Será que na relação intratrinitária teríamos exemplos para uma boa convivência entre os homens?
30 de outubro de 2019
“Glória somente a Deus”
31 de outubro de 2019
Será que na relação intratrinitária teríamos exemplos para uma boa convivência entre os homens?
30 de outubro de 2019
“Glória somente a Deus”
31 de outubro de 2019
HISTÓRICO: “REV. EDIVAL JOSÉ VIEIRA, SUA VIDA E MINISTÉRIO”

Nascimento e infância – Nasci no dia 18 de agosto de 1946, portanto, completei 73 anos de idade. Meus pais, José Joaquim Vieira e Angelina Maria Vieira, ambos falecidos, tiveram três filhos, eu sou o do meio, o primogênito Nelson José Vieira e a caçula Cacilda Vieira, já falecida. Nasci na fazenda de meu avô paterno, Joaquim Benedito Vieira, na conhecida Serra da Barba de Bode, município de São João da Mata, MG. Com a morte de meu avô, a sede da fazenda ficou para meu pai, onde passei minha infância, cresci, até a minha ida para o Seminário.

Vida estudantil (primária) – Fui alfabetizado, juntamente com o meu irmão Nelson, na Escola Rural Pedra do Navio, que funcionava na casa da fazenda do sr. João Garcia Neto. Nossa primeira professora era a filha do referido fazendeiro e se chamava Antonieta Garcia. O primeiro ano do chamado Curso Primário, eu e o meu irmão o fizemos na escola rural Adolfo Simões, no Bairro Barba de Bode, cuja professora se chamava Paula Simões Faria, falecida recentemente. No segundo ano, passamos a frequentar o Grupo Escolar Cônego Paulo Monteiro, em São João da Mata, cerca de seis quilômetros, indo à pé todos os dias. Para cursarmos o terceiro ano primário e para a minha irmã Cacilda iniciar sua fase estudantil, meus pais decidiram se mudar para São João da Mata, onde passamos apenas um ano e retornamos para a fazenda. Conclui meu curso primário quando tinha 16 anos de idade, indo para S. João da Mata, a cavalo, todos os dias. Terminado o curso, por falta de outros cursos de graduação no Município, continuei ajudando meus pais nas lides do campo, cuidando do gado, e como bom mineiro, tirando leite, fazendo queijos, manteiga e rapadura. De serviço no campo, aprendemos a fazer quase tudo, com o pai empreendedor que tivemos. Gostava muito de ler e tinha muita facilidade de gravar na memória o que lia. A minha professora do quarto ano primário, que assinou o meu primeiro diploma, com a nota 10, a Neide de Castro, me disse no encerramento do curso: “ meu jovem, você precisa sair de S. João da Mata, você precisa continuar estudando”. Certa feita, ela mesma já havia me dito: por que você não estuda para pastor. E ela era uma católica romana fervorosa!

Apresentação no quartel – Em 1965 me alistei para servir o exército, mas com o propósito único de tirar a indispensável carteira de reservista, pois já tinha o desejo de ir para o nosso Seminário, onde já estavam estudando meus três primos, Saulo, Ivandir e Mesaque. Fui aprovado e chamado para servir no quartel de Pauso Alegre. Só permaneci lá por dois dias, confirmando assim que Deus tinha outro propósito para a minha vida. Ele usou o presbítero da minha igreja Clóvis Alvim, que tinha influência com um comandante de dentro do quartel, o qual me dispensou. O motivo do pedido de dispensa foi : ida para o seminário.

