em Cristo (cf. Romanos 5.1), sobre a união dos crentes com Cristo Jesus (cf. 2 Timóteo 2.11), e sobre a perseverança dos santos (cf. 2 Timóteo 1.12). Aprendeu sobre o governo da igreja por representação (cf. 1 Timóteo 3.1-13), sobre Cristo como Salvador e único mediador entre Deus e os homens (cf. 1 Timóteo 2.5-6) e sobre as implicações passadas, presentes e futuras dessas verdades para a vida pastoral e para a vida da Igreja de modo geral (cf. 1 Timóteo 3.14-16).

Paulo também ensinou que aqueles que a negam e rejeitam o evangelho bíblico recebem de Deus à condenação e o tormento eternos (cf. 2 Timóteo 3.13). Em contrapartida, os crentes em Cristo são herdeiros da imortalidade e da vida eterna (cf. 2 Timóteo 1.1-2, 10). Timóteo aprendeu a viver em íntima e plena comunhão com Cristo Jesus, baseando-se inteiramente nas doutrinas bíblicas ensinadas pelo grande apóstolo dos gentios (2 Timóteo 2.1). Timóteo aprendeu e experimentou que nas doutrinas bíblicas encontramos restauração para alma, sabedoria, plenitude de alegria para o coração, luz para o nosso caminho, vida eterna, justiça, caminho de vida e delicias perpetuas.

Ciente de que seu fim estava próximo, Paulo entrega a Timóteo a missão de continuar a obra que ele havia recebido de Deus — não o apostolado, mas a proclamação das insondáveis riquezas de Cristo Jesus. Por meio do ensino e da pregação do evangelho bíblico, da prática pastoral, da manutenção e da defesa da sã doutrina, recebida por obra do Espírito Santo, Timóteo deveria: “Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós” (cf. 2 Timóteo 1.13-14). Ao seguir de perto o ensino de Paulo, Timóteo adotou como única regra de fé e prática e como filosofia ministerial, todo o conteúdo doutrinário que recebera da palavra infalível, inerrante, poderosa e revestida da autoridade divina, toda a Escritura (2 Timóteo 4.1, 2).

Um ministério qualificado biblicamente e que agrada a Deus, conforme os escritos paulinos e a tradição reformada, começa com a unidade doutrinária de acordo com as Escrituras do Antigo e Novo Testamentos. Essa ênfase na doutrina correta e bíblica é imprescindível em nossos dias, pois há pregadores e instituições que usam a Bíblia para defender ideias contrárias às Escrituras, muitas vezes baseados em filosofias humanas ou abordagens terapêuticas sem fundamento bíblico. Contudo, como ensinado por Paulo, o ministério fiel é aquele que permite que a Bíblia fale por si mesma, pois ela é o puro poder de Deus, presente no evangelho, que salva tanto judeus quanto gentios (cf. Romanos 1.16-17).

A igreja primitiva se destacou por esse motivo: era uma igreja que perseverava “na doutrina dos apóstolos” (cf. Atos 2.42). A vida dinâmica e poderosa da igreja em Jerusalém foi consequência da aplicação da doutrina apostólica, por meio da pregação acompanhada pelo poder do Espírito Santo. Os grandes avivamentos registrados na bíblia e na história da igreja aconteceram com o povo de Deus retornando as Escrituras, nos dias dos Reis Ezequias e Josias. A reforma protestante do século XVI foi um retorno as antigas doutrinas bíblicas. Os avivamentos nos dias de George Whitifield, John Wesley, Jonathan Edwards ocorreram, sim, por obra do Espírito Santo, mas as doutrinas escriturísticas foram resgatadas na vida e nos púlpitos das igrejas. Logo, a bíblia e a história nos ensinam que só teremos um ministério que agrada a Deus e eficiente para o rebanho quando nos mantermos submissos às doutrinas do evangelho de Cristo Jesus. Lembremo-nos de que a IPCB nasceu em 1940 com este propósito pastoral.

Contudo, um ministério qualificado biblicamente e que agrada a Deus, além da unidade doutrinária, que é determinante, busca também uma:

  1. Conduta Ministerial Centrada em Cristo Jesus

“Tens seguido, de perto, o meu procedimento ou conduta.”