Herança religiosa, vocação e ida para o seminário – Tive o privilégio de nascer e crescer dentro de um lar de vida e práticas cristãs. Meu pai, homem severo na educação, porém muito cuidadoso das práticas cristãs como leitura quase diária da Bíblia, oração em família, e frequência aos cultos. Quando criança, frequentava a IPC na Fazenda Boa Esperança, do presbítero José Alvim Pereira. Quando o templo foi construído em São João da Mata, era para lá que tínhamos que percorrer os seis quilômetros todo domingo, ora a pé, ora a cavalo e até que foi possível, de Jeep ano 54. Meu avô Joaquim Benedito Vieira era presbítero da igreja, juntamente com o irmão José Alvim Pereira, desde a sua fundação em 1942. Eu era ainda garoto quando meu pai foi eleito presbítero e neste ofício serviu por mais de 40 anos. Via e admirava a dedicação dele na maneira como encarava a obra de Deus. Nem chuva, nem enchente o impedia de ir à igreja; em muitas épocas ele era o único presbítero na igreja e tinha que pregar todos os domingos, quando as visitas dos pastores aconteciam a cada seis meses. Me lembro de algumas vezes, quando ele demorava chegar do culto após fortes chuvas, minha mãe mandava eu e meu irmão até um determinado ponto da estrada onde havia uma perigosa ponte, temendo que a enchente pudesse ter-lhe causado algum perigo; o que graças a Deus nunca aconteceu. Ele possuía pouco preparo como pregador, porém muito zelo e dedicação no que conseguia fazer. Tenho absoluta convicção que isto me marcou profundamente, e Deus usou este testemunho para despertar minha vocação para o ministério sagrado. Outra evidência de vocação ministerial, é que eu gostava de ouvir sermões, especialmente do grande orador, Rev. Carlos Pacheco. Quantas vezes eu memorizava e repetia, para mim mesmo, em momento a sós, trechos da pregação dele, inclusive tentando imitar sua voz e gestos. Certa vez, andando a cavalo atrás do gado em uma curva da estrada, fui pego no frago por um vizinho, imitando o Pacheco, num trecho de sua pregação; e ele perguntou, mais ou menos assim – me lembro até hoje: “Uai rapaiz, que que deu nocê, falano ai suzinho ”! Confesso que fiquei com muita vergonha, e não sabia o que responder. Também, apesar da timidez, gostava de participar de peças teatrais, na escola e na igreja. Decorava tudo e repetia em voz alta para mim mesmo. Eu levava para a escola um Novo Testamento entre meus pertences, quando a professora citava um episódio bíblico, eu abria e lia a passagem referente. Minha ida para o Seminário aconteceu no dia 04 de março de 1966, quando eu e meu tio Augusto Fonseca subimos na carroceria de um caminhão que transportava leite para Pouso Alegre, carregando a minha mala de fibra; lá passamos a noite num pequeno hotel e no dia seguinte tomamos ônibus para São Paulo e chegamos ao Seminário. O Diretor, quem era! O Rev. Carlos Pacheco. Aquela chamada casa de profetas se tornou a minha segunda casa por longos dez anos. Quatro anos no curso Propedêutico, três anos no curso Pré-Teológico e três anos no curso Teológico. Enfim, em Dezembro de 1975, peguei meu diploma de bacharel em teologia.

Licenciatura e campo de trabalho – Fui licenciado pelo então Presbitério do Centro reunido em Irai de Minas em Janeiro de 1976. Me foi atribuído o campo de Bauru, incluindo a igreja desta cidade e mais três congregações presbiteriais, nas cidades de Iacanga, Bariri e Dracena. Nestas, as visitas eram esporádicas. Meu tutor foi o Rev. José Carlos Barbosa. Minha primeira residência em Bauru foi uma salinha ao lado do púlpito da igreja, cujos móveis eram uma cama de solteiro, uma cadeira, quatro caixas superpostas onde guardava meus livros e um varal na parede onde pendurava os cabides com as roupas. Tomava meu café da manhã na casa do zelador da igreja, sr. Elias Faria e as demais refeições na pensão da D. Sofia, e posteriormente na residência do Sr. Zuza, membro da Igreja. Como já estava noivo, eu e Celenir decidimos nos casar, cuja cerimônia se deu no dia 03 de Julho de 1976, na Primeira IPC de Goiânia, onde ela era membro. Retornando a Bauru, casado, nossa residência foi os dois cômodos antes ocupados pelo zelador, quarto e cozinha, e o banheiro fora, o mesmo usado pela igreja. Como o Conselho teve que dispensar o zalador para ocuparmos sua residência, eu e Celenir passamos a zelar do templo. Os vizinhos que não conheciam a história, perguntavam se eu era o novo pastor ou o novo zelador da igreja, e resposta era: as duas coisas. Foi uma experiência incrível, que nos faz lembrar com saudades!

Ordenação e campos de trabalho – Fui ordenado pelo mesmo Presbitério, reunido na própria igreja de Bauru, no dia 07 de Janeiro de 1977. Na distribuição dos campos, o Presbitério me confiou o mesmo que já estava servindo. Assim cumpri dois anos em Bauru, com experiências marcantes como primeiro campo de trabalho e como recém-casado.

1978 a 1988 -Campo de Goiás – No começo de 1978 o Presbitério transferiu-me para Goiânia, atribuindo-me o pastorado da Segunda IPC, no Bairro Capuava e mais a Congregação do Setor Urias Magalhães, em cujo Bairro fixei minha residência. Naquele mesmo ano a Congregação se transformou em Terceira IPC, e por cinco anos seguidos fui o pastor desses dois campos. Nesse período abrimos quatro congregações locais, pela Segunda IPC, as congregações de Trindade e Jardim Nova Esperança, e pela Terceira e Primeira IPCs, as congregações do Conjunto Cruzeiro do Sul e Bairro Nova Suiça. Além de todos esses trabalhos na Capital Goiana, eu tinha que visitar esporadicamente três congregações no interior do Estado, em Rubiataba, Rialma e Gurupi, esta há seiscentos quilômetros de Goiânia. E como se não bastasse, em 1981, quando a Primeira IPC de Goiânia ficou sem pastor, o Presbitério me atribuiu mais aquele campo. Naquele ano, eu era o único pastor de todo o campo de Goiás. No ano seguinte chegou o Rev. Djalma Franco para nos ajudar e depois, os Revs. Sebastião Salvador e Antonio Gonçalves de Oliveira. Além da assistência aos diversos campos de trabalho, fizemos programa de rádio por longo período e por dois anos dirigimos na Rede Bandeirante de Televisão, transmissão local, o programa Encontro com Cristo.

1983 a 1985 – Segunda IPC de Goiânia – Tendo sido eleito pela Segunda IPC, passei a residir no Bairro Capuava. Nesse período, foram organizadas em igrejas as congregações de Trindade e Jardim Nova Esperança e eu me tornei o pastor das três, por três anos.

1986 a 1988 -Terceira de Goiânia – Fui eleito novamente pela Terceira IPC e voltei a residir no Bairro Urias Magalhães, na residência própria que Deus nos deu. Nesse período, abrimos uma congregação no Bairro Maria Dilce, hoje a Sexta IPC de Goiânia. No final desses três anos, encerrou nossa passagem pelo chão goiano. Foram onze anos de ministério no Brasil central. Deixamos para trás abençoados frutos, mas carregamos aquilo que Deus havia nos dado de mais precioso naquela abençoada terra: a esposa Celenir, e as três joias preciosas, as filhas Valdine, Vanessa e Vanyse.

1989 a 1994 – São João da Mata – Fui eleito pela IPC de São João da Mata e retornei à minha terra natal vinte e três anos depois. Por seis anos batalhamos junto da nossa gente e do nosso povo cristão. No segundo ano em São João da Mata, comecei dar aula em nosso Seminário, viajando toda semana para São Paulo. Nesse mesmo período, aproveitando as idas para São Paulo, iniciamos e terminamos o curso de Mestrado em Antigo Testamento, oferecido pelo Centro de Pós-graduação Andrew Jumper. Como nossas filhas cresceram e necessitavam de faculdades para prosseguirem seus estudos, Deus abriu as portas de outro campo de trabalho, onde essa necessidade pudesse ser suprida.

1995 a 1998 – Limeira – Fui eleito pelas duas IPCs de Limeira, Jdm. Nova Itátia e Jdim. Caieira. Foram quatro anos muito abençoados, dividindo o tempo com duas dinâmicas igrejas e mais programa no rádio. De Limeira continuei indo ao Seminário semanalmente para as aulas.

1999 a 2003 – Primeira IPC de São Paulo – Eleito pela Primeira Igreja de São Paulo, lá permaneci por cinco anos, no pastoreio da igreja e da sua congregação na Vila Santa Catarina, e dando aulas no nosso seminário.