A doutrina apostólica determinava o estilo de vida e de ministério requeridos por Deus. Por onde passou, Paulo buscou, com todas as suas forças e fé na graça capacitadora de Deus, deixar um exemplo de agogé — modo de vida — e de conduta ministerial centrada em Cristo. Ele queria que o rebanho e seus alunos no ministério o observassem e o imitassem. Essa era uma atitude intencional, planejada, cheia de entusiasmo e voluntária. Não devemos entender isso como exibicionismo, mas sim como coerência e convicção de um pastor que fora chamado por Deus, não apenas para ensinar, mas também para viver aquilo que ensina.

Em sua primeira carta aos Coríntios, Paulo afirma que, depois de pregar, disciplinava a si mesmo rigorosamente para não contrariar sua própria pregação: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (cf. 1 Coríntios 9.27). As razões para isso eram as profundas convicções que o apóstolo tinha a respeito das doutrinas bíblicas e do seu chamado para o apostolado, da missão que recebera de fazer conhecido todo o conselho de Deus a igreja, era claro em sua mente que: a) as doutrinas que ele pregava eram palavras de Deus; b) são verdades que salvam e libertam o pecador da escravidão do pecado, do mundo, de Satanás e da ira de Deus; c) acima de tudo, Paulo tinha plena convicção de que as doutrinas que ele ensinava eram uma exposição da pessoa e da obra de Cristo. Como ele mesmo disse: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo” (Efésios 3.8).

Paulo se apresenta à igreja de Corinto como um servo de Cristo a ser imitado: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (cf. 1 Coríntios 11.1). De modo semelhante, ele faz o mesmo na carta aos Filipenses: “Irmãos, sede meus imitadores e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós”, e
“O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco
” (cf. Filipenses 3.17; 4.9). Na primeira carta aos Tessalonicenses, por duas vezes Paulo afirma que serviu de modelo cristão à igreja, a ponto de os irmãos o imitarem como ao próprio Senhor Jesus: “Com efeito, vos tornastes nossos imitadores e do Senhor, tendo recebido a palavra, posto que em meio de muita tribulação, com alegria do Espírito Santo, de sorte que vos tornastes modelo para todos os crentes na Macedônia e na Acaia”, e ainda: “Vós e Deus sois testemunhas do modo por que piedosa, justa e irrepreensivelmente procedemos em relação a vós outros, que credes” (cf. 1 Tessalonicenses 1.6-7; 2.10).

Timóteo não recebeu apenas instruções teóricas ou acadêmicas de Paulo, mas, ao longo da jornada ao lado de seu mestre, viu a doutrina do evangelho exemplificada na vida de seu pai espiritual. O Apóstolo levava uma vida consagrada a Cristo (cf. Filipenses 1.20-21), era um homem completamente destituído de egoísmo, sempre dando glória a Deus e recusando qualquer honra para si. Timóteo viu em seu mestre uma harmonia entre o ensino e a conduta, e entre a conduta e o ensino.

Irmãos conservadores, temos conduzido um ministério centrado em Cristo? Chamamos nossas igrejas a nos imitarem, como imitamos a Cristo? Temos nos colocado como ministros que exemplificam com a vida o evangelho de Cristo? Como tem sido nossa conduta diante daqueles que nos observam? Nós nos colocamos, de maneira intencional e consciente, como modelos cristãos para o povo de Deus? Continuamos nas pisadas de nossos pais fundadores e na fé reformada que nos foi dada como herança?

A qualidade pastoral bíblica requer homens que sejam imitadores de Cristo. Horatius Bonar (1808–1889), importante ministro presbiteriano da Escócia, em seus dias disse que:

Há muito pouco da mente de Cristo em nós. Quão distantes estamos dos apóstolos, quanto mais de Cristo. Estamos caminhando longe até dos servos, quanto mais do Mestre. Há muito pouco em nós da graça, da compaixão, da mansidão, da humildade e do amor do Filho Eterno de Deus. O Seu choro sobre Jerusalém é algo sobre o qual pouco sabemos. Ele ‘buscava o que estava perdido’, e nisso somos péssimos imitadores. Ele incansavelmente ‘ensinava as multidões’ algo que para nós é penoso demais. Os dias de jejum, as noites de vigília e oração são modelos que ainda não ousamos imitar. Ele não considerou Sua vida preciosa para Si mesmo, a fim de glorificar o Pai e cumprir a obra que veio realizar e nós ainda nos esquecemos de que esse deve ser o princípio que orienta nossas vidas. Certamente devemos seguir os Seus passos; o servo deve andar pelo caminho já trilhado pelo seu Mestre. O pastor deve aprender a ser aquilo que o Pastor Supremo foi. Não devemos buscar descanso e facilidades em um mundo onde aquele a quem amamos enfrentou apenas dores e sofrimentos.

Além da unidade doutrinária e da imitação de Cristo, a qualificação de um ministério bíblico que agrada a Deus também se caracteriza por:

  1. Um Propósito Ministerial Conformado com as Escrituras

“Tens seguido, de perto, o meu propósito”

Nós, como pastores e presbíteros conservadores, cremos e confessamos que as Escrituras nos ensinam o que devemos crer a respeito de Deus e qual o dever que Ele requer de nós. Em outras palavras, a Palavra de Deus é a única regra que nos orienta sobre como glorificá-lo e desfrutar dele. Ela estabelece, para cada ministro e servo de Cristo, qual deve ser o alvo de sua vida e trabalho. À luz dessa declaração, nos comprometemos que não seremos movidos por ideologias ou ideais políticas, sejam elas de direita ou de esquerda, mas tão somente pela Palavra de Deus.

Falando de seu alvo, Paulo usa o termo grego “protései” – “propósito” – ou seja, aquilo que ele havia estabelecido como objetivo de vida. Ele sabia o que estava fazendo, para onde estava indo e onde queria chegar. Lucas registra a declaração de Paulo aos irmãos de Éfeso sobre o propósito de sua vida e ministério: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para testemunhar o evangelho da graça de Deus.” (cf. Atos 20.24). Paulo era convicto do propósito de Deus em sua vida. Sabia a razão do seu chamado e por que foi separado para o apostolado — nas palavras do apóstolo, para testemunhar o evangelho da graça de Deus”.

O alvo da vida do apóstolo estava conformado ao propósito escriturístico do Deus Trino. Ele sabia que Deus o Pai o separou para anunciar Cristo aos gentios: “Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, sem detença, não consultei carne e sangue.” (cf. Gálatas 1.15–16). Ele sábio que Deus o Filho o escolhera como instrumento para proclamar o seu nome entre os gentios: “Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome.” (cf. Atos 9.15–16). Ele sabia que Deus o Espirito Santo o separou, o capacitou e o enviou para os gentios: “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram. Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre.” (cf. Atos 13.2–3). Ter um propósito ministerial é estarmos adequados ao propósito do Deus Trino revelado nas Escrituras.

Quando nós pastores e presbíteros temos consciência do chamado de Deus e reconhecemos que estamos inseridos em um propósito eterno, tornamo-nos destemidos, ousados e desenvolvemos ministérios bíblicos de qualidade. Cooperamos para o desenvolvimento da igreja, aperfeiçoamento dos santos, com a edificação do corpo de Cristo, com a unidade da fé e conduzimos o rebanho ao pleno conhecimento de Cristo. A qualificação bíblica do ministério presbiteriano conservador só alcançará esses objetivos se estivemos conformados com o propósito eterno de Deus, revelados nas Sagradas Escrituras. De glorificamos a Deus, centralizarmos a Cristo e vivermos no poder do Espirito Santo.

Por fim, um ministério qualificado pela bíblia, que agrada a Deus, só será verdadeiramente efetivado se tivermos:

  1. Devoção Absoluta ao Senhor Jesus

Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (cf. 2 Timóteo 3.12). Podemos parafrasear este versículo da seguinte forma: “Todos os que decidirem viver devotamente para Cristo sofrerão.”