2004 a 2006 – Segunda IPC de Goiânia – “Eu voltei …”, “não deu para segurar a barra…”. Fui eleito pela Segunda IPC de Goiânia e retornamos ao Bairro onde já havíamos morado antes. Foram mais três anos de batalha firme na fé. Nesse tempo projetamos o novo templo, que aquela igreja construiu e inaugurou mais tarde. Depois de três anos naquele pastorado, dois fatores me fizeram sair de novo de Goiânia: recebi um convite da direção do Centro de Pós-graduação do Mackenzie para fazer o curso de Doutorado em Ministério que ia começar no Brasil, e juntamente com o convite, me foi oferecida uma bolsa de estudos para fazer o curso. Na mesma ocasião, recebi um convite de liderança da nossa igreja para ser professor de tempo integral em nosso Seminário. Entendi que Deus queria me levar de volta para São Paulo e me usar em outro tipo de ministério.

2007 a 2009 – Seminário – Tendo sido nomeado pelo nosso Sínodo para professor de tempo integral do Seminário e Diretor do Departamento Missionário da nossa Igreja, fomos residir na chamada Casa da Missão, em Riacho Grande. Ao mesmo tempo que executávamos essas funções, estávamos cumprindo os módulos do curso de doutorado em ministério. As experiências que tivemos nestes três anos com essas novas funções foram muito gratificantes e prazerosas. Todo o tempo que servimos o seminário como professor foram dezessete anos

2010 a 2019 – São João da Mata – Eu gostava muito do que estava fazendo no Seminário e na Missão, mas dois fatores me fizeram entender que Deus me queria de volta em na minha terra natal: minha mãe, viúva, residia só em São João da Mata e a carência de cuidados familiares se tornava cada vez mais evidente; outro, a nossa igreja nesta cidade na ocasião estava sem pastor e fui procurado pelo seu Conselho se aceitava pastoreá-la. Não tive dúvidas do chamado de Deus e retornei. Minha querida mãe nos deixou já há três anos, mas a igreja continua nos dando o prazer de ser o seu pastor, e dez anos já se passaram na batalha da fé uma vez dada aos santos; somados os seis anos do pastorado anterior, são dezesseis anos, o mais longo que já exerci numa igreja. Com a graça de Deus, daqui consegui concluir meu curso, visando o aperfeiçoamento do meu ministério. O que tem pela frente, só Deus o sabe. Até aqui nos ajudou o Senhor.

PERGUNTAS RESPONDIDAS PELO REV. EDIVAL:

1 – O que representa a IPCB para o senhor?

A IPCB representa muito para a minha vida como um todo. Aquilo que tenho, aquilo que sou, Deus me concedeu através dela. A minha herança cristã especialmente, começando por meu avô, que se converteu pelo ministério dela. Quando nasci, meus pais já eram membros dela. Nela fui batizado na infância, pelo seu fundador, Rev. Rafael Pages Camacho. Nela recebi as primeiras lições da Escola Dominical e participei dos primeiros cultos que guardo na memória. Nela cresci e fiz a minha profissão de fé quando jovem. Ela me enviou e me sustentou no Seminário por dez anos. Nela me casei, e com uma membro dela. Nela batizei as minhas três filhas e nela as três foram casadas. Nela foram batizados os meus cinco netos. Ela apoiou-me e ajudou-me nos cursos que fiz para aperfeiçoar meu ministério. Nela eu exerço o pastorado por quarenta e três anos, nove deles como jubilado. Só tenho que ser grato a Deus por ELA.

2 – Qual conselho o sr. deixa aos novos pastores?

Como é um conselho só, então vamos ao que julgo ser o principal, considerando que a tarefa número um de um pastor é alimentar o rebanho de Deus: “pastores! sirvam a cada semana uma balanceada e nutritiva alimentação ao seu rebanho, usando as ferramentas da exegese colocadas nas mãos de vocês pelo Seminário, e preguem, preguem, preguem expositivamente a Bíblia. Para isso, não parem de ler e de estudar”.

Legenda das fotos em anexo:

Foto 1 – Rev. Edival, esposa Celenir, e filhas VAline, Vanessa e Vanise

………………………………………………………………………………..

Foto 2 – Família reunida com genros e netos

………………………………………………………………………………..

Foto 3 – Diploma de Bacharel em nosso Seminário

………………………………………………………………………………..

Foto 4 – Dia do Casamento

………………………………………………………………………………..

Foto 5 – Presbiteriano Conservador de 1945 com o avô paterno. O terceiro da esquerda para direita, na terceira fila, em pé

………………………………………………………………………………..

Foto 6 – No seminário em Covenant, em Saint Louis, EUA, em 1994 para conclusão de mestrado