Nos dias de Timóteo, havia uma perseguição acirrada contra os cristãos em grande parte do Império Romano. Nero havia culpado os cristãos pelo grande incêndio que destruiu parte de Roma, motivo pelo qual muitos irmãos foram mortos, como Paulo e Pedro. Outros eram perseguidos, presos e submetidos a muitas privações. Os ministros da Palavra eram os principais alvos da cruel, bárbara e diabólica tortura. É nesse contexto que, falando de sua própria experiência, Paulo instrui e motiva Timóteo e todos os cristãos devotados a Cristo, mostrando que uma vida devotada a Cristo, posicionar-se ao lado de Cristo e da doutrina bíblica do evangelho, traria sobre eles várias formas de perseguições como calúnias, desprezo, ódio, perda de reputação, difamação, agressões físicas e emocionais por parte do mundo e também daqueles que, embora religiosos, não são seguidores leais de Cristo.

Mas, o que mantém firme um servo de Cristo no cumprimento de sua missão? O que dá ao servo de Cristo vigor, encorajamento e disposição em tempos de crise? O que motiva um pastor e um presbítero a orar e zelar pelo rebanho a eles confiados? O que leva irmãos e irmãs a batalharem pela fé entregue aos santos? O faz um pastor ser zeloso nos estudos e na oração fervorosa? A resposta é: a total e absoluta devoção a Cristo Jesus. Pois viver piedosamente em Cristo implica se doar a Cristo sem reservas. E só estarão preparados para essas lutas, para os desafios da vida e do ministério pastoral aqueles que se entregam totalmente ao Senhor Jesus.

O verdadeiro ministério qualificado pela bíblia é um ministério totalmente consagrado a Cristo — sem reservas, de corpo e alma, em todo tempo e lugar. Segundo o ensino do próprio Senhor, é impossível servir a dois senhores: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (cf. Mateus 6.24).

Paulo nos ensina que, essa total entrega e devoção a Cristo, partem da fé e da compreensão do grande amor e sacrifício que Ele realizou por nós: “Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (cf. 2 Coríntios 5.14-15).

A consagração envolve uma entrega completa do ser, mente, vontade e emoções a Cristo Jesus. Se não nos devotarmos totalmente a Cristo nosso ministério será como um poço seco; espiritualmente estéril e prejudicial ao rebanho. Nossa vida não corresponderá à fé que afirmamos defender. Nosso pastoreio terá um efeito negativo sobre o rebanho. Em vez de aquecermos os corações, iremos esfriá-los; em vez de restaurarmos vidas, iremos destruí-las; em vez de conduzirmos pessoas a Cristo, as afastaremos de Cristo; em vez de quebrantarmos corações, os tornaremos ainda mais endurecidos, se o perfume que nós exalamos não for o perfume de Cristo, mas o do profissionalismo ministerial, politiqueiro e interesseiro, infelizmente tão comum em nossos dias e em muitas igrejas seremos uma barreira, um verdadeiro impedimento entre o rebanho e as insondáveis riquezas de Cristo.

A devoção total a Cristo e a busca por sua exaltação e glória são requisitos bíblicos para o bom desempenho de um ministério que agrada a Deus. Paulo e os demais autores do Novo Testamento enfatizaram esse tema de forma clara e vívida em todos os seus escritos. Cristo exigiu e ainda exige isso de seus seguidores. Ele disse: “e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha a sua vida, perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa, achá-la-á” (Mateus 10.37-39).

Ao encerrar esta pastoral, encorajamos a todos a mantermos uma vida devotada ao Senhor. Compreendamos a seriedade de nossa vocação ministerial e a necessidade de termos pastores e presbíteros não apenas devidamente preparados, mas, acima de tudo, fiéis, consagrados e santos — mesmo que, por causa disso, venhamos a ser perseguidos.

Fomos chamados para pastorear o rebanho de Deus com a Palavra de Deus, em conformidade com os propósitos de Deus revelados nas Escrituras, seguindo os passos de nosso Senhor Jesus e nos devotando totalmente a Ele.

Temos um ministério qualificado pelas Escrituras? Somos, de fato, verdadeiros homens de Deus? Continuamos a trilhar as pegadas dos nossos pais fundadores, “batalhando pela fé que, uma vez por todas, foi entregue aos santos”? Desenvolvemos nosso pastorado como um ato de devoção ao Senhor?

Lembremo-nos de que o nosso chamado para o ministério e o pastoreio do rebanho que nos foi confiado deve ter como alvo principal e último a exaltação do nome de Cristo, bem como a nossa conformação e alegria n’Ele. Que Deus nos ajude. Amém.